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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

A VIDA DEPOIS DO FOLLOW-ON

Os recados da Copel (CPLE6) no primeiro encontro com investidores após a privatização

Em reunião da Apimec, o superintendente de Relações com Investidores da Copel detalhou a estratégia de alocação de capital da ex-estatal paranaense

Camille Lima
Camille Lima
11 de outubro de 2023
17:51 - atualizado às 17:52
copel cple6 privatização empresa elétrica ações
Imagem: Getty Images/Montagem: Julia Shikota

Quase dois meses após a oferta de ações que marcou a privatização, a Copel (CPLE6) revelou nesta quarta-feira (11) o plano de investimentos e geração de valor da companhia após a saída do governo paranaense do controle.

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Em reunião da Apimec, o primeiro encontro da companhia com investidores desde o follow-on, o superintendente de relações com investidores (DRI) da Copel, Luiz Henrique De Mello, detalhou a estratégia de alocação de capital.

Em uma frase, ele definiu a diferença do que deve ser a atuação da empresa de energia mas mãos da iniciativa privada: “É fundamental que os retornos dos investimentos agreguem valor para a companhia e para os investidores”, afirmou Mello, durante o evento.

A Copel pretende manter um portfólio diversificado no setor, com investimentos em todas as divisões do negócio: geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia.

Copel (CPLE6): foco em distribuição de energia

Porém, na visão do diretor de relação com investidores da Copel (CPLE6), o caminho para o crescimento da rentabilidade da companhia para os próximos anos é baseado em uma estratégia de alocação de capital voltada para o segmento de distribuição de energia.

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Isso porque o setor de distribuição de energia é uma das principais oportunidades de crescimento para a companhia — e é um investimento já realizado no curto prazo e que deve continuar robusto por um período maior, de acordo com Mello.

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A princípio, a Copel pretende avaliar eventuais oportunidades em novas áreas de construção para além do estado do Paraná.

“Depois de distribuição, o foco será em transmissão, geração renovada, comercialização e serviços, que têm uma importância estratégica muito grande, mas demandam de uma menor intensidade de capital”, afirmou.

Segundo Mello, a ideia é “usar um plano estratégico pautado na governança, com uma política de investimentos buscando diversificação entre os riscos, aumentando nossa base de remuneração na distribuidora e M&As [fusões e aquisições, em português] com boas taxas de retorno”. 

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Redução de custos

Vale ressaltar que a estratégia financeira da Copel (CPLE6) após a privatização inclui uma forte redução de custos e busca por maior eficiência no negócio. 

Segundo a companhia, o principal pilar da reestruturação é baseado nas “pessoas” — isto é, nos funcionários da empresa. 

A Copel já deu início ao plano de redução de custos operacionais, com o anúncio de um programa de demissão voluntária (PDV) de R$ 300 milhões

Com o PDV, haverá a saída de funcionários de áreas que não devem exigir reposição e de divisões que poderão se valer de serviços terceirizados, segundo Mello.

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“A gente também está atacando fortemente a linha de serviço. Hoje, quase todos os contratos que foram feitos via licitação estão sendo analisados, em busca de um ganho de eficiência”, afirmou. 

A Copel (CPLE6) e o “risco Eletrobras”

Ainda dentro da estratégia ESG, a Copel mantém os planos de migração para o Novo Mercado, o nível mais alto de governança corporativa da bolsa de valores brasileira.

“É uma intenção da companhia ir para o Novo Mercado, mas não sabemos quando. Não tem como dar um prazo, mas isso estará no escopo da companhia para a estratégia futura.”

Vale lembrar que, nos “finalmentes” da privatização, o BNDES gerou ruídos no processo de venda da elétrica. Acionista minoritário da Copel, o banco público fez com que a migração da companhia para o Novo Mercado fosse retirada da pauta da privatização.

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Sem citar o nome da Eletrobras, o executivo da Copel mencionou o caso da ex-estatal federal, ao destacar a discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do direito de voto da União. Isso porque o governo questiona a decisão da companhia de limitar o poder de voto dos acionistas a 10% do capital.

“Existe uma discussão que envolve uma outra companhia do setor que também fez o processo de transformação em corporação pouco antes de nós, e a gente acredita que, a depender de como se desenrolar essa discussão que está hoje no STF, ela permita que a gente avance para o Novo Mercado", comentou Mello, ao ser questionado pela reportagem do Seu Dinheiro sobre o assunto.

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