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Na visão de Cerize, mais empresas se tornam inadimplentes e em breve os bancos sairão machucados
Os juros nos Estados Unidos e como isso afeta as empresas são de longe os assuntos mais importantes para os mercados hoje.
Como bem explicou o Matheus Soares em uma CompoundLetter passada, eles são a grande tartaruga que sustenta os quatro elefantes, que por sua vez carregam o planeta nas costas.
Há muito estamos lendo e ouvindo explicações sobre estas questões macroeconômicas americanas, mas a melhor dedução — ou previsão — de como tudo isso deve terminar eu ouvi na gravação do Market Makers 39, de Pedro Cerize, gestor da Skopos. Para ele, vem aí uma grande filtragem de empresas ruins.
Cerize começa explicações pelo começo. No caso das empresas, suas dívidas.
“Existem três tipos de endividamento”, explica. “Project finance, no qual você pega um empréstimo, cria um fluxo de caixa e paga o principal e os juros; o speculative finance, no qual você paga os juros e rola e o principal; e o ponzi finance, onde o cliente não é capaz de pagar juros sem outro empréstimo, como umas startups”, completa, comparando certas empresas a pirâmides.
Todos que têm dívidas pagam juros, e quando os juros sobem, as dívidas se tornam problemas maiores do que eram antes, ainda mais numa economia onde as companhias que fazem o PIB tem 250% do PIB em dívida. Por isso, segundo Cerize, muitas empresas estão sendo rebaixadas de speculative para ponzi.
“Se o juro sobe de zero para 5% e a dívida total do PIB é 250% do PIB, significa que você saiu de zero de serviço da dívida base (...) para 12,5%. Agora, empresas que eram speculative, viraram ponzi. Então vão precisar de mais dinheiro, e isso não vai rolar. Ninguém vai dar dinheiro para empresas que não conseguem pagar juros”, completa.
O resultado final de tudo isso é que mais empresas se tornam inadimplentes e em breve os bancos sairão machucados. E como o caso SVB mostrou, o governo não pode nem deve resgatar todos os depósitos bancários existentes — ao mesmo tempo que não pode causar uma corrida bancária.
No fim, o ambiente de crédito estará muito mais amargo para as companhias, e várias delas, que só não foram eliminadas pelo capitalismo antes, devido aos juros extremamente baixos dos últimos 15 anos, deverão ser "filtradas".
“Por isso tudo os padrões de crédito vão piorar e empresas do Russell 2000 [espécie de índice de small caps americano] vão quebrar. E não é a queda dos juros que vai resolver a inadimplência que já estiver no balanço dos bancos. Assim teremos uma filtrada boa. Esse é meu grau de otimismo. Por isso, nesse dia, é ouro, um ativo sem passivo”, completa Cerize.
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Como você pôde perceber, a clareza, a visão e até a ironia do Cerize são ímpares — que o digam seus seguidores órfãos no Twitter.
Isso que você leu até aqui é apenas um dos temas dos quais nós tratamos no episódio que vai ao ar hoje e ainda tem o reforço de peso de seu irmão, Marcelo.
Além do cenário americano, eles também falaram sobre o empreendedorismo serial no mercado financeiro (ambos são ou foram sócios de uma gestora, casa de análise e corretora) e perspectivas para o Brasil.
Sai às 18h em ponto, no YouTube e na sua plataforma de podcasts favorita.
Abraços,
Renato Santiago
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