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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REFORÇANDO O CAIXA

BrasilAgro (AGRO3) vende duas últimas áreas de fazenda em Goiás e vai embolsar R$ 417 milhões; entenda o negócio

Empresa vendeu as duas áreas restantes que detinha da Fazenda Araucária, um terreno rural localizado na cidade de Mineiros

Camille Lima
Camille Lima
13 de abril de 2023
11:35 - atualizado às 11:09

A BrasilAgro (AGRO3) vai deixar de vez a área da Fazenda Araucária, um terreno rural localizado na cidade de Mineiros, em Goiás. A companhia vendeu os dois terrenos restantes que detinha na propriedade pelo total de R$ 417,8 milhões, equivalente a 3.063.875 sacas de soja.

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A operação foi dividida em dois contratos, uma vez que os terrenos possuíam características diferentes de topografia e solo, o que afetava a rentabilidade do negócio. 

O negócio principal incluiu a venda de 5.185 hectares de Área Mista, considerando Baixada e Chapada, sendo 3.796 hectares úteis. 

A transação foi anunciada por R$ 409,3 milhões, correspondente a R$ 107,8 mil por hectare útil ou a 790 sacas de soja por hectare útil.

Desse total, o comprador já realizou pagamento inicial de R$ 78,7 milhões. O valor restante deve engordar o caixa da BrasilAgro em aproximadamente dois anos.

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Do ponto de vista contábil, o valor da área da fazenda é de R$ 59 milhões, analisando a aquisição e os investimentos líquidos de depreciação. Já a TIR (Taxa Interna de Retorno)  esperada, em reais, nessa transação é de 14,5% ao ano, ainda de acordo com a BrasilAgro. 

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Detalhes do negócio

Enquanto isso, a segunda parte da propriedade rural conta com uma área de 332 hectares de Área de Baixada, dos quais 215 hectares são úteis. 

O negócio foi fechado por R$ 8,5 milhões, equivalente a R$ 39,5 mil por hectare útil ou 297 sacas de soja por hectare útil. 

De acordo com a BrasilAgro, do ponto de vista contábil, esta área da Fazenda é avaliada em R$ 1,9 milhão, considerando a aquisição e os investimentos líquidos de depreciação. 

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Enquanto isso, a TIR (Taxa Interna de Retorno) esperada, em reais, nessa transação é de 13,6% ao ano. 

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A propriedade vendida pela BrasilAgro (AGRO3)

A Fazenda Araucária foi comprada pela BrasilAgro (AGRO3) em abril de 2007 por R$ 76 milhões e possuía uma área total de 9.665 hectares, dos quais 7.012 hectares eram considerados úteis. 

O terreno possui características distintas de topografia e solo, com áreas de baixada e chapada, utilizadas para os cultivos de grãos (safra e safrinha) e cana-de-açúcar. 

Na época da aquisição, a propriedade já estava praticamente toda em operação, o que fez com que a BrasilAgro não precisasse investir tanto na transformação das áreas.

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De 2013 para cá, a companhia fechou sete contratos diferentes para a venda das áreas da propriedade rural. O valor total de venda da propriedade foi de R$ 602 milhões, com uma TIR consolidada esperada para a fazenda de 16,2% ao ano, em reais, de acordo com a empresa.

“Estas vendas são mais um grande marco para a companhia, pois encerram o ciclo desta propriedade dentro do nosso portfólio, e confirmam a nossa capacidade de geração e captura de valor no desenvolvimento de propriedades agrícolas, otimizando os retornos operacionais e imobiliários”, afirma a empresa. 

Na B3, as ações da BrasilAgro reagem de forma tímida ao negócio e operavam perto da estabilidade na manhã desta quinta-feira, cotadas a R$ 24,85. Nos últimos 12 meses, os papéis da empresa de propriedades rurais acumulam uma queda da ordem de 10% na bolsa.

O que dizem os analistas sobre BrasilAgro (AGRO3)

Na visão dos analistas da Genial, a venda dos terrenos da Fazenda Araucária pela BrasilAgro é positiva, especialmente pelo valor de venda, de e R$ 104 mil por hectare útil, ter sido fechado “em um bom patamar”

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Isso porque a casa de análise considera que as commodities agrícolas “estão em tendência de queda e que, consequentemente, vão levar à queda dos valores das terras”. 

Outro aspecto positivo apontado pela Genial é o tempo médio de recebimento dos valores, que “mostra a capacidade de execução da empresa”.

Além disso, segundo os economistas, como a operação deve melhorar a posição de caixa da BrasilAgro, a distribuição de dividendos aos acionistas de AGRO3 também deve ser reforçada.

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