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Flavia Alemi

Flavia Alemi

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA. Trabalhou na Agência Estado/Broadcast e na S&P Global Platts.

Fundo do poço

Americanas (AMER3) do rombo à recuperação judicial: veja como a empresa perdeu quase 100% do valor na bolsa em 1 semana

Destruição de valor da Americanas (AMER3) se espalhou como fogo no mato seco após a descoberta de rombo no balanço

Flavia Alemi
Flavia Alemi
19 de janeiro de 2023
14:24 - atualizado às 14:30
Americanas em queda

Em exatamente 8 dias, a Americanas (AMER3) foi da descoberta de um rombo contábil de R$ 20 bilhões para um pedido de recuperação judicial, numa trajetória de destruição de valor que se alastrou como fogo no mato seco.

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Além da apreensão que os trabalhadores da companhia devem ter sentido ao longo desses últimos dias, os acionistas que estavam comprados na varejista viram o valor cair a quase zero.

Os papéis, que já vinham em linha descendente desde o pico atingido no primeiro ano da pandemia, oscilavam num patamar entre R$ 8 e R$ 10 nos últimos meses. Após a descoberta do rombo, a ação caiu de um precipício.

Como tudo começou

A revelação do rombo contábil da Americanas (AMER3) aconteceu há pouco mais de uma semana. Começando do início, na quarta-feira da semana passada (11), depois do fechamento do mercado, a Americanas publicou um fato relevante na CVM informando sobre uma "inconsistência contábil" da ordem de R$ 20 bilhões.

O documento informava, ainda, que os recém-empossados CEO, Sergio Rial, e o diretor financeiro, André Covre, haviam renunciado aos cargos com apenas 10 dias de casa.

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Na manhã seguinte, em uma teleconferência restrita promovida pelo banco BTG Pactual, Rial detalhou os problemas encontrados nas operações de risco sacado.

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O risco sacado é uma modalidade de crédito feita entre empresas, instituições financeiras e fornecedores e funciona como uma antecipação de recebíveis. O problema é que ela tem um jeito de ser lançada nas demonstrações financeiras que não foi seguido pela Americanas durante anos, gerando uma distorção bilionária da saúde financeira da varejista.

A varejista montou um comitê independente para investigar o buraco. E enquanto ainda se digeria o que estava acontecendo, a ação da Americanas ficou em leilão durante a maior parte do pregão. Quando, finalmente, começou a ser negociada, já de tarde, abriu em queda de 76%.

Ao final daquela quinta-feira (12), a ação havia caído de R$ 12 para R$ 2,72, ou seja, um destruição de 77,3%.

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Não parou por aí

E se a história já estava ruim, conseguiu ficar pior. Os sócios bilionários da Americanas Jorge Paulo LemannMarcel Telles e Carlos Alberto Sicupira se dispuseram a fazer uma injeção de capital de R$ 6 bilhões para mitigar os efeitos da inconsistência contábil. 

A proposta foi apresentada durante negociações que aconteceram na sexta-feira (13) com o ex-presidente da Americanas, Sergio Rial, e alguns dos maiores bancos do Brasil. Mas os bancos julgaram o montante insuficiente e pressionaram os acionistas de referência.

O imbróglio ganhou contornos de disputa judicial ainda naquela sexta-feira, quando a Americanas obteve uma decisão no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que suspendia qualquer vencimento antecipado de dívidas e bloqueio de bens da companhia.

No seu pedido à Justiça, a Americanas disse que alguns credores já a estavam notificando para declarar o vencimento antecipado das obrigações, citando especificamente uma dívida junto ao BTG Pactual no valor de R$ 1,2 bilhão. O documento trouxe, ainda, uma explicação na qual a dívida total da varejista chegada a R$ 40 bilhões.

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Naquele dia, os papéis chegaram a mostrar uma recuperação de 15,81% e subiram para R$ 3,15. Porém, o desenrolar de uma disputa judicial com o BTG Pactual no fim de semana voltou a penalizar as ações.

BTG não deixou barato

O BTG entrou com recurso no plantão da Justiça fluminense contra a tutela cautelar da Americanas.

Numa argumentação recheada de palavras de efeito e acusações de fraude, o banco disse que, tão logo foi divulgado o fato relevante de 11 de janeiro, o vencimento de todas as operações de crédito entre as Americanas e o BTG foi acelerado, com compensação do saldo devedor em aberto com recursos mantidos pela empresa junto à instituição financeira.

Mas o juiz de plantão não considerou que o caso era urgente para ser julgado no domingo. Na segunda, o BTG fez nova tentativa e incluiu um pedido de transferência da arbitragem para São Paulo, mas o recurso foi negado.

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Foi aí que o BTG decidiu entrar com mandado de segurança com pedido de liminar na terça-feira (17). A liminar foi concedida ontem (18) e, depois dela, outros bancos resolveram entrar na Justiça contra a tutela cautelar da Americanas.

Na manhã desta quinta-feira (19), a Americanas comunicou o mercado de que o caixa disponível da companhia chegou a apenas R$ 800 milhões e que o pedido de recuperação judicial era iminente. Algumas horas depois, a varejista protocolou o pedido e as ações despencaram mais de 20%.

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