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Historicamente identificada com a bancada ruralista e o agronegócio, Simone Tebet passou por uma reinvenção política antes de tornar-se ministra de Lula

Até dois anos atrás, quando reconhecida fora dos círculos políticos, Simone era ‘a filha do Ramez Tebet’, mais conhecido pelos tempos em que foi presidente do Senado e ministro de Integração Nacional sob Fernando Henrique Cardoso.
Na manhã desta quinta-feira (5), pouco mais de três meses depois de um inesperado terceiro lugar nas eleições presidenciais, Simone Tebet foi empossada ministra do Planejamento.
Instalada a CPI da Covid, no início de 2021, a atuação destacada da então senadora deu início a uma ascensão meteórica.
Os questionamentos contundentes à atuação do governo Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia distanciaram Simone Tebet (MDB) de seu eleitorado convencional, mais conservador.
Em contrapartida, a repercussão de sua atuação durante a CPI alçou Simone à inicialmente improvável condição de vencedora da briga de foice no escuro com para encabeçar a candidatura da chamada “terceira via” nas eleições presidenciais de 2022.
Nessa disputa, prevaleceu sobre o ex-governador paulista João Doria e o ex-juiz Sergio Moro. Nas urnas, embora não tenha conseguido se interpor por entre Bolsonaro e o agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixou Ciro Gomes (PDT) no vácuo e terminou o primeiro turno em terceiro lugar.
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No segundo turno, embarcou de corpo e alma na campanha de Lula. Para seus aliados, apesar de ter recebido apenas 4,16% da votação no primeiro turno, Simone Tebet foi peça-chave para o retorno do petista ao Palácio do Planalto.
Olhando em retrospectiva, talvez Simone Tebet seja uma aliada improvável para Lula.
Formada em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Simone Tebet foi professora universitária durante alguns anos antes de começar a trilhar carreira na política.
Foi prefeita de Três Lagoas e vice-governadora do Mato Grosso do Sul antes de chegar ao Senado pelo Estado onde nasceu.
Desde o início de sua trajetória política, Simone Tebet era identificada com os ruralistas e com o agronegócio. Não que tenha deixado o passado para trás.
Em 2018, relatório do Conselho Indigenista Missionário identifica Simone Tebet entre os 50 parlamentares que mais atuaram contra os direitos dos povos originários no Congresso Nacional.
A partir de sua atuação na CPI da Covid, porém, Simone Tebet ganha projeção nacional pelas críticas à forma como Bolsonaro e seus subordinados lidaram com a pandemia.
Contundente nos questionamentos e firme no tom de fala, a participação na CPI afastou Simone de seu eleitorado tradicionalmente conservador, mas a colocou no baralho das forças políticas que desejavam emplacar uma candidatura capaz de se interpor entre Lula e Bolsonaro nas eleições.
Durante o processo eleitoral, figurou com destaque em mais de um debate.
Para alguns, a definição do primeiro escalão do governo Lula foi uma novela. Para outros, uma série cheia de reviravoltas e spin-offs.
O fato é que a busca por um lugar para Simone Tebet no governo teve muitas idas e vindas.
Aliados alegavam que o apoio de Simone teria sido decisivo para a vitória de Lula, apesar da baixa votação. Outros diziam que a atuação dela na campanha foi importante, mas não era para tanto.
Segundo jornalistas especializados nos meandros de Brasília, Simone pleiteava o Ministério da Educação ou alguma pasta da área social cara ao PT. Lula teria chegado a oferecer a ela o Ministério da Agricultura.
O desfecho ficou para os últimos dias de 2022, quando Simone Tebet foi finalmente confirmada no Ministério do Planejamento.
Com posição de destaque na área econômica, a expectativa é de que a agora ministra traga para o novo governo o toque de “frente ampla” pelo qual Lula pavimentou seu retorno ao Palácio do Planalto.
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