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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
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Onde investir em 2022: os melhores investimentos de renda fixa, que tem tudo para ser ‘a estrela do ano’

Agora que a renda fixa “ressuscitou”, há oportunidades em todos os segmentos dessa classe de ativos, para todos os perfis de investidor

4 de janeiro de 2022
5:30 - atualizado às 16:24
Arte com totem de estação do metrô com inscrição Onde Investir
Mesmo os títulos pós-fixados mais conservadores estão com remuneração atrativa com a alta da Selic. Imagem: Montagem Andrei Morais

Depois de um ano de juros baixos e inflação elevada, o investidor brasileiro entra em 2022 com um cenário bem mais propício para a outrora esquecida renda fixa.

Declarada “morta” quando a Selic estava em 2% ao ano, cenário que perdurou até março do ano passado, essa classe de ativos foi voltando ao radar dos investidores ao longo de 2021, à medida que foi oferecendo remunerações cada vez mais interessantes.

Ao mesmo tempo, a volta com tudo da inflação demonstrou a importância de se ter, na carteira, ativos cuja remuneração seja corrigida por um índice de preços, ainda que eles se desvalorizem pontualmente, como foi o caso dos títulos públicos atrelados ao IPCA em 2021.

Para 2022, espera-se um ano de muita turbulência nos mercados por conta da pandemia, das eleições presidenciais e das decisões do Federal Reserve, o banco central americano, em relação aos juros.

Também devemos ver a taxa básica de juros, que já está num patamar razoável, subir um pouco mais, ao mesmo tempo em que a inflação vá sendo controlada.

Neste cenário, a renda fixa deve apresentar muitas oportunidades de ganhos, mas não só isso. Ela deve cumprir também um importante papel de proteção contra as turbulências. Afinal, mesmo os investimentos mais conservadores do mercado estão voltando a ficar interessantes.

Assim, como bem disse um dos entrevistados para esta matéria da série sobre Onde Investir em 2022, a renda fixa deve ser “a estrela do ano”.


Este texto faz parte de uma série especial do Seu Dinheiro sobre onde investir em 2022. Embarque na sua estação favorita:

O que esperar para 2022

Com a continuidade da pandemia - agora com a supertransmissível variante ômicron - e eleições presidenciais no Brasil, já devemos esperar que 2022 seja um ano de alta volatilidade em todos os mercados.

Para agitar um pouco mais o ano, as questões fiscais deverão continuar em pauta, principalmente considerando a pressão para o governo gastar mais, de olho na reeleição do presidente Jair Bolsonaro; e o banco central americano deve elevar os juros, movimento este que pode ser antecipado, caso a inflação por lá não apresente muita melhora.

E esses são só os riscos conhecidos; obviamente ainda pode haver surpresas pelo caminho, tanto para o bem quanto para o mal.

Então, de saída, já dá para ver que, com uma rentabilidade bem mais interessante que a dos últimos anos, a renda fixa terá um papel bastante importante nas carteiras dos investidores.

“A renda fixa será uma classe de ativos mais presente para os investidores. Mesmo os fundos de pensão estão reduzindo um pouco a alocação em ativos de risco para privilegiar a renda fixa. Nesta classe de ativos, todos os preços hoje estão mais atraentes”, diz Marc Forster, head da operação da Western Asset no Brasil.

Investidores conservadores agradecem

Os ativos mais conservadores, atrelados à Selic e ao CDI, vão agir como um colchão de segurança para a carteira, para além da reserva de emergência. Afinal, agora será possível obter boas rentabilidades nesta subclasse.

A Selic já subiu bastante, chegando a 9,25% ao ano, mas ainda são esperadas novas altas no primeiro semestre, e depois uma manutenção num patamar de dois dígitos. Atualmente, o mercado espera que a taxa básica termine 2022 em 11,50%, o que beneficiaria os investimentos pós-fixados.

Ao mesmo tempo, a expectativa é de que a inflação ceda, o que pode vir a garantir um juro real positivo, isto é, que os ativos pós-fixados finalmente voltem a ganhar da inflação. A projeção do mercado, por enquanto, é de IPCA em 5,03% em 2022.

Retornos apetitosos nos prefixados e NTN-B

Já os ativos de renda fixa menos conservadores - crédito privado, títulos prefixados e indexados à inflação - poderão oferecer remunerações atraentes sem que o investidor precise correr tanto risco nas classes de ativos mais arriscadas, como as ações.

Com a alta da inflação, do risco fiscal e, consequentemente, dos juros futuros, ao longo de 2021, os preços dos títulos públicos prefixados e indexados à inflação desabaram.

Simultaneamente, porém, suas remunerações dispararam. Afinal, é isso que acontece quando o preço de um ativo dessa natureza cai - seu retorno esperado sobe.

Assim, quem adquiriu esses papéis nos piores momentos do ano passado conseguiu garantir rentabilidades superiores a 10% ao ano nos prefixados e a 5% ao ano + IPCA nos Tesouro IPCA+, também chamados de NTN-B. Ou seja, se esses investidores carregarem esses papéis até o vencimento, esse é o retorno que vão receber.

Essas rentabilidades ainda estão na praça, e são historicamente altas para esses tipos de títulos.

É claro que se a curva de juros se abrir mais - por exemplo, num momento de tensão pré-eleitoral ou com um novo ataque ao teto de gastos - esses títulos podem se desvalorizar pontualmente.

Mas se (ou quando) o mercado finalmente se acalmar, possivelmente após a definição do novo presidente da República, veremos os juros futuros recuarem novamente, devolvendo valor aos ativos.

Crédito privado para quem quer ganhar mais

Finalmente, o momento também é interessante para quem deseja uma rentabilidade um pouco superior à dos títulos públicos, seja entre os pós-fixados, os prefixados ou os investimentos indexados à inflação.

Títulos emitidos por bancos (como CDBs, LCIs e LCAs), bem como as debêntures, estão pagando bons prêmios acima do CDI ou da remuneração das NTN-B, mesmo no caso de emissores com risco de crédito reduzido.

“A renda fixa deve ser o grande destaque de captação e volume de recursos em 2022. Deve ser um ano desafiador do ponto de vista da atividade econômica, da inflação, e também do cenário político. Deve ter muita volatilidade. Já estamos vendo os fundos de crédito privado captando muito”, diz Mauro Orefice, diretor de investimentos da BS2 Asset, para quem a renda fixa “vai ser a estrela do ano”.

Mas afinal, onde investir em 2022 na renda fixa?

Vamos então falar de ativos específicos ou fundos para investir em cada um dos grupos mencionados no item anterior - do mais conservador para o mais arrojado.

Para a reserva de emergência e os investidores mais conservadores

Os títulos pós-fixados, que pagam a variação da Selic ou do CDI e, eventualmente, um prêmio sobre ela, são as alternativas mais certeiras para 2022, dada a expectativa de alta na taxa básica de juros para conter a inflação e sua posterior manutenção num patamar alto.

Assim, a sua reserva de emergência - que deve ser alocada em pós-fixados conservadores - voltará a ter uma rentabilidade interessante; e mesmo uma parte maior da sua carteira de investimentos pode voltar a ser alocada nesse tipo de ativo.

Os investimentos de menor risco da nossa economia - ideais para reservas de emergência, objetivos de curto e médio prazo e investidores muito avessos a risco - são os bons e velhos títulos públicos Tesouro Selic, que podem ser adquiridos via Tesouro Direto; os CDBs de bancos grandes que pagam 100% do CDI com liquidez diária, oferecidos por essas instituições financeiras a seus clientes; e os fundos Tesouro Selic de taxa zero, oferecidos pelas plataformas de investimento Vitreo, BTG Pactual digital e Órama.

Saiba mais sobre onde investir a reserva de emergência.

Títulos pós-fixados menos conservadores, mas com proteção do FGC

Subindo um degrau na escala de risco, mas ainda permanecendo no nível do risco baixíssimo, estão as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e os CDBs de bancos médios, papéis que costumam pagar um percentual do CDI.

As duas primeiras não costumam ter liquidez diária, mas são isentas de imposto de renda e seu retorno líquido pode ser bem maior que o da maioria dos CDBs de prazo similar, especialmente quando emitidas por bancos médios.

Mas, mesmo sem liquidez diária, a variedade de prazos de LCI e LCA disponíveis é tão grande que não tem por que não investir. Basta casar o prazo do papel com o seu objetivo.

Já os CDBs de bancos médios costumam pagar mais de 100% do CDI, e também há alternativas para diversos prazos. A diferença é que o risco de calote dos bancos médios é maior que o dos bancos grandes.

Seja como for, CDBs, LCIs e LCAs sempre contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, totalizando R$ 1 milhão por CPF em todas as instituições financeiras.

Caso o banco emissor do papel quebre, o fundo cobre o valor investido e a rentabilidade, e o investidor recebe o seu dinheiro de volta. Assim, desde que os limites de garantia sejam respeitados, são investimentos bem seguros.

Saiba mais sobre o funcionamento do FGC.

Fundos de crédito privado que buscam superar o CDI

Finalmente, para quem tem um pouco mais de apetite a risco, os fundos de crédito privado que buscam superar o CDI e investem primordialmente em ativos indexados ao CDI e à Selic podem ser uma boa pedida.

“Desde o início da pandemia, os spreads de crédito [diferença da remuneração dos títulos privados para os títulos públicos] aumentaram bastante e ainda não voltaram para os patamares pré-pandemia. A remuneração [da renda fixa privada] está bem boa historicamente”, diz Ulisses Nehmi, gestor da Sparta.

Segundo os especialistas que eu ouvi, desta vez o investidor nem precisa buscar os fundos de crédito high yield, aqueles títulos de dívida mais arriscados; o chamado crédito high grade, emitido por empresas boas pagadoras e com grau de investimento, já tem oferecido bons retornos.

“Dependendo do apetite por risco do investidor, há oportunidades tanto nos títulos soberanos [títulos públicos] quanto no crédito privado, pagando CDI + 1%, CDI + 1,5%, tudo com baixíssimo risco. Fundos que misturem os dois tipos de pós-fixados são bem interessantes”, diz Marc Forster, da Western Asset.

Já Mauro Orefice, da BS2 Asset, recomenda os fundos que investem em FIDCs, os fundos de direitos creditórios. “Um retorno de CDI + 3% ou CDI + 4% no contexto atual já me parece muito bom”, diz.

Títulos públicos atrelados à inflação para se proteger da alta de preços

Subindo ainda mais na escada do risco, vêm os títulos públicos indexados à inflação, o Tesouro IPCA+ e o Tesouro IPCA+ com juros semestrais, também chamados de NTN-B.

Os preços desses papéis oscilam bastante, podendo inclusive dar retornos negativos aos investidores que os vendem antes do vencimento. Mas para aqueles que permanecem com esses títulos até o fim do prazo, eles preservam seu poder de compra, o que é um atrativo e tanto num país que tem períodos de inflação muito pressionada, como o ano passado.

Os especialistas que eu ouvi, no entanto, divergiram quanto aos prazos mais indicados, e também quanto às expectativas para a inflação, o que não só afeta na escolha do vencimento como também na decisão entre alocar mais recursos em prefixados ou indexados ao IPCA.

Por exemplo, para André Kitahara, PM Macro da gestora AZ Quest, e para Ulisses Nehmi, da Sparta, o momento ainda é de inflação pressionada, o que torna os títulos Tesouro IPCA+ mais atrativos que os prefixados.

“Quando a gente começar a ver a inflação ceder, ao longo do ano, vai ser hora de migrar mais forte dos papéis indexados à inflação para os prefixados. Mas esse ainda não é o momento”, diz Kitahara.

Já para Nehmi, os prefixados são “o patinho feio da vez”. “Passam a ser mais interessantes num cenário de inflação controlada, em que você começa a vislumbrar uma queda de juros”, explica.

Ele gosta mais dos títulos indexados à inflação de prazos mais curtos, que já estão pagando taxas bastante elevadas - mais de 5% + IPCA - e cujos preços oscilam bem menos que os dos títulos longos. Kitahara, por sua vez, prefere as NTN-B longas.

Para levar até o vencimento, Marc Forster, da Western Asset, também prefere as NTN-B mais longas, embora ele seja do time que, no momento, prefere os prefixados aos indexados à inflação.

Investimentos prefixados para quando a inflação ceder

Ainda no lado das apostas com um pouco mais de risco, para quem acha que a inflação talvez ceda mais rápido do que o esperado, os títulos públicos prefixados são boas opções.

Atualmente, todos os títulos com esse perfil oferecidos no Tesouro Direto estão pagando mais de 10% ao ano, sendo que o mais curto, com vencimento em 2024, é o que está pagando mais: 11% ao ano.

Essas são as opções consideradas mais interessantes por Marc Forster, da Western, e também Mauro Orefice, da BS2 Asset.

“A inflação ainda está alta, mas já estamos começando a ver uma virada”, diz Orefice, referindo-se aos primeiros sinais, no fim do ano passado, de que a alta da Selic já está surtindo efeito sobre os preços.

Assim, ele explica que a gestora já tem feito posições prefixadas desde outubro, com o objetivo de ganhar com a valorização dos ativos conforme os juros futuros caem. E ele ainda considera interessante montar posições pré agora.

“Já estamos vendo revisão das projeções de IPCA para baixo”, diz Orefice. “Não estou tão preocupado com a inflação, e não descarto a possibilidade de o BC cessar a alta de juros antes do esperado”, completa.

Entre os prefixados, Orefice sugere os vencimentos mais curtos, como o Tesouro Prefixado 2024, no Tesouro Direto. Mas mesmo entre os títulos bancários pode ser interessante adquirir um pré. “Tem LCI de dois, três anos, que é o prazo ideal, pagando mais de 11% ao ano”, diz.

Fundos de debêntures incentivadas

Finalmente, na ponta dos investimentos arrojados, os fundos de debêntures incentivadas podem continuar tendo boa performance em 2022, com a aversão ao risco de bolsa e a busca dos retornos mais encorpados da renda fixa privada.

As debêntures são títulos de dívida de empresas, e as incentivadas são aquelas que são isentas de imposto de renda por financiarem projetos de infraestrutura. Elas costumam ter a remuneração atrelada a índices de preços, mas também podem pagar um prêmio sobre o CDI.

Há, portanto, risco de crédito maior do que o dos títulos públicos - o pagamento depende da saúde financeira da empresa emissora -, além de volatilidade de preços, pois debêntures também são ativos negociados em mercado secundário.

Atualmente, há alguns fundos de debêntures incentivadas acessíveis à pessoa física que têm cotas negociadas em bolsa, como se fossem ações. Eles costumam pagar rendimentos isentos de IR, e os gestores não são obrigados a vender seus ativos às pressas (e a preço de banana) em caso de fuga dos investidores do fundo numa crise, por exemplo.

É que esses fundos não permitem resgates. O investidor é obrigado a vender a cota em bolsa para outro interessado para sair da aplicação. Assim, um movimento forte de vendas derruba o preço da cota, mas não permite que a carteira do fundo tenha grandes perdas com os seus ativos, o que é um fator a mais de proteção para o investidor que permanece no fundo.

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