🔴 TOUROS E URSOS: LULA 3 FAZ 3 ANOS, OS DADOS ECONÔMICOS E A POPULARIDADE DO GOVERNO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Riders on the storm — como ganhar da Bolsa em 2023?

O Ibovespa subiu 4,69% em 2022, por exemplo. Não bateu o CDI, mas foi um desempenho bastante razoável se julgarmos a indisposição geral a risco no ano, quando o portfólio 60/40 teve sua sétima pior performance desde 1900, de acordo com a Goldman Sachs

30 de janeiro de 2023
17:11 - atualizado às 15:07
Alavanche de dinheiro
Imagem: Montagem: Alice Almeida

Estou entre aqueles que gostam de citar a frase atribuída a Leonardo da Vinci: “a simplicidade é a maior das sofisticações.” Simplificar é uma arte. Ou seria ciência?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A adoção de modelos representativos da realidade permeia a sistemática do método científico. O sujeito lista uma série de premissas, monta um modelo que simplifica a realidade e remete as hipóteses desse modelo ao teste empírico. A simplificação é uma necessidade material. Seria inviável testar toda a realidade num laboratório. Buscamos um modelo arquetípico capaz de descrever a realidade adequadamente.

Eis o problema. O que morre nessa simplificação? Jogamos fora o bebê junto com a água do banho ao tentarmos enquadrar a realidade na nossa representação? Não seriam justamente os detalhes, as nuances, as exceções, os cisnes negros as coisas mais importantes da realidade, tipicamente desprezados em representações amostrais genéricas?

A dita ciência econômica (e poderíamos aqui passar um bom tempo debatendo se isso é mesmo ciência) enfrenta dois agravantes do problema mais geral.

O primeiro: não é possível replicar os experimentos socioeconômicos num ambiente de laboratório. Se afirmamos, por exemplo, que a falta de persistência de Arthur Burns em apertar a política monetária nos anos 70 levou à escalada da inflação, estamos, de alguma maneira, dizendo que, se não fosse isso, a inflação teria sido debelada. Será? Como provar? Temos o contrafactual?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As ciências sociais em geral sofrem desse mal. Niall Ferguson costuma citar o problema da “filosofia da história” para descrever o mesmo fenômeno na sua área de atuação.

Leia Também

Pois, então, os economistas, justamente tentando se afastar desse soft Science para parecerem mais rigorosos do que os historiadores ou cientistas sociais, tentaram se posicionar mais próximos às ciências naturais, conferindo maior matematização e formalização a seu ferramental, o que lhes rendeu o merecido apelido de “physics envy” (os invejosos da física).

Daí decorre o segundo ponto: para poder se parecer com as ciências exatas e trabalhar com modelos matematizáveis, a Economia adotou premissas de comportamento humano e social não necessariamente alinhados à realidade. Seria muito mais difícil modelar o comportamento humano sem a hipótese de expectativas racionais, por exemplo. Como antecipar atitudes derivadas da raiva, da vingança, da euforia, do tesão, do vício e por aí vai?

Em muitas situações, simplificamos demais e perdemos justamente o que seria a essência de determinado fenômeno. O diabo está nos detalhes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já falei aqui esse palavrão algumas vezes e peço desculpas por repeti-lo: a realidade é não-ergódica. Não há modelos econométricos suficientemente adequados para descrevê-la.

Simplificar é ótimo. Simplificar demais é péssimo. Penso no exemplo mais besta e trivial: “Bolsa fecha em alta de x%.” Breve pausa: reconheço que o problema aqui é mais de linguagem do que propriamente de metodologia científica. Ele poderia ser facilmente corrigido pelo abandono da metonímia. Bolsa se refere ao Ibovespa; não à média das ações brasileiras.

Mas eis um problema importante de simplificação se não olhado adequadamente.

O Ibovespa subiu 4,69% em 2022, por exemplo. Não bateu o CDI, mas foi um desempenho bastante razoável se julgarmos a indisposição geral a risco no ano, quando o portfólio 60/40 teve sua sétima pior performance desde 1900, de acordo com a Goldman Sachs.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Os 4,69% de alta, no entanto, escondem um desempenho médio sofrível das ações brasileiras na Bolsa, conquistados apenas por conta da performance estelar dos setores de bancos e commodities, com pesos muito grandes no índice. Se você não estava lotado de Petrobras e Vale no ano passado (e quase ninguém estava), foi muito difícil superar o Ibovespa.

O panorama talvez seja diferente para 2023, pois há contingências objetivas ameaçando a performance de algumas das ações com maior peso no Ibovespa.

Os caminhos possíveis da Bolsa

Comecemos pela maior delas: Vale. Gosto da empresa, sem muita dúvida. Eficiência operacional clara, baixa alavancagem, minério de alta concentração, toda essa “agenda Rubens” (vale prestar atenção especial nessa história de cavidades). Pega abertura de China na veia e esse é um grande catalisador.

Mas, nesses níveis, perto da máxima, é difícil ver grande upside. Talvez 5%, 10%… quem sabe (supondo os atuais patamares de câmbio e minério de ferro), mais 10% de dividendo. Além disso, parece improvável. Uma combinação razoável de risco e retorno, mas sem ser capaz de puxar muito o índice.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Petrobras é obviamente muito barato, mas quem vai topar ficar na frente desse trem (des)governado por um governo desenvolvimentista e com declarações contundentes em prol do maior uso das estatais para fazer política? O barato pode ficar caro rapidinho se os lucros forem deteriorados por mudanças na política de preços, novas refinarias ou diretorias muito criativas nas áreas de eólica e solar.

Olhando para os bancos, o cenário já não era propriamente auspicioso diante da alta da inadimplência e das restrições à renda disponível dos correntistas. Então, veio a hecatombe de Americanas. Além do impacto em si dificultando o crescimento de lucros neste ano, possivelmente contrai carteira de crédito e prêmios de risco. Se não cresce e as incertezas macro são de toda sorte, difícil haver um grande re-rating.

WEG, por sua vez, é ótima, mas a recente MP dos preços de transferência pode tirar algo próximo a 10% dos lucros da companhia. Como a referência de valuation aqui costuma ser o Preço sobre Lucro, temos uma espada de Dâmocles sobre ela. Algo parecido vale para Suzano.

Então, temos cerca de metade do índice sob ameaças particulares. Alguns caminhos possíveis em Bolsa são o cíclico doméstico barato, como Iguatemi, Aliansce Sonae, Cosan, Localiza; um ou outro nome de consumo, tipo Arezzo, Soma e Vivara; uma jogada mais defensiva em utilities, com Equatorial, Energisa, Eneva ou Coelce (para pegar o evento societário); além das empresas privadas de petróleo (minha favorita é 3R) e alguma coisa no agro (SLC, Brasil Agro ou 3 Tentos).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se 2022 exigiu um milagre para se bater o Ibovespa, neste ano jogar parado talvez seja suficiente. Para dirigir numa tempestade, é sempre bom olhar pra frente, com a devida cautela. Os ganhadores dos últimos 12 meses podem ser bem diferentes dos que estão por vir.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Notas sobre a Venezuela

5 de janeiro de 2026 - 14:01

Crise na Venezuela e captura de Maduro expõem a fragilidade da ordem mundial pós-1945, com EUA e China disputando influência na América Latina

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação do mês, o impacto do ataque dos EUA à Venezuela no petróleo, e o que mais move os mercados hoje

5 de janeiro de 2026 - 7:58

A construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações e é a ação mais indicada para investir em janeiro; acompanhe também os efeitos do ataque no preço da commodity

TRILHAS DE CARREIRA

O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?

4 de janeiro de 2026 - 8:00

O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias

2 de janeiro de 2026 - 8:28

China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado

RETROSPECTIVA

As ações que se destacaram e as que foram um desastre na bolsa em 2025: veja o que deu certo e o que derrubou o valor dessas empresas

31 de dezembro de 2025 - 8:51

Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empreendedora já impactou 15 milhões de pessoas, mercado aguarda dados de emprego, e Trump ameaça Powell novamente

30 de dezembro de 2025 - 8:43

Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: 10 surpresas para 2026

29 de dezembro de 2025 - 20:34

A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como cada um dos maiores bancos do Brasil se saiu em 2025, e como foram os encontros de Trump com Putin e Zelensky

29 de dezembro de 2025 - 8:13

Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)

DÉCIMO ANDAR

FIIs em 2026: gatilhos, riscos e um setor em destaque

28 de dezembro de 2025 - 8:00

Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia

26 de dezembro de 2025 - 9:01

Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

De Volta para o Futuro 2026: previsões, apostas e prováveis surpresas na economia, na bolsa e no dólar

23 de dezembro de 2025 - 8:33

Como fazer previsões é tão inevitável quanto o próprio futuro, vale a pena saber o que os principais nomes do mercado esperam para 2026

EXILE ON WALL STREET

Tony Volpon: Uma economia global de opostos

22 de dezembro de 2025 - 19:41

De Trump ao dólar em queda, passando pela bolha da IA: veja como o ano de 2025 mexeu com os mercados e o que esperar de 2026

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Esquenta dos mercados: Investidores ajustam posições antes do Natal; saiba o que esperar da semana na bolsa

22 de dezembro de 2025 - 8:44

A movimentação das bolsas na semana do Natal, uma reportagem especial sobre como pagar menos imposto com a previdência privada e mais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O dado que pode fazer a Vale (VALE3) brilhar nos próximos dez anos, eleições no Brasil e o que mais move seu bolso hoje

19 de dezembro de 2025 - 8:31

O mercado não está olhando para a exaustão das minas de minério de ferro — esse dado pode impulsionar o preço da commodity e os ganhos da mineradora

SEXTOU COM O RUY

A Vale brilhou em 2025, mas se o alerta dessas mineradoras estiver certo, VALE3 pode ser um dos destaques da década

19 de dezembro de 2025 - 6:08

Se as projeções da Rio Tinto estiverem corretas, a virada da década pode começar a mostrar uma mudança estrutural no balanço entre oferta e demanda, e os preços do minério já parecem ter começado a precificar isso

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As vantagens da holding familiar para organizar a herança, a inflação nos EUA e o que mais afeta os mercados hoje

18 de dezembro de 2025 - 8:55

Pagar menos impostos e dividir os bens ainda em vida são algumas vantagens de organizar o patrimônio em uma holding. E não é só para os ricaços: veja os custos, as diferenças e se faz sentido para você

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: De Flávio Day a Flávio Daily…

17 de dezembro de 2025 - 20:00

Mesmo com a rejeição elevada, muito maior que a dos pares eventuais, a candidatura de Flávio Bolsonaro tem chance concreta de seguir em frente; nem todas as candidaturas são feitas para ganhar as eleições

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Veja quanto o seu banco paga de imposto, que indicadores vão mexer com a bolsa e o que mais você precisa saber hoje

17 de dezembro de 2025 - 8:38

Assim como as pessoas físicas, os grandes bancos também têm mecanismos para diminuir a mordida do Leão. Confira na matéria

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As lições do Chile para o Brasil, ata do Copom, dados dos EUA e o que mais movimenta a bolsa hoje

16 de dezembro de 2025 - 8:23

Chile, assim como a Argentina, vive mudanças políticas que podem servir de sinal para o que está por vir no Brasil. Mercado aguarda ata do Banco Central e dados de emprego nos EUA

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Chile vira a página — o Brasil vai ler ou rasgar o livro?

16 de dezembro de 2025 - 7:13

Não por acaso, ganha força a leitura de que o Chile de 2025 antecipa, em diversos aspectos, o Brasil de 2026

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar