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De acordo com o Observatorio de Encuestas, que compila diversas pesquisas de intenção de voto, a diferença entre as médias dos dois candidatos é de menos de 1%

Cada país tem um estilo musical que representa sua nação, e as eleições na Argentina não poderiam ter o tango como melhor representante. Isso porque a disputa entre o governista Sergio Massa e o ultraliberal Javier Milei será decidida por una cabeza, como diria o tango de Carlos Gardel.
O segundo turno acontece no próximo dia 19 de novembro — ou seja, no próximo domingo. No primeiro confronto, Massa, ministro da Economia e herdeiro político do atual presidente Alberto Fernández, teve um desempenho surpreendentemente positivo.
Já o candidato de extrema-direita viu sua campanha desidratar antes do primeiro turno, apesar de ter ganhado certo fôlego nas pesquisas seguintes com a declaração de apoio da terceira colocada no pleito, Patricia Bullrich, à sua candidatura.
A pergunta que fica é: ainda com sete dias pela frente, como estão as pesquisas e os candidatos?
De acordo com o Observatorio de Encuestas, que compila diversas pesquisas de intenção de voto, a diferença entre as médias dos dois candidatos é de menos de 1% — sendo mais preciso, a distância dos dois é de 0,8%.
Abrindo as pesquisas mais recentes, que datam da última quinta-feira (9), o cenário não clareia muito. A diferença entre ambos não chega na margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
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A Universidade de San Andrés — que realizou uma das poucas pesquisas em que ambos empatam no limite da margem de erro, com 37% para Milei e 31% para Massa — tenta dar uma explicação para esse cenário.
Na visão dos especialistas, a alta porcentagem de eleitores indecisos cria um cenário de incertezas pela frente. E isso explica porque o debate deste domingo (12) é tão importante.
A Câmara Nacional Eleitoral (CNE), equivalente ao TSE na Argentina, transmitirá o debate entre Javier Milei e Sergio Massa a partir das 21h na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires.
Os temas centrais do debate não poderiam ser outros: crise econômica, aumento da violência urbana e proteção ao trabalho devem ser pautados durante o embate.
Com o alto número de indecisos e uma provável ausência dos eleitores, o debate ganha um destaque especial na agenda política.
Confira a seguir um pouco sobre cada candidato:
A linha política de esquerda perdeu espaço com a saída de Alberto Fernández, porém seu potencial sucessor — mais moderado — é um dos nomes fortes dessa ala.
Advogado de formação, Massa assumiu o cargo de ministro da Economia em julho de 2022, já com a crise instaurada no país. Um dos objetivos de Fernandéz era trazer mais credibilidade à sua administração, indicando Massa ao posto.
Algumas vitórias relevantes de Massa à frente do ministério — como as constantes negociações com o FMI e a intensificação do uso do yuan, a moeda chinesa, no comércio internacional e o estabelecimento do Plano Platita no primeiro turno — lhe garantiram algum fôlego na corrida presidencial.
Porém, a imagem do governo contamina voos mais altos.
No campo político, ele tem trânsito tanto com a direita como com a esquerda. Naturalmente, em uma eleição polarizada, vozes moderadas tendem a perder espaço.
E Massa está apostando suas fichas em uma espécie de barganha eleitoral. Após estabelecer uma série de benefícios de caráter assistencialista, ele constantemente tenta atrelar a imagem de seu opositor ao fim dessas benesses do Estado.
O “outsider dos outsiders”. O economista Javier Milei é fruto da onda de políticos de extrema-direita que avançou pela América Latina na tentativa de emular o ex-presidente norte-americano Donald Trump.
Milei também é chamado de “Bolsonaro argentino” por seus posicionamentos contra o que ele chama de “casta política e seus privilégios”.
Seu discurso inflamado contra a classe política, tanto de direita como de esquerda, bem como seu posicionamento como outsider garantiram a ele ascensão meteórica nas pesquisas presidenciais. Mas vale ressaltar que Milei foi eleito como deputado em 2021.
Em meio a uma Argentina em crise, falas como liberação do porte de armas, dolarização da economia e privatizações ganharam espaço.
Sua constante crítica aos movimentos sociais, ao feminismo e as posições duras contra o peronismo — que, vale lembrar, é presente tanto na política atual quanto no imaginário popular — pesam contra sua candidatura.
A própria frente de caráter liberal e libertária de Milei está dividida quanto a sua candidatura. O deputado também é queridinho dos investidores em criptomoedas, especialmente por suas declarações a favor do bitcoin (BTC).
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