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AMPLIANDO A BASE

Além do PT: Veja quem Lula já procurou para enfrentar bolsonaristas no Congresso

Lula procura partidos como o PSD, o União Brasil e o MDB com a intenção de ampliar a base no Congresso a partir de 2023

Lula veste terno azul, camisa listrada clara e faz sinal de positivo com as duas mãos. Ao fundo, um gráfico do mercado financeiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Getty Images/Montagem: Julia Shikota

A atual estrutura político-partidária do Brasil torna improvável que um presidente eleito algum dia disponha de maioria no Congresso para governar sem a necessidade de uma coalizão. Não se trata, porém, de uma novidade para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que precisou formar alianças para muito além da esquerda em seu primeiro ciclo no Palácio do Planalto.

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De volta à Presidência da República, Lula pretende atrair partidos como o PSD, o MDB e o União Brasil na tentativa de ampliar a base de apoio a seu futuro governo no Congresso Nacional em meio ao aumento da bancada conservadora.

A estratégia da cúpula petista é iniciar de imediato conversas com líderes desses partidos, além de outros parlamentares do Centrão que enviaram sinais de diálogo com o petista antes mesmo de o presidente e candidato derrotado Jair Bolsonaro (PL) dar aval para a Casa Civil iniciar a transição de governo.

Os dez partidos que compõem a coligação de Lula elegeram 122 deputados e 12 senadores.

Lula busca maioria simples

Com o apoio de PSD, MDB e União Brasil, a base do presidente eleito na Câmara subiria para 265 deputados e 43 cadeiras no Senado, o que garantiria aprovação de projetos que exigem maioria simples, como é o caso da proposta para aumentar o salário mínimo.

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Para mudanças na Constituição, que exigem três quintos dos votos em cada Casa, seria preciso angariar mais apoios.

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Segundo apuração do Estadão, interlocutores que estiveram com Lula no segundo turno relatam que ele vai usar o discurso de pacificação do Brasil para tentar atrair parlamentares.

Na negociação está colocada a manutenção do poder do Congresso sobre verbas do orçamento secreto - ou de parte delas. Esta seria a ponte com o bloco de siglas consideradas mais fisiológicas, hoje alinhado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar Lula eleito, Lira telefonou para o petista e o parabenizou pela vitória. Segundo aliados do presidente da Câmara, o tom da conversa foi cordial e positivo. Tanto Lira quanto seu pai, Benedito, ex-senador, foram por longo tempo aliados dos governos do PT no Congresso.

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Abordagem a governadores

A tentativa de arregimentar uma base mais ampla no Congresso também passa pelos governadores eleitos.

Na campanha, o petista anunciou que, se eleito, chamaria os governadores nos primeiros dias da transição para uma conversa e propor um acordo nacional, facilitando, assim, uma negociação com parlamentares.

"Lula não vai ter dificuldade de conversar, ainda que seja um Congresso mais conservador", afirmou o governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).

Além dos líderes do PT, nomes como Renan Calheiros (MDB-AL) e Eunício Oliveira (MDB-CE) devem voltar ao foco principal das articulações entre o Legislativo e o governo de transição.

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Para começar a formar uma base no Congresso, Lula está interessado em uma composição com políticos que não estiveram ideologicamente alinhados com Bolsonaro.

"Nós vamos ter de negociar com quem não é bolsonarista. Esse vai ser o exercício estratégico de diálogo para que as propostas de retrocesso brutal não avancem", disse a senadora eleita Teresa Leitão (PT-PE), em referência à agenda de costumes do grupo de Bolsonaro.

Divisões e resistência a Lula

As legendas na mira de Lula manifestaram sinais de disposição para conversa, mas terão de lidar com divisões internas e resistências ao petista.

No MDB, por exemplo, pesa a declaração de Lula chamando o ex-presidente Michel Temer de "golpista" durante o último debate na TV Globo.

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Após o resultado, o presidente nacional da legenda, deputado Baleia Rossi (SP), assinou uma nota cumprimentando Lula, aceno visto como positivo por emedebistas que apoiam o presidente eleito.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), derrotada no primeiro turno na disputa pelo Planalto e apoiadora de Lula no segundo, chegou a dizer que os partidos precisariam de uma "DR" para "discutir a relação".

No União Brasil há outra divisão: a do grupo do presidente nacional da sigla, Luciano Bivar (PE), que está disposto a fazer uma composição com Lula, e a do vice-presidente da legenda, Antonio Rueda, ligado a Arthur Lira e que defende a formação de uma federação ou bloco com o partido do presidente da Câmara.

As conversas devem passar pela negociação em torno do comando da Casa a partir de 2023. Lira trabalha para ser reeleito. Um dos eleitos ao Senado pela sigla é o ex-juiz Sérgio Moro (PR), que condenou o petista na Lava Jato.

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No PSD, a cúpula do PT alimenta expectativa de formar parceria com o presidente da legenda, Gilberto Kassab.

Por sua vez, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), é visto como peça-chave na articulação e poderá receber o apoio de Lula para a reeleição no comando do Congresso, em 2023.

O entrave está nos Estados onde o partido apoiou Bolsonaro. Em São Paulo, por exemplo, o vice-governador eleito, Felício Ramuth, é do partido.

Também é do PSD um dos parlamentares escalados por Lula para fazer ponte com o agronegócio, setor que esteve majoritariamente ligado a Bolsonaro no atual governo.

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A chave do cofre

Lula foi aconselhado por auxiliares próximos a deixar de lado as críticas que fez ao Congresso durante a campanha e aceitar a manutenção do grau de influência dos parlamentares no Orçamento, mas dando transparência às emendas do orçamento secreto, revelado pelo Estadão.

"A frente ampla, o discurso de unidade nacional e a indicação do Alckmin para coordenar a transição ajudam muito, mas o apoio ao governo tem que se dar em cima de uma pauta legislativa", disse o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE).

Aliados de Lula esperam um acordo para manter o poder dos parlamentares sobre as contas públicas da União, com ajustes pontuais e um período de transição sem solavancos.

"Em última análise, o Congresso é que tem a prerrogativa de votar o Orçamento. É possível modular as emendas sem cometer crime", disse o ex-governador e senador eleito Flávio Dino (PSB-MA), cotado para a equipe ministerial de Lula.

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*Com informações do Estadão Conteúdo.

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