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Uma sombra já pairava sobre a Meta antes mesmo da divulgação dos resultados: a empresa perdeu um terço de seu valor de mercado no ano passado e anunciou a demissão de 11 mil funcionários; saiba o que provocou esse desempenho
Há uma semana, o chefe de tecnologia da Meta, Andrew “Boz” Bosworth, escreveu em seu blog que a dona do Facebook experimentou nos últimos anos a expansão de produtos, colocando esforços em muitos projetos diferentes. Em contraste, ele conta que, nos primeiros dias da empresa, Mark Zuckerberg dava muitos “nãos” a pedidos de investimento em áreas diversas.
A descrição de Bosworth oferece um exemplo de como a empresa pode sair do rumo, ainda que ele tenha afirmado que a Meta tem uma “oferta de recursos forte”.
Já faz algum tempo que o Metaverso vem consumindo recursos da empresa e levantado questões sobre se a aposta de Zuckerberg nessa área irá render frutos. Para piorar, as chamadas big techs ainda enfrentam uma onda de baixas nesse momento, com a desaceleração da economia dos EUA e tudo o que vem junto com esse pacote — inflação, juros altos e fuga de anunciantes.
Na última quarta-feira (01), a Meta reportou lucro líquido de US$ 4,652 bilhões no quarto trimestre de 2022, o que representa uma queda de 55% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita da empresa somou US$ 32,165 bilhões, resultado 4% menor na comparação anual.
No ano, o lucro líquido da dona do Facebook caiu 41%, para US$ 23,2 bilhões, enquanto a receita totalizou US$ 116,6 bilhões, uma baixa de 1% ante 2021.
Uma sombra pairava sobre a Meta antes da divulgação dos resultados. Também, não é para menos: no ano passado a empresa perdeu um terço de seu valor de mercado.
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Além disso, em novembro, a dona do Facebook anunciou a demissão de 11 mil funcionários como parte de planos de corte de custos diante das dificuldades encontradas no mercado de publicidade on-line.
Assim que os resultados saíram, essa sombra desapareceu e o céu se abriu para a Meta. Ontem, as ações da dona do Facebook dispararam no after market em Nova York. Os papéis META chegaram a subir mais de 18% por lá.
Já nesta quinta-feira (02), antes da abertura dos negócios em Wall Street, as ações subiam 19,22% por volta das 10h10, negociadas a US$ 182,56.
Quase isso. Na verdade, um conjunto de fatores impulsionaram as ações da Meta em Nova York. O primeiro deles é que a dona do Facebook, embora tenha visto lucro e receita caírem, conseguiu superar as previsões do analistas — que esperavam um desempenho ainda mais nebuloso da empresa.
Confira abaixo o resultado da Meta versus as projeções da Bloomberg para o quarto trimestre:
Esses números encerram um ano difícil para a Meta, que também é dona do Instagram e do WhatsApp. Em 2022, as ações da empresa caíram cerca de 63% em um momento no qual a gigante da mídia social lutava contra a crescente concorrência do TikTok, aceleração da inflação e um mercado de publicidade digital praticamente estagnado.
Outro fator que pesou em favor da empresa na quarta-feira (01) foi o anúncio do aumento de US$ 40 bilhões em seu plano de recompra de ações. A Meta recomprou US$ 27,9 bilhões em ações no ano passado.
Além disso, a dona do Facebook informou que espera uma receita no primeiro trimestre de 2023 entre US$ 26 bilhões e US$ 28,5 bilhões.
Na visão de Richard Camargo, analista da Empiricus, o principal ponto do balanço que explica a disparada das ações no mercado norte-americano não foram os números trimestrais, mas sim "a mudança radical no tom de Mark Zuckerberg em relação aos últimos trimestres".
"O Zuck gastão, disposto a queimar todo o caixa da companhia para construir seu metaverso o mais rápido possível, deu lugar a um Zuck comedido, preocupado com a ineficiência operacional da companhia, com o ritmo da economia e disposto a desacelerar seus planos para preservar a saúde financeira do Meta."
"Desde o seu ponto mais baixo, alcançado em novembro do ano passado, as ações do Meta sobem mais de 80% e seguem como uma das principais posições do MoneyBets Metaverso, nosso portfólio na Empiricus focado em apostas altamente especulativas", concluiu o analista.
De acordo com a empresa, a gestão de Reynaldo Passanezi Filho, que deixa o cargo, foi marcada por um ciclo de crescimento da companhia, avanços em eficiência operacional e investimentos em níveis recordes
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