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As maiores cidades da China, como Xangai e Shenzhen, revogaram algumas restrições antigas à compra de propriedades
O profundo mal-estar no crítico setor habitacional da China levou finalmente Pequim a tomar algumas medidas mais enérgicas. O mercado imobiliário poderá receber um impulso significativo no final de 2023 — mas deve permanecer em um estado de declínio estrutural no longo prazo.
Nas últimas semanas, a China revelou uma série de medidas para apoiar o enfraquecido mercado imobiliário. O governo ainda não está implementando um estímulo de grande escala ao estilo de 2009 ou 2015, mas o alcance e a amplitude das iniciativas têm sido notáveis.
Especialmente se levarmos em conta o contraste com a resposta política fraca durante o verão local, quando a economia ficou quase parada.
As maiores cidades da China, como Xangai e Shenzhen, revogaram algumas restrições antigas à compra de propriedades.
Os compradores que já tinham uma hipoteca podem agora se candidatar para benefícios semelhantes aos de pessoas que estão comprando seu primeiro imóvel — sinal de entrada e taxas de juro mais baixas — desde que não possuam atualmente um apartamento.
Em outras palavras, isso tornará mais fácil para os proprietários que avaliam a possibilidade de uma melhoria habitacional voltarem ao mercado sem um enorme desembolso de dinheiro, um vetor muito importante, dada a aversão ao risco das famílias.
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Outros reguladores, incluindo o Banco do Povo da China (PBoC), o Banco Central do país, também reduzirão os valores mínimos de entrada para aqueles que comprarem casas pela primeira e segunda vez e estimularão os bancos a reduzir as taxas de juro das hipotecas existentes.
A holding financeira Nomura estima que os mutuários de hipotecas existentes poderiam poupar cerca de 200 a 300 bilhões de yuans, o equivalente a US$ 27 bilhões a US$ 41 bilhões por ano.
Os sinais mais benéficos para os compradores de segunda casa são especialmente importantes, dada a forma como as lideranças enfatizavam o mantra "as casas são para viver, não para especular" nos últimos anos.
O que aflige o mercado imobiliário da China inclui fatores fundamentais como a fraca demografia e o excesso de construção nas cidades de menor interesse. O setor também se ressentiu da campanha excessivamente bem sucedida de Pequim para expulsar especuladores.
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Quaisquer sinais concretos, e não retóricos, de que Pequim abranda, mesmo que um pouco, a sua posição de combate à especulação são, portanto, notáveis. "O sinal é claro: as autoridades estão agora dispostas a tolerar uma maior especulação no mercado imobiliário, a fim de estabilizar as vendas", escreveu Rosealea Yao, analista da empresa de consultoria Gavekal, numa nota recente.
Estas novas medidas atrairão alguns compradores, especialmente aqueles de cidades maiores que estão abertos a se mudarem para uma casa maior. Também é provável que essas cidades relaxem ainda mais algumas restrições remanescentes à compra de casas nos próximos meses.
No entanto, o impacto nas cidades pequenas e médias — que representam a maior parte do mercado físico real — poderá ser mais fraco. Por um lado, muitas destas cidades não tinham restrições tão rigorosas, ou já as relaxaram no início deste ano.
Também é pior a situação de excesso de oferta habitacional. É, portanto, incerto se a melhora das vendas de casas nas grandes cidades deverá melhorar o sentimento também para cidades menos interessantes.
O mercado imobiliário da China começará provavelmente a estabilizar nos próximos meses, mas perto de um nível muito abaixo do seu pico no final de 2020 e início de 2021. O Morgan Stanley estima que a procura anual por novas habitações cairá para 9 milhões de unidades nesta década, cerca de 35% abaixo do nível de 2021.
As novas medidas de Pequim proporcionarão um alívio aos insatisfeitos proprietários de casas e construtores da China. Mas os bons velhos tempos já se foram e há poucos sinais de que Pequim os queira de volta, mesmo que isso signifique um crescimento econômico muito menor nos próximos anos.
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