Por que os controladores da Mitre (MTRE3) venderam quase 10% das ações da incorporadora na B3
Família Mitre segue como principal acionista da incorporadora, mas agora com uma participação de pouco mais de 40%

O mercado costuma reagir mal quando o dono de uma empresa vende ações da própria companhia — afinal de contas, ninguém conhece melhor a operação. Por isso a Mitre (MTRE3) decidiu explicar logo por que os controladores decidiram se desfazer de quase 10% do capital da incorporadora.
A venda das ações tem não relação com o desempenho da companhia, mas com outros negócios da família, de acordo com Fabricio Mitre, CEO da incorporadora com foco em imóveis de alto padrão em São Paulo.
No caso, os controladores haviam dado ações da Mitre em garantia de empréstimos para a Elisa Agro, empresa de agropecuária do grupo. Uma decisão que o próprio Fabricio reconhece que não foi acertada.
Agora, eles chegaram a um acordo com os bancos credores para desvincular as ações da Mitre. Mas para isso tiveram de vender uma parte dos papéis para fazer caixa e reduzir a dívida da outra empresa do grupo.
"Nunca quis vender as ações da Mitre, mas foi o arranjo necessário", afirmou o CEO e acionista, em conferência com investidores. Esse era um fator de risco que penalizava os papéis da companhia, na visão do executivo.
De fato, a recepção inicial dos investidores na B3 é positiva. Por volta das 10h30, as ações da Mitre (MTRE3) subiam 0,85%, a R$ 4,74. A incorporadora vale aproximadamente R$ 500 milhões na bolsa.
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A venda das ações não foi suficiente para quitar a dívida da Elisa Agro, mas o CEO da Mitre disse que agora os negócios estão totalmente segregados.
Além disso, a negociação garantiu 12 meses de carência e 48 meses de prazo para o pagamento do saldo remanescente.
A família Mitre segue como principal acionista da incorporadora após a venda, mas agora com uma participação de pouco mais de 40%. "O controlador não venderá mais ações", disse o CEO, que manifestou inclusive a intenção de recomprar a participação novamente quando a situação permitir.
Vale lembrar, contudo, que as relações dos negócios dos controladores com as operações da Mitre já eram uma fonte de preocupação dos investidores.
Em outubro do ano passado, por exemplo, as ações da incorporadora caíram forte na B3 após a companhia fechar a compra de quatro imóveis de Fabricio Mitre. O conselho da companhia aprovou o negócio por dois votos a favor, um voto contra e três abstenções.
Na época, a empresa informou que pretende usar os terrenos para lançar um empreendimento em Trancoso, na Bahia, com o nome Daslu Properties.
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