Black Friday dos FIIs: como não pagar a metade do dobro nas ofertas de cotas de fundos imobiliários
As ultimas semanas foram marcadas por um volume de captação agressivo, com fundos correndo para emitir cotas antes da tradicional época de reavaliação patrimonial
A última sexta-feira (24) foi marcada pela Black Friday. Algumas pessoas aguardaram meses para adquirir produtos nesta data. Eu mesmo segui essa estratégia.
Segundo relatório da consultoria Deloitte, os norte-americanos pretendem gastar em média US$ 567 entre a Black Friday e a Cyber Monday, um aumento de 13% na comparação anual.
Contudo, ao verificar os preços, notei que os descontos não eram tão significativos assim. Inclusive, em alguns segmentos, é possível verificar que os produtos ficaram mais caros entre outubro e novembro, fazendo com que o desconto real seja inexistente. É o famoso termo "metade do dobro" sendo praticado no Brasil.
No universo de investimentos não existe Black Friday, mas temos um bom volume de ofertas. Os títulos de renda fixa foram os destaques dos últimos anos.
A partir de meados de 2023, com a tendência de queda dos juros domésticos, ativos de renda variável começaram a ressurgir na distribuição das plataformas.
MAGAZINE LUIZA (MGLU3) E CASAS BAHIA (BHIA3): BLACK FRIDAY SERÁ SALVAÇÃO? I TOUROS E URSOS
Nos FIIs, as ofertas aumentaram desde a metade do ano
De acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), foram captados mais de R$ 20 bilhões neste ano, considerando as emissões de fundos imobiliários e Fiagros-FIIs até setembro. Este montante já é muito próximo do total captado em 2022 (R$ 21,8 bilhões).
Leia Também
Na minha visão, este movimento tem dois motivos preponderantes:
i) Com a taxa Selic em trajetória de queda, os investidores começam a olhar outros tipos de aplicações no mercado de capitais. Os FIIs, que historicamente são veículos capazes de capturar valor em momentos de queda dos juros, se tornam alternativas óbvias, tendo em vista a alta remuneração (dividend yield anual próximo dois dígitos) e a isenção de imposto de renda nos rendimentos. Com este cenário, aliado à melhora operacional dos portfólios de tijolo, o Índice de Fundos Imobiliários (Ifix) sobe 11% no ano e alguns fundos negociam acima das respectivas cotas patrimoniais;
ii) Consolidação da indústria: conforme esperado em uma indústria em crescimento, tenho notado um ritmo acelerado de incorporações de fundos imobiliários nas últimas emissões. Basicamente, estamos tratando de FIIs de grande porte adquirindo portfólios menores, com estruturas menos sofisticadas – fundos com gestão passiva são típicos alvos. Os casos de HGLG11 e PVBI11 são alguns exemplos.
Esse movimento fica visível quando analisamos a participação de fundos de investimento nas captações do ano, de praticamente 34%.
Existem oportunidades para os FIIs, mas…
Diante do momento de mercado (ainda desafiador para renda variável), enxergamos uma proposta de valor interessante nas ofertas, especialmente na metade do ano. A ausência de liquidez no mercado "real" e o nível danoso dos juros promoveram algumas oportunidades de compra no mercado imobiliário.
Estou falando de ativos de qualidade com cap rates (taxa de capitalização) atrativos. Pensando em ciclo, faz bastante sentido adquirir ativos neste momento.
Contudo, as últimas semanas evidenciaram um volume de captação mais agressivo por parte das gestoras, com fundos correndo para emitir novas cotas antes de dezembro (tradicional época de reavaliação patrimonial).
Conforme apontado aqui no Seu Dinheiro, novembro já acumula quase R$ 4 bilhões de emissões registradas, incluindo diversas estratégias (tijolo, papel, hedge funds, entre outros).
Nesta leva, entendo que é preciso tomar um pouco mais de cuidado na hora de analisar. Tenho notado pontos de atenção em algumas emissões, que podem não estar alinhados aos interesses dos investidores. Me lembrou um pouco o termo "metade do dobro", descrito acima.
Nas próximas linhas, descrevo alguns itens que são importantes para avaliação das ofertas, a fim de evitar "armadilhas" do mercado.
- LEIA TAMBÉM: Cinco ideias para os próximos cinco anos do mercado imobiliário — e uma incorporadora da B3 para investir
O que analisar em uma oferta de cotas de FIIs?
Perfil de risco
Em primeiro lugar, é sempre importante avaliar o perfil de risco dos FIIs e, se possível, as características da oferta. Isso envolve a política de investimentos da estratégia, seja no crédito ou no tijolo.
Em geral, a proposta de valor da gestão é sinalizada no prospecto e no material publicitário das ofertas. Checar se a destinação dos recursos está alinhada ao perfil de investimento do fundo é fundamental.
Devido à necessidade de sigilo das operações, muitas vezes os ativos do pipeline não estão disponíveis na oferta, mas algumas características são expostas, tal como tipo de imóvel, qualidade, localização e remuneração.
Estudo de viabilidade
Para ilustrar o retorno esperado do fundo, as gestoras elaboram uma seção de viabilidade, com suas estimativas sobre a estratégia. Primeiro, vale analisar se as premissas utilizadas estão coerentes com a realidade.
Além disso, verificar se a remuneração dos imóveis é sustentável no longo prazo. Uma peculiaridade recente é a compra parcelada de imóveis, prática que geralmente favorece o comprador (fundo).
Nesta condição, o dividend yield projetado de curto prazo pode ser substancialmente maior do que em um horizonte mais amplo e, consequentemente, "iludir" os potenciais investidores.
Não vejo como uma prática de má-fé, visto que tem potencial de geração de valor, mas esse dividend yield de curto prazo pode ser traiçoeiro para novos investidores.
Por fim, checar se a rentabilidade proposta está adequada ao perfil de risco do fundo e acima do custo de oportunidade – lembrando que ainda convivemos com um ambiente de juros elevados no Brasil e no mundo. Um dividend yield mais alto do que a média geralmente implica em uma exposição maior a risco.
Custos
Neste ponto, estamos tratando das despesas recorrentes dos FIIs (taxa de administração, gestão, performance e etc) e dos custos da própria emissão de cotas. No primeiro, caso seja um fundo novo, avaliar se há um alinhamento de interesses e se os valores são compatíveis com eventuais pares da indústria.
Já o segundo, que envolve as despesas de estruturação e distribuição da oferta, é um tema controverso. Para ofertas destinadas ao público geral (antiga CVM 400), que exigem grande participação dos coordenadores, os custos totais variam de 2,5% a 5% do montante total da oferta atualmente.
Em momentos de estresse do mercado, os esforços de distribuição podem ser fundamentais para o sucesso da oferta. Nestes casos, os custos são inevitáveis. Contribuições por parte da gestora são sempre bem-vindas.
Além do bom senso na hora de avaliar, recomendo checar se os custos estão transparentes nas principais comunicações do fundo e se ele está integralmente presente no preço da oferta. Todo prospecto contém uma seção detalhada sobre despesas de estruturação e distribuição das cotas para melhor visualização.
Busque informações e análises
Uma das formas mais tradicionais para evitar armadilhas na Black Friday é a pesquisa de mercado. Nos FIIs, o processo é parecido. Avaliações externas e independentes também são pertinentes para tomada de decisão e podem ser diferenciais para "filtrar" as melhores oportunidades.
Nas últimas duas semanas, analisamos cinco emissões de cotas de fundos imobiliários na série Renda Imobiliária da Empiricus. São quase R$ 3 bilhões na mesa, distribuídos entre os maiores players do mercado.
Inclusive, estamos como uma promoção de verdade para a assinatura de FIIs: 30 dias de acesso por apenas R$ 1,00. Além das análises das ofertas, você tem acesso às carteiras recomendadas, relatórios semanais, plantões de dúvidas e outros conteúdos exclusivos.
Você pode acessar a oferta por meio deste link. Aproveite, só dura até hoje (26)!
- Os 5 fundos imobiliários recomendados por Caio Araujo para comprar agora: confira GRATUITAMENTE a lista de FIIs que estão baratos e com potencial de distribuir dividendos ‘gordos’ nos próximos meses. Clique aqui para receber o relatório.
Abraço,
Caio
Bolsa nas alturas: Ibovespa fecha acima dos 158 mil pontos em novo recorde; dólar cai a R$ 5,3346
As bolsas nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia também encerraram a sessão desta quarta-feira (26) com ganhos; confira o que mexeu com os mercados
Hora de voltar para o Ibovespa? Estas ações estão ‘baratas’ e merecem sua atenção
No Touros e Ursos desta semana, a gestora da Fator Administração de Recursos, Isabel Lemos, apontou o caminho das pedras para quem quer dar uma chance para as empresas brasileiras listadas em bolsa
Vale (VALE3) patrocina alta do Ibovespa junto com expectativa de corte na Selic; dólar cai a R$ 5,3767
Os índices de Wall Street estenderam os ganhos da véspera, com os investidores atentos às declarações de dirigentes do Fed, em busca de pistas sobre a trajetória dos juros
Ibovespa avança e Nasdaq tem o melhor desempenho diário desde maio; saiba o que mexeu com a bolsa hoje
Entre as companhias listadas no Ibovespa, as ações cíclicas puxaram o tom positivo, em meio a forte queda da curva de juros brasileira
Maiores altas e maiores quedas do Ibovespa: mesmo com tombo de mais de 7% na sexta, CVC (CVCB3) teve um dos maiores ganhos da semana
Cogna liderou as maiores altas do índice, enquanto MBRF liderou as maiores quedas; veja o ranking completo e o balanço da bolsa na semana
JBS (JBSS3), Carrefour (CRFB3), dona do BK (ZAMP3): As empresas que já deixaram a bolsa de valores brasileira neste ano, e quais podem seguir o mesmo caminho
Além das compras feitas por empresas fechadas, recompras de ações e idas para o exterior também tiraram papéis da B3 nos últimos anos
A nova empresa de US$ 1 trilhão não tem nada a ver com IA: o segredo é um “Ozempic turbinado”
Com vendas explosivas de Mounjaro e Zepbound, Eli Lilly se torna a primeira empresa de saúde a valer US$ 1 trilhão
Maior queda do Ibovespa: por que as ações da CVC (CVCB3) caem mais de 7% na B3 — e como um dado dos EUA desencadeou isso
A combinação de dólar forte, dúvida sobre o corte de juros nos EUA e avanço dos juros futuros intensifica a pressão sobre companhia no pregão
Nem retirada das tarifas salva: Ibovespa recua e volta aos 154 mil pontos nesta sexta (21), com temor sobre juros nos EUA
Índice se ajusta à baixa dos índices de ações dos EUA durante o feriado e responde também à queda do petróleo no mercado internacional; entenda o que afeta a bolsa brasileira hoje
O erro de R$ 1,1 bilhão do Grupo Mateus (GMAT3) que custou o dobro para a varejista na bolsa de valores
A correção de mais de R$ 1,1 bilhão nos estoques expôs fragilidades antigas nos controles do Grupo Mateus, derrubou o valor de mercado da companhia e reacendeu dúvidas sobre a qualidade das informações contábeis da varejista
Debandada da B3: quando a onda de saída de empresas da bolsa de valores brasileira vai acabar?
Com OPAs e programas de recompras de ações, o número de empresas e papéis disponíveis na B3 diminuiu muito no último ano. Veja o que leva as empresas a saírem da bolsa, quando esse movimento deve acabar e quais os riscos para o investidor
Medo se espalha por Wall Street depois do relatório de emprego dos EUA e nem a “toda-poderosa” Nvidia conseguiu impedir
A criação de postos de trabalho nos EUA veio bem acima do esperado pelo mercado, o que reduz chances de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) em dezembro; bolsas saem de alta generalizada para queda em uníssono
Depois do hiato causado pelo shutdown, Payroll de setembro vem acima das expectativas e reduz chances de corte de juros em dezembro
Os Estados Unidos (EUA) criaram 119 mil vagas de emprego em setembro, segundo o relatório de payroll divulgado nesta quinta-feira (20) pelo Departamento do Trabalho
Sem medo de bolha? Nvidia (NVDC34) avança 5% e puxa Wall Street junto após resultados fortes — mas ainda há o que temer
Em pleno feriado da Consciência Negra, as bolsas lá fora vão de vento em poupa após a divulgação dos resultados da Nvidia no terceiro trimestre de 2025
Com R$ 480 milhões em CDBs do Master, Oncoclínicas (ONCO3) cai 24% na semana, apesar do aumento de capital bilionário
A companhia vive dias agitados na bolsa de valores, com reação ao balanço do terceiro trimestre, liquidação do Banco Master e aprovação da homologação do aumento de capital
Braskem (BRKM5) salta quase 10%, mas fecha com ganho de apenas 0,6%: o que explica o vai e vem das ações hoje?
Mercado reagiu a duas notícias importantes ao longo do dia, mas perdeu força no final do pregão
SPX reduz fatia na Hapvida (HAPV3) em meio a tombo de quase 50% das ações no ano
Gestora informa venda parcial da posição nas ações e mantém derivativos e operações de aluguel
Dividendos: Banco do Brasil (BBAS3) antecipa pagamento de R$ 261,6 milhões em JCP; descubra quem entra no bolo
Apesar de o BB ter terminado o terceiro trimestre com queda de 60% no lucro líquido ajustado, o banco não está deixando os acionistas passarem fome de proventos
Liquidação do Banco Master respinga no BGR B32 (BGRB11); entenda os impactos da crise no FII dono do “prédio da baleia” na Av. Faria Lima
O Banco Master, inquilino do único ativo presente no portfólio do FII, foi liquidado pelo Banco Central por conta de uma grave crise de liquidez
Janela de emissões de cotas pelos FIIs foi reaberta? O que representa o atual boom de ofertas e como escapar das ciladas
Especialistas da EQI Research, Suno Research e Nord Investimentos explicam como os cotistas podem fugir das armadilhas e aproveitar as oportunidades em meio ao boom das emissões de cotas dos fundos imobiliários