Gestora que desvendou fraude no IRB (IRBR3) zera posição vendida em Casas Bahia (BHIA3) e Magazine Luiza (MGLU3); ações disparam
Ontem, os papéis BHIA3 encerraram o dia com alta de quase 16%. Já MGLU3 fechou a sessão com valorização de 10%.

As ações das varejistas Casas Bahia (BHIA3) e da Magazine Luiza (MGLU3) despontaram entre as maiores altas do mercado brasileiro nesta segunda-feira (19).
Por volta das 13h42 os papéis BHIA3 disparavam quase 12%, a R$ 5,65, entrando em leilão hoje por oscilação máxima permitida. As ações fecharam em alta de 15,61%, a R$ 5,85.
Já MGLU3 liderava as altas da B3, atrás apenas da Petz (PETZ3). No caso da varejista, as ações operavam em alta de 9,38%, a R$ 13,76. No fechamento, Magalu encerrou o pregão com alta de 10,57%, a R$ 13,91.
O desempenho forte dos papéis ocorre após a divulgação da carta semestral da Squadra Investimentos, no último domingo (18). No relatório, a gestora informou que encerrou a posição “short” (vendida) em alguns ativos de varejo, incluindo Casas Bahia e Magazine Luiza.
“Com as quedas verificadas nas ações, no encerramento do semestre, o fundo Long Biased possuía apenas uma alocação short residual de varejo, que foi encerrada desde então", escreveu a gestora, que possui aproximadamente R$ 19 bilhões em ativos.
Ao encerrar a posição short em Magalu e Casas Bahia, a Squadra sinaliza que vê pouco espaço para novas quedas das ações, o que contribui para a alta dos papéis na B3.
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Squadra ganha com queda das ações de Casas Bahia e Magazine Luiza
Responsável por revelar os problemas contábeis no IRB (IRBR3), a Squadra Investimentos é conhecida no mercado pelo acerto nas posições short. Nessa operação, o investidor espera lucrar com a queda no preço do ativo. Na prática, ele faz a venda de uma ação na bolsa e depois a compra de volta por um preço menor. Se o preço cair, ele lucra com a operação, mas perde dinheiro no caso de uma valorização.
No caso de Casas Bahia e Magazine Luiza, a gestora ressaltou que as empresas representavam as maiores contribuições "short" para os fundos da gestora. Nesse período, as ações se desvalorizaram 64% e 90%.
Além disso, o fundo que aposta nesse tipo de estratégia também teve ganhos com investimentos short nos varejistas especializados Petz e Carrefour.
Nos últimos 12 meses encerrados em junho, o fundo Long Biased da gestora acumulou um ganho de 12,7% em relação ao Long Only, que possui apenas “posições compradas”. No caso desta carteira, a alta foi de 6,6%, contra um ganho de 4,9% no Ibovespa.
A aposta contra as varejistas
Em relação a Casas Bahia e Magalu, alguns episódios marcantes aconteceram na direção do cenário de queda nas ações vislumbrado pela gestora, segundo a carta.
Entre eles, a oferta primária da Casas Bahia, em setembro de 2023, “para promover a melhora da estrutura de capital da companhia” com a emissão de 49% de novas ações.
No caso do Magalu, a companhia divulgou em novembro de 2023, em fato relevante, que tinham sido “identificadas incorreções em lançamentos contábeis relacionados ao período de competência do reconhecimento contábil de bonificações em determinadas transações comerciais”, refletindo ajustes de R$ 1,257 bilhão (bruto de impostos).
Para a Squadra, ao longo do último anos, as companhias do varejo que estavam apresentando rentabilidade inferior ao custo de capital e sucessivas queimas de caixa mostraram desaceleração de crescimento, ou até queda de receitas.
Em entrevistas e comunicações recentes, os executivos dessas varejistas têm enfatizado a necessidade de priorizar a recuperação de rentabilidade, que segue deteriorada, ou mesmo buscar uma maior especialização dos modelos de negócio, ainda de acordo com a Squadra.
Curiosamente, a maior contribuição positiva para os fundos da gestora também veio de uma varejista — o Mercado Livre (MELI34). “Com um modelo de marketplace horizontal e contínua expansão de categorias de varejo, o Mercado Livre (MELI34) tem comprimido os preços e a rentabilidade de muitas companhias de varejo.”
“Enquanto o consumidor se beneficia tremendamente, o crescimento acelerado de um competidor tão qualificado tem sido penoso para os acionistas de diversos varejistas.”
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Squadra revelou problemas contábeis no IRB (IRBR3)
Conhecida pelas posições vendidas (short), a Squadra ganhou ainda mais notoriedade no mercado quando revelou uma aposta na queda das ações da resseguradora IRB (IRBR3), em fevereiro de 2020.
À época, a gestora publicou uma carta com uma análise sobre os resultados da empresa. No balanço entre janeiro e setembro de 2019, o IRB Brasil havia registrado um lucro líquido antes de impostos de R$ 1,390 bilhão.
Entretanto, a Squadra calculou que, sem a ajuda de itens considerados extraordinários — que não devem se repetir nos resultados seguintes — a companhia na verdade teria um prejuízo de R$ 112 milhões no período.
Meses após a divulgação da carta, o IRB confirmou a existência de inconsistências contábeis e precisou passar por duas capitalizações. Como resultado, as ações da resseguradora desabaram e ainda acumulam perdas de mais de 90% desde então na B3.
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