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Enquanto o ambiente externo segue favorável aos ativos de risco, a economia brasileira tem se mostrado mais resistente que o esperado
Nesta semana, os investidores encontraram uma segunda-feira (2) de liquidez reduzida devido ao fechamento dos mercados americanos em função do feriado do Dia do Trabalhador.
Contudo, essa aparente calmaria inicial não reflete o que está por vir, pois a semana promete ser intensa, com uma agenda econômica repleta de eventos importantes.
Entre os principais destaques estão dados macroeconômicos cruciais, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, com especial atenção voltada para o relatório de emprego americano de agosto, conhecido como payroll, que será divulgado na sexta-feira.
Este relatório é particularmente relevante, pois seus resultados podem influenciar as próximas decisões do Federal Reserve (Fed) sobre os cortes nas taxas de juros programados para setembro.
Vale destacar que, na semana passada, o PIB do segundo trimestre superou as expectativas e o índice de inflação preferido pelo Fed se manteve controlado em julho, aumentando a importância do payroll.
Se o relatório de emprego vier mais fraco do que o esperado, as chances de um corte mais agressivo nos juros, de 50 pontos-base, em setembro, se fortalecem.
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Por outro lado, se o mercado de trabalho americano continuar mostrando robustez, o Fed pode optar por um caminho mais cauteloso, com um corte inicial de 25 pontos-base.
De qualquer maneira, o período que antecede setembro tem sido favorável para as ações nos Estados Unidos, impulsionado pela expectativa de cortes nas taxas de juros, apesar de alguns momentos de volatilidade no início de agosto.
No Brasil, por exemplo, o Ibovespa registrou um ganho de 6,5% em agosto, principalmente em resposta à melhora nas condições monetárias nos EUA.
Além disso, uma postura mais assertiva do diretor de política monetária do Banco Central do Brasil, que assumirá a presidência da instituição, ajudou a ancorar novamente as expectativas sobre a política monetária nacional, reforçando o otimismo entre os investidores.
A recente alta do Ibovespa e a valorização do real estão diretamente ligadas à queda nas taxas de juros de dez anos nos Estados Unidos, além do crescente otimismo dos investidores em relação à possibilidade de que o Federal Reserve faça pelo menos três cortes nas taxas de juros ainda este ano, somando uma redução de 75 pontos-base.
As expectativas apontam para cortes adicionais, totalizando 200 pontos-base até o final de 2025.
Esse cenário de queda nas taxas internacionais, combinado com uma postura firme do Banco Central do Brasil, tem sido um suporte fundamental para o desempenho positivo dos ativos locais.
Contudo, é essencial reconhecer os desafios que se desenham, especialmente nas áreas fiscal e monetária.
No campo fiscal, a Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2025, apresentada na última sexta-feira, inclui planos de aumento na arrecadação.
A proposta prevê elevações nas alíquotas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com um aumento de um ponto percentual para empresas em geral e de dois pontos percentuais para instituições financeiras, o dobro do que era inicialmente esperado.
Além disso, propõe-se a elevação da alíquota do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15% para 20%, com a expectativa de arrecadar aproximadamente R$ 21 bilhões em 2025.
No entanto, a aprovação dessas medidas pelo Congresso é incerta, devido à resistência política que se desenha.
Mesmo a compensação pela desoneração, que já foi acordada, ainda depende da aprovação dos parlamentares, introduzindo um elemento de incerteza sobre o sucesso dessas propostas no orçamento, o que pode gerar ruídos fiscais no semestre, conforme já antecipado.
No cenário monetário, por sua vez, após um período de expectativas por aumentos na taxa de juros, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, adotou recentemente um tom menos agressivo.
Isso sugere que eventuais ajustes nas taxas serão feitos de forma gradual, alinhados às tendências globais, onde o Brasil pode se ver aumentando os juros enquanto os Estados Unidos iniciam um ciclo de cortes. Adaptar-se a essa nova dinâmica global será um desafio considerável.
Ainda diante de tais desafios, no cenário atual, há pontos positivos que merecem destaque. Um deles é o crescimento econômico.
Hoje, por exemplo, teremos acesso aos dados oficiais referentes à atividade econômica do segundo trimestre, e é provável que, ao ler este texto, você já esteja informado sobre os resultados.
Observamos que a economia tem se mostrado mais resiliente do que o esperado, mesmo diante das altas taxas de juros.
O mercado de trabalho continua aquecido, o que tem contribuído para manter a inflação relativamente sob controle.
Outro ponto de força é o desempenho das empresas. Os resultados corporativos do segundo trimestre surpreenderam positivamente, com receitas, Ebitda e lucros líquidos acima das expectativas.
Esses fatores, combinados com valuations ainda atrativos, têm incentivado o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil.
A recente queda nas taxas de juros dos Estados Unidos tem sido um fator decisivo nesse movimento, atraindo investidores que injetaram R$ 9,7 bilhões em ações brasileiras somente em agosto.
Esse foi o segundo mês consecutivo de entrada líquida de capital estrangeiro, totalizando R$ 13,2 bilhões nos últimos dois meses.
É claro que desafios existem, como a incerteza jurídica envolvendo a plataforma X, que pode gerar desconfiança internacional.
Vale destacar também que, embora os investidores locais tenham retirado recursos do mercado acionário em agosto, o ritmo de resgates foi menor do que no ano anterior.
Assim, o mercado acionário brasileiro ainda tem espaço para continuar sua trajetória de alta.
Mesmo após as recentes valorizações, as ações brasileiras permanecem com valuations atraentes, negociadas a cerca de 8,5 vezes os lucros projetados para o Ibovespa nos próximos 12 meses — ou 10 vezes, excluindo Petrobras e Vale. Esse valuation está um desvio padrão abaixo da média histórica.
Com essas avaliações favoráveis, a combinação de taxas de juros em queda nos EUA e, mais importante, sinais claros de comprometimento do governo brasileiro com a consolidação fiscal, pode impulsionar ainda mais as ações brasileiras nos próximos meses.
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