Dólar dispara a R$ 5,42 e Ibovespa atinge menor nível em um ano: o que Lula tem a ver com isso?
Declarações do presidente da República suscitaram mais preocupações sobre o cenário fiscal; mercado vê enfraquecimento de Haddad

A quarta-feira (12) começou com boas notícias no exterior, em dia de decisão de política monetária nos Estados Unidos. A inflação da maior economia do mundo ficou estável em maio na comparação com abril e as apostas de até dois cortes até o final do ano ganharam força.
Mas o mercado doméstico não teve a mesma sorte. Em pouco tempo após o início das operações na B3, a agenda esvaziada deu espaço para o aumento da aversão ao risco dos ativos locais.
E, mais uma vez, o problema é o cenário fiscal brasileiro. O principal índice da bolsa, o Ibovespa, atingiu a mínima desde junho de 2023 aos 119.830,26 pontos e o dólar disparou a R$ 5,4299. Já a curva de juros futuros (DIs) começou a precificar Selic entre 11,25% a 11,5% até o fim do ano. Siga os mercados.
O movimento foi uma reação imediata dos investidores às declarações do presidente Lula.
"Estamos arrumando a casa e colocando as contas públicas em ordem para assegurar o equilíbrio fiscal. O aumento da arrecadação e a queda da taxa de juros permitirão a redução do déficit sem comprometer a capacidade de investimento público. A reforma tributária vai tornar nosso regime mais eficiente, deixando de penalizar os mais pobres e dando mais competitividade para a economia", afirmou Lula em evento do Future Investment Initiative (FII) Institute, realizado hoje no Rio de Janeiro.
De acordo com o presidente, "a coisa mais importante para o investidor é a estabilidade" e, para ele, "o Brasil tem de sobra para oferecer."
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Casa (fora) em ordem?
Um dos entraves para as contas públicas é justamente a arrecadação. As falas de Lula acontecem um dia após o Congresso devolver uma medida provisória (MP) para a compensação da prorrogação da desoneração da folha de pagamentos — que beneficia 17 setores da economia.
Em linhas gerais, a MP limitava as compensações do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
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Ontem (11), antes da devolução da medida, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que não tinha ‘plano B’ caso a proposta não fosse aceita pelo Congresso.
“Nós não temos [um plano B; outra proposta]. E estamos preocupados porque identificamos fraudes nas compensações de PIS/Cofins. Então, vamos ter de construir também uma alternativa para o combate às fraudes, que essa seria uma saída, mas eu já estou conversando com alguns líderes para ver se a gente encontra um caminho”, disse Haddad a jornalistas.
A decisão do Congresso repercute hoje como um possível sinal de enfraquecimento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“A devolução da MP do PIS/Cofins é até positiva, porque seria danosa para as empresas. Mas, por outro lado, reforça a percepção de deterioração fiscal, porque Haddad disse que a Fazenda não possui plano B para compensar a desoneração das folhas de pagamento”, afirma Larissa Quaresma, analista da Empiricus.
Para ela, as falas de Lula reforçaram a estratégia de fazer o ajuste por meio das receitas, diminuindo a esperança de redução de gastos.
“Com isso, o mercado volta a embutir mais prêmio na curva de juros futuros, incorporando inflação maior e mais risco institucional com o potencial de novas frentes de aumento de carga tributária. A incerteza segue alta e o mercado vai precificando isso”, disse.
Ibovespa e dólar: o respiro vem?
O vento contrário no mercado brasileiro pode perder força — e o Ibovespa reduzir as perdas ao longo da sessão —, a depender do cenário externo.
Além da inflação dos Estados Unidos melhor que a esperada para maio, o Federal Reserve (Fed) decide sobre a taxa de juros do país.
O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês; equivalente ao Copom do BC brasileiro) deve manter os juros inalterados na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano.
A expectativa é de alguma sinalização de um ou dois cortes até o fim do ano na entrevista coletiva dada pelo presidente do Fed, Jerome Powell, após a decisão.
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