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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Bradesco BBI ainda vê espaço para até 10 IPOs na B3 em 2024, mas a grande operação do ano na bolsa será de uma velha conhecida

Após jejum de quase três anos, B3 pode ter uma abertura de capital ainda no primeiro semestre, mas tudo vai depender do futuro dos juros nos EUA, segundo Felipe Thut, diretor do Bradesco BBI

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
2 de abril de 2024
6:31 - atualizado às 12:54
Felipe Thut, diretor do Bradesco BBI
Felipe Thut, diretor do Bradesco BBI - Imagem: Egberto Nogueira/Bradesco

Felipe Thut encara um jejum que está perto de completar três anos na bolsa brasileira. Ainda era 2021 quando o diretor do Bradesco BBI levou uma empresa a abrir o capital em uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na B3 pela última vez.

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A expectativa de o regime forçado terminar no primeiro trimestre deste ano acabou não se confirmando depois que a Oceânica adiou os planos.

Mas o diretor do Bradesco BBI — que entre outras atividades é responsável por coordenar ofertas de ações na bolsa — não jogou a toalha. Pelo contrário, ele ainda espera que aconteçam entre cinco e dez IPOs na B3 em 2024.

A maior parte dessas operações deve vir só no segundo semestre. “Mas ainda acho que a gente tem a possibilidade de ver um IPO na janela de junho”, disse Thut, em entrevista ao Seu Dinheiro.

Tudo vai depender do que acontecer um mês antes, quando saem as próximas decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.

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Seca de IPOs? A culpa é do Fed

Aliás, na visão do diretor do Bradesco BBI, boa parte da conta pela seca de IPOs na B3 pode ir para o Federal Reserve, o Banco Central norte-americano.

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Isso porque, até o início do ano, os investidores esperavam que o BC norte-americano começasse a cortar as taxas em março.

Mas depois que os dados econômicos mostraram uma economia ainda aquecida nos EUA, as projeções para o início do ciclo de redução passaram para junho. “Os IPOs foram postergados à medida que a expectativa de corte de juros também foi”, diz.

Enquanto a bolsa sofreu com a saída de capital estrangeiro da B3 em busca do rendimento dos títulos norte-americanos, o mercado local continuou a ver a saída dos investidores dos fundos de ações para os de renda fixa.

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Esse cenário também frustrou a expectativa de retomada dos IPOs. “Um gestor de fundos que queira investir na ação de uma empresa nova hoje precisaria se desfazer de outra posição”, afirma o diretor do Bradesco BBI.

Perfil dos IPOs

Desse modo, as poucas empresas que devem abrir o capital neste ano contarão com um perfil bem distinto daquelas que vieram na safra de IPOs de 2021.

“O mercado costuma reabrir com operações de maior volume, na casa de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões, e de empresas com menor incerteza sob a perspectiva financeira.”

Empresas que já iniciaram a abertura de capital, mas desistiram do IPO pela piora das condições de mercado são as favoritas a abrir a fila, segundo Thut.

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Ele não cita nomes, mas entre as companhias que reúnem essas características e costumam aparecer na lista das candidatas a estrear na bolsa estão a Votorantim Cimentos e a Aegea.

Além da falta de fluxo de recursos para a renda variável, outro fator que trava os IPOs no momento é o nível de preço. “Quem está em uma situação financeira confortável prefere esperar para abrir o capital”, afirma.

A grande operação de 2024

Se o sinal segue fechado para os IPOs, o mesmo não se pode dizer para as empresas que já possuem ações listadas na B3. Foram R$ 30 bilhões em captações na bolsa com os chamados follow ons em 2023 e R$ 3,1 bilhões em janeiro e fevereiro.

“O mercado segue aberto, e houve uma série de transações importantes nos últimos meses”, afirma o diretor do Bradesco BBI, que atuou em ofertas de ações de empresas como Energisa e Pão de Açúcar.

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Para Thut, a maior operação do ano na B3 inclusive deve ser a de uma empresa bastante conhecida dos investidores: a privatização da Sabesp (SBSP3).

O governo de São Paulo vai definir nos próximos dias os detalhes de como se dará a oferta de ações. Mas a expectativa do mercado é que a operação movimente entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões.

A privatização deve envolver a venda de parte das ações que pertencem ao Estado. Além da entrada de dinheiro novo para o caixa da empresa de saneamento. 

Ao contrário das privatizações da Eletrobras e da Copel, a oferta de ações da Sabesp vai envolver ainda a entrada de um investidor de referência no capital. Ou seja, trata-se de uma operação que vai dar bastante trabalho para os bancos.

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Fusões entre empresas listadas

Enquanto o mercado de IPOs não reabre, outra tendência pode ganhar força no mercado enquanto a bolsa segue à espera de dias melhores: as fusões entre empresas que já possuem ações na B3.

Uma típica operação do tipo foi a combinação dos negócios das redes de varejo de moda Soma (SOMA3) e Arezzo (ARZZ3).

“Como os patamares atuais de preço não favorecem uma venda, as empresas podem procurar se unir para buscar ganhos de sinergia”, afirma o diretor do Bradesco BBI, que promove hoje a amanhã sua tradicional conferência anual com investidores.

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