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O grupo francês Casino, controlador do Assaí (ASAI3), pode fazer uma nova oferta secundária de ações e reduzir ainda mais sua participação
Que o grupo francês Casino está em apuros financeiros, todo mundo no mercado está cansado de saber: de tempos em tempos, o gigante europeu movimenta o noticiário deste lado do oceano, manifestando sua intenção de se desfazer — ou, ao menos, diminuir — sua presença na América Latina. E, desta vez, o alvo é o Assaí (ASAI3).
A rede brasileira de atacarejo informou que o Casino — seu controlador, com 30,51% do capital social — planeja vender uma participação de cerca de US$ 600 milhões na companhia brasileira, a depender das condições de mercado. Pelo câmbio de hoje, com o dólar à vista cotado a R$ 5,19, estamos falando de uma cifra em torno de R$ 3,1 bilhões.
Considerando a cotação de fechamento desta terça-feira (7) das ações ASAI3, a R$ 17,75, chegamos a um montante de pouco mais de 175 milhões de papéis do Assaí, o que corresponderia a 13% do capital social da companhia brasileira. Portanto, estamos falando de quase metade da participação atual do Casino.
É importante ressaltar que o Casino ainda não bateu o martelo: segundo o próprio Assaí (ASAI3), os franceses comunicaram o início de "trabalhos preliminares" para a potencial venda de participação, sem que nenhuma decisão final tenha sido tomada por ora.
De qualquer maneira, esses "trabalhos preliminares" estão relativamente adiantados: o controlador já está em contato com BTG Pactual, Bradesco BBI, Itaú BBA e JP Morgan para analisar os termos da eventual transação. Sabe-se que, se levada adiante, a operação seria feita via oferta secundária de ações.
E mais: a cifra a ser vendida pode até ficar acima dos US$ 600 milhões citados pelo Assaí — tudo depende dos estudos dos bancos quanto às condições do mercado.
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Caso o negócio seja concluído, a empresa brasileira já esclareceu que, na próxima assembleia ordinária de acionistas, prevista para abril de 2023, será proposta uma nova composição do conselho de administração, de modo a refletir a participação acionária restante do Casino; o número de assentos dos franceses, assim, diminuirá.
Vale ressaltar que essa não é a primeira vez que o Casino reduz sua participação no Assaí: em novembro do ano passado, os franceses levantaram cerca de R$ 2,7 bilhões numa oferta secundária de ações ASAI3; na ocasião, foram vendidos 140,8 milhões de papéis, ao preço unitário de R$ 19,00.
Antes dessa operação, o Casino era dono de cerca de 40% do capital do Assaí e passou a deter os atuais 30,51%. Considerando o câmbio e o preço de fechamento de ASAI3 nesta terça — e que sejam vendidos os US$ 600 milhões citados pela empresa —, a fatia diminuiria ainda mais, para algo em torno de 17%.
A priori, a notícia pode trazer pressão às ações do Assaí (ASAI3) no pregão de quarta-feira (8): a potencial nova venda do Casino, via oferta secundária, tende a gerar uma 'inundação' de papéis no mercado, aumentando de maneira bastante expressiva a oferta.
Atualmente, o total de ações ASAI3 em livre circulação no mercado é de pouco menos de 70%; caso concluída nos termos citados acima, o free float pularia para um índice de mais de 80%.
No entanto, vale ponderar que o risco de novas vendas por parte do Casino já era conhecido no mercado, e que, portanto, a novidade não é tão surpreendente assim. Tanto é que as ações ASAI3 acumulam alta de 46% em um ano; por outro lado, num horizonte mais curto, de três meses, os papéis caem 11,5%.
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O que explica esse desempenho é a emissão de ações da companhia, para trocar parte de suas dívidas por participação.
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