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Candidatos às eleições de 2022 divulgaram seus bens à Justiça Eleitoral, e o Seu Dinheiro analisou as “carteiras” de cada um deles; quem é o melhor investidor?
A Justiça Eleitoral começou a divulgar, nesta semana, as listas dos bens declarados pelos candidatos à Presidência da República nas Eleições de 2022.
Mas para além dos debates sobre qual deles é o mais rico, da desconfiança em relação aos valores e das especulações acerca de onde veio o dinheiro para a construção daqueles patrimônios, há pelo menos mais um exercício interessante que nós aqui do Seu Dinheiro podemos fazer: será que algum dos candidatos ao principal cargo executivo do país é um investidor minimamente razoável? E se a resposta for positiva, qual deles investe melhor?
Bem, antes de mais nada é importante saber que as informações prestadas à Justiça Eleitoral são aquelas que constam na declaração de imposto de renda dos candidatos, ou seja, todos os bens são declarados pelo seu custo de aquisição, sem atualizações pelo valor de mercado.
Mesmo assim, dá para avaliar se a distribuição entre os diferentes tipos de ativos é interessante e diversificada.
Além dos principais postulantes ao cargo - o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula - há mais sete candidaturas registradas na Justiça Eleitoral, sendo que uma delas, a de Pablo Marçal (PROS), será retirada pelo seu partido.
Assim, para esta matéria, considerei os bens declarados apenas pelos oito candidatos que devem permanecer na disputa, conforme as informações públicas divulgadas pelo site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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A conclusão da análise (se é que é possível tirar alguma) é que os candidatos do Novo, Felipe D’Avila, e do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, têm não apenas os maiores patrimônios declarados, como também as carteiras aparentemente mais diversificadas e voltadas a buscar algum equilíbrio entre rentabilidade e liquidez.
Já na comparação entre os dois líderes nas pesquisas de intenção de voto, Lula se sai melhor investidor que Bolsonaro, que tem uma enorme fatia do seu patrimônio em caderneta de poupança e conta-corrente.
Mas vamos por partes.
Vamos começar dando uma geral na lista de candidatos e no total declarado por cada um. O maior patrimônio foi informado pelo empresário e cientista político Felipe D’Avila, candidato pelo Novo, cujos bens totalizam cerca de R$ 24,6 milhões.
Em seguida, vem o ex-presidente Lula (PT), com patrimônio de R$ 7,4 milhões. O terceiro mais rico é Ciro Gomes (PDT), com um patrimônio de pouco mais de R$ 3 milhões.
Simone Tebet (MDB) e Bolsonaro (PL), por sua vez, declararam patrimônios de valores parecidos, ambos em torno de R$ 2,3 milhões.
Confira o ranking completo:
Você pode conferir o patrimônio de todos os candidatos das próximas eleições no site do TSE.
Analisando por alto as “carteiras” dos candidatos, já dá para perceber que a maioria deles tem um jeito “bem brasileiro” de investir, com preferência por imóveis e um bocado de dinheiro em caixa, seja em conta-corrente, caderneta de poupança ou em espécie.
Quando aparece alguma aplicação financeira, é quase sempre um título de renda fixa ou previdência privada. Investimentos em ações de companhias abertas não foram relatados, mas é comum que os candidatos tenham algum tipo de participação societária.
A seguir, vamos analisar os principais ativos de cada candidato e as principais características do seu jeito de investir. Só vou deixar de fora Vera Lúcia Salgado (PSTU) e Léo Péricles (Unidade Popular), cujos patrimônios declarados estão integralmente em caderneta de poupança.
O patrimônio de R$ 24,6 milhões de Felipe D’Avila tem um perfil mais empresarial. Cerca de R$ 21 milhões, ou 85% do total, estão alocados em “quotas ou quinhões de capital”, o que em geral se refere a participações em empresas de capital fechado.
Esse valor está distribuído em cinco sociedades de R$ 1,2 milhão, R$ 7,1 milhões, R$ 151 mil, R$ 2,25 milhões e R$ 10,3 milhões, aproximadamente.
O candidato declarou ainda duas casas, uma de cerca de R$ 983,5 mil e outra de cerca de R$ 2,4 milhões, totalizando aproximadamente R$ 3,35 milhões, ou 14% do patrimônio.
Finalmente, D’Avila informou ter R$ 238,6 mil aplicados em títulos de renda fixa (pouco menos de 1% do seu patrimônio) e mais uma quantia de R$ 1.320 em “outras aplicações e investimentos”.
| Ativo | Valor | Percentual do patrimônio |
| Participações societárias | R$ 21.031.213,62 | 85,42% |
| Imóveis | R$ 3.348.515,20 | 13,60% |
| Renda fixa | R$ 238.578,79 | 0,97% |
| Outras aplicações e investimentos | R$ 1.320,05 | 0,01% |
| Total | R$ 24.619.627,66 | 100,00% |
Com bens declarados no valor de R$ 7,4 milhões, Lula prioriza um plano de previdência privada tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), que concentra 75% do seu patrimônio (cerca de R$ 5,6 milhões).
Sobre o VGBL
Esse tipo de produto permite fazer um planejamento tributário eficiente para quem entrega a declaração simplificada de imposto de renda, pois possibilita o investimento dos recursos em aplicações financeiras sem come-cotas e com tributação apenas no resgate sobre a rentabilidade, além de uma alíquota de IR mínima de 10% após dez anos de aplicação.
Outra razão que pode levar alguém a optar por um VGBL é a necessidade de fazer planejamento sucessório: este produto não entra em inventário em caso de morte do titular, sendo transferido diretamente aos beneficiários designados e geralmente sem necessidade de pagar ITCMD, o imposto estadual sobre doações e heranças.
Embora ofereçam uma certa proteção ao patrimônio, no entanto, é importante lembrar que VGBLs não são impenhoráveis (apenas se o juiz entender que têm natureza de subsistência) e normalmente devem ser partilhados pelos casais em caso de divórcio.
O segundo principal ativo de Lula são os imóveis. O petista declarou sete propriedades, que totalizam R$ 777,6 mil, ou cerca de 10% do seu patrimônio, distribuídos da seguinte maneira:
Entre as aplicações financeiras, o candidato declarou ainda R$ 185,7 mil em títulos de renda fixa e R$ 1.213,17 em fundos de curto prazo (provavelmente também renda fixa), totalizando R$ 187 mil, ou 2,5% do patrimônio; R$ 4,7 mil na poupança (0,06% do patrimônio); e R$ 20,8 mil em conta-corrente.
Há ainda R$ 430 mil (5,8% do patrimônio) em “outros bens e direitos” não especificados, R$ 250 mil (3,4% do patrimônio) em créditos decorrentes de empréstimos e R$ 49 mil (0,7% do patrimônio) em participações societárias.
Finalmente, Lula declara dois veículos automotores, um de R$ 48,5 mil e outro de R$ 85 mil, totalizando R$ 133,5 mil.
| Ativo | Valor | Percentual do patrimônio |
| VGBL | R$ 5.570.798,99 | 75,04% |
| Imóveis | R$ 777.558,20 | 10,47% |
| Outros bens e direitos | R$ 430.020,99 | 5,79% |
| Crédito decorrente de empréstimo | R$ 250.000,00 | 3,37% |
| Renda fixa | R$ 186.957,98 | 2,52% |
| Veículos | R$ 133.475,00 | 1,80% |
| Participações em empresas | R$ 49.000,00 | 0,66% |
| Conta-corrente | R$ 20.862,23 | 0,28% |
| Poupança | R$ 4.719,22 | 0,06% |
| Outras aplicações e investimentos | R$ 333,17 | 0,00% |
| Total | R$ 7.423.725,78 | 100,00% |
Ciro Gomes informa um patrimônio de cerca de R$ 3 milhões, dos quais metade (R$ 1,5 milhão) está imobilizada, distribuída entre quatro imóveis:
A segunda maior participação no patrimônio de Ciro é um crédito decorrente de alienação (que pode ter sido, por exemplo, a venda de um imóvel) no valor aproximado de R$ 1 milhão, cerca de 33% do seu patrimônio.
O pedetista informou ainda a posse de dois veículos, sendo um no valor de R$ 85 mil e outro no valor de R$ 105 mil, totalizando R$ 190 mil, pouco mais de 6% do patrimônio total.
Há duas participações societárias nos valores de R$ 12 mil e R$ 50 mil, totalizando R$ 62 mil, ou cerca de 2% do patrimônio.
Os investimentos financeiros não são o forte do patrimônio de Ciro. O candidato mantém por volta de R$ 34,4 mil em caixa, sendo cerca de R$ 32 mil em espécie e o restante em conta-corrente; há ainda cerca de R$ 28,5 mil em um VGBL, o que corresponde a pouco menos de 1% do seu patrimônio.
Finalmente, há outros itens mais genéricos, como um valor de cerca de R$ 156 mil (cerca de 5% do patrimônio) em “outros créditos e poupança vinculados”, divididos em três itens de R$ 51.990,69 cada; e R$ 36 mil de um crédito decorrente de empréstimo.
| Ativo | Valor | Percentual do patrimônio |
| Imóveis | R$ 1.528.293,92 | 50,28% |
| Crédito decorrente de alienação | R$ 1.004.590,70 | 33,05% |
| Veículos | R$ 190.000,00 | 6,25% |
| Outros créditos e poupança vinculados | R$ 155.972,06 | 5,13% |
| Participações societárias | R$ 62.000,00 | 2,04% |
| Crédito decorrente de empréstimo | R$ 36.000,00 | 1,18% |
| Conta-corrente | R$ 34.387,97 | 1,13% |
| VGBL | R$ 28.517,32 | 0,94% |
| Total | R$ 3.039.761,97 | 100,00% |
O patrimônio de cerca de R$ 2,323 milhões de Simone Tebet chama a atenção por estar quase totalmente imobilizado. A candidata do MDB não tem praticamente liquidez nenhuma declarada.
Ela informou 13 imóveis que totalizam R$ 2,265 milhões, 97% do seu patrimônio declarado, distribuídos da seguinte maneira:
O restante (cerca de R$ 60 mil) está em conta-corrente.
| Ativo | Valor | Percentual do patrimônio |
| Imóveis | R$ 2.264.510,30 | 97,45% |
| Conta-corrente | R$ 59.225,08 | 2,55% |
| Total | R$ 2.323.735,38 | 100,00% |
O presidente tem um padrão de investimento “tipicamente brasileiro”. Dos seus R$ 2,317 milhões declarados, quase 60% (R$ 1,38 milhão) estão distribuídos em cinco imóveis, sendo:
A segunda maior participação são aplicações no valor de cerca de R$ 591 mil na caderneta de poupança, aproximadamente 25% do seu patrimônio.
Por fim, o presidente deixou cerca de R$ 316,5 mil (14% do patrimônio) em conta-corrente.
Bolsonaro informou um único veículo, no valor de R$ 26,5 mil.
| Ativo | Valor | Percentual do patrimônio |
| Imóveis | R$ 1.383.233,54 | 59,7% |
| Poupança | R$ 591.047,58 | 25,5% |
| Conta-corrente | R$ 316.524,61 | 13,7% |
| Veículo | R$ 26.500,00 | 1,1% |
| Participação em empresa | R$ 249,00 | 0,0% |
| Total | R$ 2.317.554,73 | 100,00% |
A professora Sofia Manzano declarou um patrimônio de R$ 498 mil, também distribuídos conforme um padrão bem brasileiro: cerca de R$ 300 mil referentes a uma casa, aproximadamente R$ 200 mil em um apartamento e cerca de R$ 4 mil na poupança.
É claro que o que estamos fazendo aqui é um exercício teórico, já que não é possível saber quais são especificamente os ativos que compõem o patrimônio de cada candidato e avaliar a qualidade desses bens.
Dito isso, é possível tecer algumas observações sobre como investem os presidenciáveis:
Como dito no início da matéria, Felipe D’Avila e Lula parecem ser os candidatos com as carteiras mais diversificadas e maior preocupação em equilibrar rentabilidade e liquidez, pelo que se pode analisar. E entre Lula e Bolsonaro, líderes nas pesquisas de intenção de voto, pelo menos na disputa de quem investe melhor, quem sai ganhando é o petista.
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