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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

MOEDA NORTE-AMERICANA

Dólar escala e vai a R$ 5,68 no Brasil e bate novo recorde na Argentina a 1.420 pesos — mas hoje a culpa não é do Lula

A alta do dólar em relação ao real e ao peso é atribuída a comentários de Jerome Powell em evento que reúne banqueiros centrais na Europa

Renan Sousa
Renan Sousa
2 de julho de 2024
12:37 - atualizado às 7:35
Argentina X Dólar país enfrenta escassez de reservas
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

O dólar voltou a subir em mais uma sessão nesta terça-feira (2) contra as divisas no Brasil e na Argentina, renovando as máximas históricas no país vizinho. O principal motivo está nas falas de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) na manhã de hoje.

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Nas últimas semanas, o dólar disparou em relação ao real, saindo de R$ 5,24 no início de junho para a faixa de R$ 5,68 hoje.

Vale observar que o movimento ocorre em meio a indicações de um possível ataque especulativo contra a moeda brasileira, que acaba de completar 30 anos em circulação.

Desde o início do ano, o real foi a sétima que mais se desvalorizou em relação ao dólar, perdendo para os também depreciados iene e peso argentino, por exemplo.

Parte da desvalorização é atribuída a falas recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, alguns analistas entendem que essa é uma explicação insuficiente para tamanha queda.

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Porém, hoje a culpa não é do Lula

A explicação desta terça-feira vem do próprio Powell. Ele participava de um evento com seus homólogos Roberto Campos Neto, do BC brasileiro, e Christine Lagarde, do europeu.

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Por volta das 11h40, o dólar à vista era negociado em alta de 0,34%, cotado a R$ 5,6931. No mesmo horário, o Ibovespa também avançava, cerca de 0,27%, aos 125.107 pontos.

Além da valorização das commodities, que estimula as ações de empresas dos setores de mineração e siderurgia, as palavras de Powell agradaram os investidores.

O chefe do BC dos EUA, disse, por exemplo, que o Fed conseguiu um progresso significativo na inflação e que o mercado de trabalho está desacelerando. O presidente da instituição ainda afirmou que "tivemos um progresso significativo na inflação."

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Já Campos Neto disse que a decisão da autoridade monetária de interromper o ciclo de cortes de juros se deve mais a ruídos do que a fundamentos econômicos.

  • VEJA TAMBÉM - OS FUNDOS DE RENDA FIXA COM DUPLA ISENÇÃO DE IR: UMA CONVERSA SOBRE FI-INFRAS

Dólar na Argentina: o que se passa por lá

Já nos nossos hermanos, a situação é um pouco pior. A escalada da moeda levou um dólar a valer 1.420 pesos argentinos nesta terça-feira, segundo o portal Ámbito Financeiro. 

Por lá, os investidores não digerem apenas as falas de Powell, mas também há uma grande expectativa em relação à reunião do ministro da Economia, Luis “Toto” Caputo, e do presidente do BCRA — o BC da Argentina —, Santiago Bausili, com bancos locais. 

No encontro, Caputo deve pedir, entre outras questões, para os bancos desfazerem as opções de venda (put) de títulos argentinos.

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Recapitulando, na última sexta-feira (28), Caputo anunciou o que seria a segunda etapa do seu plano de estabilização da economia da Argentina.

Assim, o ministro também quer manter os passivos do BCRA sob tutela do Tesouro, o que tende a garantir um compromisso de maior responsabilidade fiscal.

Contudo, se houver uma venda massiva desses títulos, eles perderão valor, impactando a meta de déficit zero.

Além disso, ele prometeu não fazer novas rodadas de emissão de novos títulos da dívida argentina. “Para o déficit zero, vamos adicionar emissão zero”, disse o ministro, na coletiva de imprensa.

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Vale lembrar, por fim, que a Argentina vem fazendo uma substituição de seus títulos da dívida em pesos por aqueles em dólar, com prazos que vão até 2028.

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