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Condenado pelo TSE, Bolsonaro reconhece inelegibilidade e diz que País ‘caminha para ditadura’; Lula silencia sobre o caso

Bolsonaro afirmou que foi condenado "pelo conjunto da obra" e que o TSE trabalhou contra ele inclusive durante o processo eleitoral

O ex-presidente, Jair Bolsonaro
O ex-presidente, Jair Bolsonaro - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Depois de resistir por semanas a fio a reconhecer sua derrota nas eleições, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro assumiu rapidamente sua inelegibilidade, declarada nesta sexta-feira (30), pelo Superior Tribunal Eleitoral (STE). "Estou inelegível a partir de agora", reconheceu Bolsonaro aos gritos, inconformado com o resultado.

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Ele falou à imprensa em Belo Horizonte e afirmou que o Brasil está em "caminho bastante avançado" para se tornar uma ditadura, ainda que a decisão judicial tenha sido tomada de forma colegiada. "Isso não é democracia", disparou, após a condenação.

Rapidamente, o termo "Bolsonaro Inelegível" passou a ocupar o primeiro lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter, com mais de 253 mil menções. Expressões como "Grande Dia", "Tchau, querido" e os nomes do ex-mandatário e da ministra Carmen Lúcia integram o topo da lista.

Bolsonaro afirmou que foi condenado "pelo conjunto da obra" e que o TSE trabalhou contra ele inclusive durante o processo eleitoral. "Acredito que hoje tenha sido a primeira condenação por abuso de poder político", declarou o ex-presidente. "Foi uma condenação sem crime de corrupção, mas tudo bem", seguiu.

"Acrescentar camadas de segurança é crime na questão eleitoral? É abuso de poder político defender algo que sempre defendi como parlamentar?", reclamou Bolsonaro.

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Para Bolsonaro, o Brasil não reconheceu seu "esforço" em "jogar dentro das quatro linhas da Constituição". "Não gostaria de me tornar inelegível. Hoje tomei uma facada nas costas com inelegibilidade por abuso de poder político."

O ex-presidente afirmou que quem contribuiu com sua inelegibilidade deveria, "por coerência", confraternizar com os ditadores Nicolás Maduro, da Venezuela, e Daniel Ortega, da Nicarágua, aliados de Lula.

"Me tiraram de combate com o Ortega convidado para o Foro de São Paulo", reclamou Bolsonaro, sobre o evento que acontece nesta semana em Brasília.

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, preferiu silenciar sobre a condenação de inelegibilidade do ex-presidente. Em evento de entrega de unidades habitacionais em Viamão (RS) no momento em que foi formada a maioria no TSE pela inelegibilidade, Lula focou seu discurso em pautas sociais.

A distância de Lula da "notícia do dia" se deu apesar da pressão da militância, que gritava "inelegível, inelegível" para comemorar o revés de Jair Bolsonaro na Justiça Eleitoral.

Lula ainda defendeu que é preciso construir mais do que as 2 milhões de casas prometidas para o programa Minha Casa, Minha Vida, e disse ser preciso distribuir o crescimento do PIB entre todas as pessoas.

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"Desde que assumi, falavam que eu iria dar um golpe. Quem fala em golpe no 8 de janeiro não sabe o que é golpe, é analfabeto político. Ninguém dá golpe com senhorinhas com bandeira do Brasil", minimizou o ex-presidente sobre os graves atos golpistas do início do ano.

Por fim, o ex-presidente reclamou de um suposto processo parado na Justiça sobre a segurança das eleições de 2018, mesmo que o processo eleitoral tenha o carimbo de lisura de instituições nacionais e internacionais.

Para Bolsonaro, ainda não há um substituto para Lula nas eleições de 2026, nas quais o presidente pode disputar a reeleição.

"O TSE poderia estender o mandato de Lula por aclamação", afirmou o ex-presidente, em uma declaração sem lastro na legalidade.

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