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Flavia Alemi

Flavia Alemi

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA. Trabalhou na Agência Estado/Broadcast e na S&P Global Platts.

Calma lá

Nubank superestimou rentabilidade da operação brasileira, diz Santander

Nos cálculos do Santander, o ROE da operação brasileira do Nubank no 4T22 seria de 11%, e não 40%, como informado

Flavia Alemi
Flavia Alemi
19 de abril de 2023
16:24 - atualizado às 21:56
Cartão e app do Nubank
Imagem: Divulgação

Quando o Nubank (NUBR33) reportou um índice de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 40% da operação brasileira na divulgação de resultados do quarto trimestre de 2022, causou furor entre os analistas que cobrem a empresa.

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Mas, enquanto alguns se empolgaram, outros ficaram com uma pulga atrás da orelha. Um deles foi o Santander, que se debruçou sobre os números e decidiu recalcular os dados utilizando suas próprias premissas para estimar qual seria o resultado normalizado da operação do Nubank.

O resultado foi publicado num relatório assinado pelos analistas Henrique Navarro, Arnos Shirazi e Anahy Rios e conclui que o Nubank inflou o resultado. Nos cálculos do Santander, o ROE normalizado do Nubank seria de apenas 5% no nível da holding e de 11% na operação brasileira.

A explicação do Santander para o cálculo é que não faria sentido o Nubank alocar apenas um terço do seu patrimônio líquido na operação brasileira, que é responsável por mais de 90% das receitas da fintech. 

Considerando que o cálculo do ROE é feito pela divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido, isso deixaria o denominador baixo demais - e o resultado, superestimado.

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“Nós acreditamos que seria justo que a operação brasileira representasse, pelo menos, 80% do capital alocado”, afirma o Santander.

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O Seu Dinheiro tentou contato com a assessoria de imprensa do Nubank, mas ainda não recebeu resposta.

Rentabilidade pode sofrer ainda mais com limite do rotativo

Além disso, o banco fez um exercício considerando a possibilidade de o governo Lula seguir adiante com a limitação dos juros que os bancos podem cobrar no rotativo do cartão de crédito. A modalidade é a linha de crédito mais cara do sistema financeiro do Brasil e, segundo a nota mais recente do Banco Central, ficou em 417,35% ao ano.

O governo criou um grupo de trabalho com o Banco Central para entender os motivos que levam o produto a cobrar juros tão altos. Antes da criação desse grupo, a intenção da Fazenda era limitar o percentual a 8% ao mês, o que daria uma taxa anualizada de 151,82%. A média cobrada pelo Nubank hoje é de 12,5% ao mês, ou 310,99% ao ano

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Analisando o impacto desse possível limite nas operações do Nubank, o Santander estima um efeito de 17% na receita da fintech. Adicionando esse risco na análise, o ROE ajustado do Nubank no Brasil passaria de 40% para só 1%.

Inadimplência subindo rápido

O banco também aponta que a inadimplência no Nubank continua se deteriorando significativamente, mesmo considerando a metodologia alternativa que a fintech utiliza para calcular seus índices desde o segundo trimestre de 2022.

Na nova metodologia, o banco digital passou a antecipar a baixa de empréstimos pessoais inadimplentes há mais de 360 dias para 120 dias, enquanto a baixa dos cartões de crédito permaneceu em +360 dias.

Nos dois produtos, o Nubank aplica uma baixa parcial e somente o que se refere a “recuperação esperada” do empréstimo baixado é mantido no balanço. O efeito disso é redução nos índices de inadimplência acima de 90 dias e aumento da inadimplência de 15-90 dias para empréstimos pessoais.

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No quarto trimestre de 2022, as operações de crédito vencidas há mais de 90 dias passaram para 5,2%. Um ano antes, esse indicador era de 3,5%.

Mesmo com o avanço da inadimplência, as provisões para devedores duvidosos (PDD) do Nubank encerraram em 12%, o que o Santander considera uma métrica agressiva, dado que a carteira de crédito do Nubank consiste em, basicamente, produtos sem garantia (cartões de crédito e empréstimos pessoais).

“Para o quarto trimestre de 2022 ‘normalizado’ aumentaríamos a relação entre PDD e crédito total para 13%, em um passo em direção a uma relação de entre 15-20%”, destacou o Santander.

Nem tudo são más notícias

Mesmo apontando que o Nubank pode ter superestimado sua rentabilidade, o Santander destaca alguns pontos positivos da operação do roxinho.

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O fim do rendimento automático da conta desde o primeiro dia, por exemplo, melhorou o custo de captação do Nubank, além do lançamento das ‘Caixinhas’, anunciado junto com a mudança no rendimento da NuConta. No quarto trimestre de 2022, o custo de captação médio do Nubank foi de 78% do CDI, uma retração em relação aos 95% registrados no período imediatamente anterior. 

“Acreditamos que o Nubank não atingiu toda a eficiência de custo de captação durante o 4T22, pois começou a lançar o produto no meio do trimestre, então o efeito completo ainda não foi visto”, afirmou o Santander.

A recomendação do Santander para a ação do Nubank é de Venda (underweight), com preço-alvo de US$ 3. A ação fechou a sessão de terça-feira (18) cotada em US$ 4,86.

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