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Edinho Silva, um dos coordenadores de comunicação de Lula, diz que a campanha não vai entrar na disputa da pauta de costumes e religiosa com Bolsonaro
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra na segunda semana após o primeiro turno das eleições confiante de que os apoios anunciados ao ex-presidente irão se traduzir em votos.
A avaliação de Edinho Silva (PT), um dos coordenadores de comunicação da campanha de Lula, é de que Simone Tebet (MDB) será "decisiva" no interior de São Paulo.
A preocupação na campanha, segundo ele, é com a divulgação de informações falsas na véspera da eleição e com o poder da máquina pública em uso pelo seu adversário, Jair Bolsonaro (PL).
"Em alguns momentos nós não estamos enfrentando o candidato, estamos enfrentando o Estado brasileiro", afirmou Edinho, que é prefeito de Araraquara e está na linha de frente da campanha de Lula.
O petista, que foi secretário de comunicação social da Presidência no governo Dilma Rousseff (PT), diz que a campanha apenas "reagiu" ao associar Bolsonaro ao canibalismo e ao aborto. A seguir, trechos da entrevista.
Nós sempre reconhecemos que a campanha dele tinha força. Em 2018, Bolsonaro hegemonizou o discurso antissistema, mesmo tendo 30 anos de mandato de deputado, pela postura, pelo discurso. Nós sabíamos que um tsunami político tinha passado pelo Brasil em 2018 e que não se repetiria em 2022, mas que uma parte dessa movimentação orgânica permaneceria. Tínhamos uma leitura racional do que é que estamos enfrentando. O bolsonarismo é infinitamente maior do que o Bolsonaro.
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Penso que é ainda reflexo da onda final da campanha do Bolsonaro. Nós sabíamos que teríamos uma mobilização de voto útil pró-Lula, mas também uma mobilização de voto útil pró-Bolsonaro. E uma parte daqueles que se declaravam indecisos na verdade eram votos bolsonaristas envergonhados.
Essa onda na reta final foi pró-Bolsonaro e certamente ela repercutiu na primeira pesquisa, que, na verdade, é a fotografia da urna. Segundo turno é a disputa de ampliação e disputa de rejeição. Nós estamos fazendo todos os movimentos para ampliação. E acho que são consistentes.
A terceira colocada está conosco e o quarto colocado também está conosco. O movimento mais sólido de ampliação junto ao eleitorado é nosso.
O interior de São Paulo é historicamente mais conservador. O governador Geraldo Alckmin foi uma liderança importante no primeiro turno e tende a ser mais importante ainda no segundo turno. Nosso desempenho em São Paulo está muito além do que foi o nosso desempenho histórico. Ter o Haddad no segundo turno de forma tão competitiva é uma imensa vitória. Os apoios do Alckmin e da Simone Tebet (MDB) vão ajudar muito.
Ela é uma figura central. O apoio dela é extremamente importante, no interior de São Paulo, também na disputa de setores médios no Rio Grande do Sul, setores médios de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ela na televisão nos ajuda principalmente no diálogo com as mulheres dos setores médios, que se identificam muito com ela. Em São Paulo, ela é decisiva.
Só temos de minimamente ter condições de disputar com regras iguais, que é algo que não está acontecendo. Em alguns momentos nós não estamos enfrentando o candidato, estamos enfrentando o Estado brasileiro. Não existe na história brasileira nenhuma eleição que tenha usado tanto a máquina pública. É algo que coloca em xeque o instituto da reeleição.
Como um presidente usa a máquina como ele está usando e não há nenhuma reação do Poder Judiciário? É crime eleitoral atrás de crime eleitoral. Como fazem consignado com transferência de renda? É um negócio absurdo.
Não, não vamos entrar. Só o bolsonarismo consegue guerrear e sabe guerrear nesse ambiente. Nós ganhamos corações e mentes quando nós discutirmos a vida do povo brasileiro: inflação, desemprego, renda, perspectiva de futuro. Ele não tem projeto, por isso que ele vai sempre no debate de costumes.
Nós reagimos. No sábado (1º) ou domingo (2, da eleição) fizemos reunião da coordenação e falamos: "Vai vir um ataque violento nas redes sociais". A legislação brasileira precisa mudar. Você não pode ter uma avalanche de fake news em dois dias para influenciar o comportamento das pessoas. Isso é crime. Eu penso que inclusive o autor de fake news para influenciar em processo eleitoral deveria ser punido com rigor maior, porque se está ofendendo e ferindo a democracia.
O Janones não é da coordenação de comunicação da campanha. Mas ele é uma liderança nacional, era candidato à Presidência da República, e se construiu nas redes sociais, então ele tem legitimidade para dialogar nas redes.
Vai, ela está sendo construída.
Quando você amplia seu leque de apoio, tem que ampliar também sua concepção. Várias lideranças evangélicas que chegaram no segundo turno acham que é importante ter carta e ele está ouvindo.
Você não pode trazer apoio sem que você ouça os apoios. Se a Simone acha que é importante detalhar, nós vamos detalhar as propostas que ela acha importante, não tem problema nenhum.
Isso não tem a menor relevância. Em nenhum momento nunca foi nem conversado.
Acho impossível, pela concepção do presidente. Ele vai encontrar um Brasil destruído e isso não tem relevância para quatro anos de governo, porque o governo do presidente Lula será um governo de transição, ele já disse isso.
Será um governo que pegará o Brasil com as instituições destruídas, desorganizadas, com a democracia em risco, com todas as políticas públicas desorganizadas, o dinheiro sendo liberado no Brasil sem nenhum critério. O que tem é a liberação de dinheiro a esmo, sem nenhum critério, com finalidade de manutenção da governabilidade.
Então, o presidente pega um país desorganizado, com democracia realmente vulnerável, as instituições atacadas, desemprego, fome, miséria, exclusão. Enfim, essas são as prioridades do presidente. Por mais que muitas vezes esse debate apareça, ele não é um debate, nesse momento, fundamental da história brasileira.
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