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EM LIBERDADE

Entenda por que o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, e os pastores foram soltos por ordem de desembargador

Enquanto isso, o Senado consegue o número mínimo de assinaturas para a abertura de uma CPI sobre o caso; confira os próximos passos que devem ser tomados

Durou pouco mais de 24 horas a prisão preventiva do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura — todos investigados no caso do gabinete paralelo do MEC. 

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Ribeiro foi liberado por volta de 15h desta quinta-feira (23) depois que o desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, cassou a prisão preventiva do ex-ministro. 

A decisão tem validade até que a Terceira Turma da corte analise o mérito do habeas corpus impetrado pela defesa do aliado do presidente Jair Bolsonaro. 

[captacao]

Por que o ex-ministro Milton Ribeiro foi solto?

Ao analisar o pedido da defesa do ex-ministro, Ney Bello ponderou que o Ministério Público Federal foi contrário ao pedido de prisão preventiva de Ribeiro. 

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Para o magistrado, não existem no atual 'momento processual, as condições de manutenção' da prisão preventiva.

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"Verifico que além de ora paciente não integrar mais os quadros da Administração Pública Federal, há ausência de contemporaneidade entre os fatos investigados - "liberação de verbas oficiais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e do Ministério da Educação direcionadas ao atendimento de interesses privados" (cf. cópia do INQ 4896/STF, à fl. 42 - doc. n. 232898054), supostamente cometidos no começo deste ano, razão pela qual entendo ser despicienda a prisão cautelar combatida", escreveu o desembargador em sua decisão.

Ney Bello defendeu que fossem impostas medidas cautelares aos investigados — proibição de contato, de se ausentar do país e de entrar no Ministério da Educação. 

O desembargador ainda estendeu os efeitos do despacho aos outros quatro presos da Operação Acesso Pago: os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, o advogado Luciano Musse, infiltrado dos pastores no MEC, o ex-assessor da Prefeitura de Goiânia Helder Diego da Silva Bartolomeu. 

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Todos eles foram alvo da Operação Acesso Pago, aberta pela Polícia Federal na quarta-feira (22).

Mais da prisão de Milton Ribeiro

Ao expedir os mandados de prisão preventiva, o juiz Renato Borelli, da 15.ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, entendeu que a adoção de medidas cautelares alternativas seria 'inadequada e insuficiente' pois 'não teriam o condão de se estabelecerem como óbices ao exercício de interferência política nas investigações'.

"Nesse contexto, resta comprovada a existência do 'periculum libertatis', eis que os investigados, em espécie de 'gabinete paralelo', estavam inseridos no contexto político do país ao ocuparem cargas de destaque no Poder Executivo Federal, o que lhes possibilita proceder de forma a interferir na produção, destruição ou mesmo ocultação de provas que podem ser úteis ao esclarecimento de toda a trama delitiva", ponderou o magistrado.

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O juiz fundamentou a segregação dos investigados na 'manutenção da ordem pública, na necessidade de impedir a reiteração de novas infrações e principalmente, para a conveniência da instrução criminal'.

A defesa do ex-ministro da Educação contestou a decisão de Borelli no Tribunal Federal Regional da 1ª Região e o desembargador Ney Bello cassou o decreto prisional do aliado do presidente Jair Bolsonaro.

A CPI do gabinete paralelo

O requerimento de abertura de uma CPI para investigar o 'gabinete paralelo' mantido no Ministério da Educação na gestão de Milton Ribeiro já tem número de assinaturas suficientes para permitir a criação da comissão parlamentar no Senado. 

O apoio que faltava veio do senador Alexandre Giordano (MDB-SP), que endossou a investigação no fim da manhã desta quinta-feira (23). Pouco depois, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) também assinou o requerimento. 

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A partir de agora, a oposição já pode apresentar o pedido para a instalação da CPI ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Cabe a ele autorizar a abertura da comissão.

Pacheco pode determinar a instalação da CPI, negar o pedido ou mesmo deixar na gaveta. Até o momento, o presidente da Casa se negou a apoiar a investigação, mas prometeu avaliar a situação quando receber o requerimento. 

Pacheco quer ouvir os líderes partidários antes de anunciar uma decisão. Se a CPI for instalada, ela deve funcionar por no mínimo 90 dias.

Na quarta-feira (22), o governo Bolsonaro mobilizou aliados para tentar barrar a instalação da CPI do Ministério da Educação. 

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*Com informações do Estadão Conteúdo

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