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Para analistas do mercado, o principal motivo é a falta de entendimento do setor do que é o ethereum e o que ele faz
A SEC, a CVM dos Estados Unidos, aprovou na noite da última segunda-feira (22) os últimos documentos necessários para que os primeiros fundos de índice (ETFs, em inglês) de ethereum (ETH) à vista (spot) do país comecem a ser negociados nesta terça-feira (23).
Mas, se o mercado tinha grandes expectativas em relação aos preços do próprio ethereum, ela não se cumpriu — pelo menos por enquanto.
Recapitulando, assim como os ETFs de bitcoin (BTC) à vista, a gestora que cuida desses fundos precisa ter a criptomoeda em caixa para oferecer o produto do tipo spot.
Em outras palavras, é preciso comprar criptos, o que tende a reduzir a oferta dos tokens no varejo e, consequentemente, há uma alta de preços.
E essas grandes gestoras — como a BlackRock, a VanEck, ARK & 21 Shares, Fidelity, Franklin Templeton, Grayscale, Hashdex e Invesco — realizam compras gigantescas, na casa dos bilhões de dólares, em criptomoedas.
Porém, no caso do ethereum, a história é diferente. Para a corretora de criptomoedas (exchange) Wintermute, a expectativa é de que os ETFs de ethereum gerem algo entre US$ 3,2 bilhões e US$ 4 bilhões em entradas (inflows) em seu primeiro ano de negociação.
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"Nossa visão é que os ETFs provavelmente terão uma demanda menor do que o esperado, mais próxima de US$ 3,2 bilhões a US$ 4 bilhões", escreveu a Wintermute.
Para efeitos de comparação, a corretora prevê que os ETFs de bitcoin gerarão cerca de US$ 32 bilhões até o final de 2024.
O motivo para essa falta de interesse não é algo senão extremamente prático, como explica Orlando Telles, fundador da Orlando On Crypto e co-fundador da Mercurius Crypto.
“O motivo para esta diferença é simples: para o investidor institucional, o BTC é mais ‘fácil de entender’, e o mercado não está tão apetitoso a risco para vermos institucionais comprando cripto aos montes”, escreve ele em sua newsletter diária.
Assim, não é de se estranhar que os investidores restrinjam suas compras apenas ao BTC ou mantenham uma parcela muito pequena do seu portfólio em ETH.
Outro ponto importante de se ressaltar é que os ETFs são mais interessantes para investidores institucionais do que para aqueles do varejo.
Essa barreira de entendimento de “como funciona o ethereum” pode afastar esse tipo de investidor.
“No longo prazo, o horizonte é mais florido. Com a queda de juros, esses ETFs devem representar um caminhão de dinheiro entrando em ETH e no seu ecossistema”, explica Telles.
Já para a exchange Wintermute, a expectativa é de que o preço do ethereum suba no máximo 24% até o fim de 2024.
“Contudo”, continua Telles, “no curto prazo a demanda por ETFs de ETH pode ser pequena, ou ainda só o ETH se beneficiar — e suas altcoins continuarem indo mal”. Nesta terça-feira, o ethereum é negociado com alta de 0,54%, aos US$ 3.508,55, por volta das 8h20.
Por fim, vale lembrar que a SEC também está no processo de avaliar a viabilidade de um ETF de Solana (SOL), mas ele deve sofrer os mesmos questionamentos que o fundo de ethereum sofreu no passado.
E vale lembrar que o investimento em criptomoedas é altamente volátil e que o investidor deve manter uma parcela responsável do seu portfólio em ativos digitais.
Vale lembrar ainda que a Comissão de Valores Mobiliários norte-americana havia entrado em disputa pela definição do que seria a plataforma ethereum.
Para o chefe da SEC, Gary Gensler, a maior parte das criptomoedas é um valor mobiliário e, portanto, deveria estar sob a orientação da SEC.
Isso porque o mecanismo de proof-of-stake (PoS, ou “prova de participação”) é amplamente utilizado no mercado cripto por ser mais eficiente do ponto de vista energético.
Contudo, na visão de Gensler, esse tipo de engenharia é semelhante a contratos de valores mobiliários.
Contudo, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) é quem já faz a supervisão de ETFs que usam contratos futuros de ethereum, tratando a criptomoeda como uma commodity.
A aprovação do ETF pela SEC deu um primeiro sinal de que se trata de um valor mobiliário, porém essa disputa pode se repetir para outras criptomoedas.
A cada queda mais intensa do preço do Bitcoin (BTC), surgem novos “profetas” anunciando o fim da criptomoeda. Desta vez, foi Michael Burry quem falou em uma possível “espiral da morte”.
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