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Na reta final da campanha, candidatos à Presidência da República chegam ao debate na Globo em clima de final de campeonato
A expectativa gerada pelo debate entre os presidenciáveis na Rede Globo, marcado para a noite desta quinta-feira, tem ares de final de campeonato.
Assim que o debate terminar, os eleitores ainda indecisos terão pouco mais de 48 horas para definir o que farão no domingo diante das 577 mil urnas eletrônicas espalhadas pelo país.
E a já manjada expressão “cada voto conta” talvez nunca tenha vindo tão a calhar como no processo eleitoral deste ano.
Se estivéssemos falando de futebol, é como se um jogo decisivo estivesse nos acréscimos. Um gol do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolve a disputa no tempo regulamentar. Um gol contra Lula e o presidente Jair Bolsonaro (PL) leva o confronto para a prorrogação.
As pesquisas de intenção de voto indicam que Lula estaria muito próximo do número mágico de 50% dos votos mais um para retornar ao Palácio do Planalto.
Nos últimos dias, depois de apoiadores de Lula terem passado a pregar o voto útil entre os simpatizantes de Ciro Gomes (PDT) na expectativa de viabilizar uma vitória do petista em primeiro turno, Bolsonaro contra-atacou.
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Num discurso direcionado ao público antipetista, o presidente tem pedido a esses eleitores que não anulem o voto nem votem em branco.
Embora Bolsonaro insista em desacreditar as pesquisas de intenção de voto, o objetivo da fala é aumentar o universo de votos válidos e dificultar uma possível vitória de Lula em primeiro turno.
De qualquer modo, polarização à parte, nem só de Lula e Bolsonaro será feito o debate na Globo.
Sete presidenciáveis foram convidados para o evento. O critério de escolha foi o de representatividade dos partidos no Congresso Nacional (bancada de pelo menos cinco parlamentares).
O pêndulo ideológico dos candidatos convidados aponta claramente para a direita. Isso não significa necessariamente que somente Lula será alvo de ataques de adversários.
Apresentado pelo PTB depois da impugnação da candidatura de Roberto Jefferson, Kelmon Souza saiu do anonimato direto para o folclore político no debate do último fim de semana, promovido em conjunto por SBT, CNN, Veja, Estadão e Nova Brasil. O padre que não é padre protagonizou o curioso caso do candidato que serve de cabo eleitoral para outro. Deve atuar novamente como linha auxiliar de Bolsonaro.
O candidato do Novo não conseguiu cativar os saudosos de João Amoêdo. O discurso ultraliberal, porém, é o mesmo. Tende a manter a estratégia de aproveitar o espaço proporcionado pelos debates para marcar posição.
Bolsonarista arrependida, a candidata do União Brasil tem conseguido projeção quando faz dobradinha com Simone Tebet ao atacar o comportamento misógino de Bolsonaro. Deve ficar de olho em novas oportunidades similares para projetar seu nome.
A candidata da chamada terceira via foi até agora a que melhor executou a estratégia de se posicionar como alternativa a Lula e Bolsonaro. Não se pode dizer, entretanto, que em algum momento a candidatura de Simone Tebet tenha decolado. Ainda assim, ela pode acabar beneficiada pelo fato de estar menos exposta do que Ciro Gomes à campanha pelo voto útil em Lula. Um desempenho parecido com o de debates anteriores e o terceiro lugar no primeiro turno pode passar de pretensão a realidade.
Dizem que chumbo trocado não dói. Mas Ciro Gomes sentiu. O pedetista chega à reta final do primeiro turno em seu pior momento ao longo de toda a campanha. Em 2018, quando pesquisas o apontavam como o único candidato capaz de derrotar Bolsonaro em segundo turno, Ciro buscou o voto útil de eleitores do petista Fernando Haddad. Não conseguiu.
Agora, ao ver seu eleitorado na mira de uma campanha similar por parte do PT, declara-se vítima de fraude. Sem conseguir se posicionar nem como o anti-Lula nem o anti-Bolsonaro, Ciro tende a usar o debate para mostrar que morreu atirando.
O presidente chega à reta final da campanha para o primeiro turno com uma expectativa de votação de aproximadamente 30%. Em circunstâncias normais, trata-se de um nível capaz de forçar um segundo turno. Mas não vivemos uma situação normal. Ao mesmo tempo em que Bolsonaro mantém o eleitorado raiz, a elevada rejeição a seu nome e a beligerância constante afastam indecisos.
Começou a campanha pela reeleição tentando mostrar um lado “paz e amor”, apostando na imagem da primeira-dama Michelle Bolsonaro para cativar o eleitorado feminino. Escorregou nos debates anteriores justamente na forma como tratou as candidatas Simone e Soraya.
Na reta final, aposta todas as fichas no antipetismo. Nos últimos dias, mirando aumentar o universo de votos válidos, Bolsonaro passou a chamar os eleitores a votarem “em alguém”, mesmo que não seja ele. Qualquer um que não seja Lula. O tom deve se manter no debate.
O ex-presidente passou todo o período eleitoral na liderança das pesquisas de intenção de voto. Apesar de toda a polarização, Lula fez a opção por não encarnar com a clareza que talvez se esperasse a figura do anti-Bolsonaro. Se não cresceu nas pesquisas, também não caiu. Ganhou fôlego na reta final graças a aliados convertidos na última hora, alguns deles inusitados, e à campanha de seus apoiadores pelo voto útil, mirando principalmente os eleitores de Ciro.
Depois de uma participação apagada no debate da Band e de ter-se ausentado no último fim de semana, Lula chega à Globo com chances reais de liquidar a fatura em primeiro turno, segundo a maioria das pesquisas. A tendência é que mire nos indecisos e naqueles que não querem Bolsonaro de jeito nenhum.
O debate terá início às 22h30 desta quinta-feira, 29 de setembro, logo depois da novela Pantanal.
O debate será mediado pelo jornalista William Bonner, editor-chefe do Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo.
A Rede Globo transmite ao vivo o debate em seu canal aberto de televisão, pelo Globoplay e pelo portal G1 na internet.
Pelo formato e pelas regras estabelecidas, é possível que o debate se estenda por mais de três horas, podendo terminar à 1h40 da madrugada de sexta-feira.
O debate será dividido em quatro blocos.
O formato será de confronto direto entre os candidatos. Ao contrário de outros debates, não haverá perguntas de jornalistas aos candidatos.
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