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CEO da LVMH, Bernard Arnault, decidiu vender a aeronave particular após diversas contas passarem a rastreá-la nas mídias sociais

Ao que parece, é um consenso geral entre os milionários e bilionários: ninguém fica muito contente ao ver todos os seus movimentos acompanhados e divulgados nas redes sociais. Depois de Elon Musk e Taylor Swift, agora é a vez de Bernard Arnault, o segundo homem mais rico do mundo, se incomodar com o fato de ter seu jatinho particular rastreado.
O CEO da LVMH contou na segunda-feira (17) que decidiu vender a aeronave após diversas contas tentarem rastreá-la nas mídias sociais. Para escapar dos olhares, o magnata de luxo agora aluga aviões particulares.
“O grupo [LVMH] tinha um avião, e nós o vendemos. O resultado agora é que ninguém pode ver para onde vou, já que eu alugo as aeronaves particulares quando uso”, disse Arnault, em entrevista à rádio francesa Classique, de propriedade da LVMH.
Diversas contas foram criadas no Twitter no ano passado para rastrear e compartilhar as informações de voos de grandes bilionários com jatinhos particulares, com o intuito de alertar para os impactos das viagens sobre o meio ambiente.
Os perfis mais populares que seguem a atividade das aeronaves de Bernard Arnault — @IFlyBernard e @Laviondebernard —, porém, foram criados há apenas alguns meses como uma espécie de denúncia às emissões de poluentes causadas pelos voos dos jatinhos.
As publicações contam com informações sobre a trajetória das viagens, a duração dos voos e a quantidade de gás carbônico (CO2) emitida no percurso.
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Em tweet feito no começo de junho, o primeiro usuário disse que “os bilionários estão destruindo o planeta por meio de seu modo de vida”.
“Esta conta no Twitter tem a humilde ambição de expor uma pequena parte dela seguindo as rotas de seus aviões particulares ultrapoluentes.”
Em setembro, a conta @laviondebenard questionou o grupo LVMH, dono de marcas como Louis Vuitton e Dior, sobre a falta de dados de voos recentes. Isso porque, desde o começo do mês passado, o jato de Bernard Arnault que estava sendo rastreado desapareceu da lista de registro de aeronaves francesas.
Desde então, o avião foi visto apenas em um único voo de Londres para Munique em 22 de setembro para a "K5 Aviation", uma empresa de aviação alemã privada.
“O jato particular LVMH não é registrado na França desde 1º de setembro de 2022. Ainda não há notícias de Bernard Arnault ou LVMH sobre o assunto de jatos particulares. Então, Bernard, estamos nos escondendo?”
O filho do CEO da LVMH, Antoine Arnault, foi à defesa da empresa sobre o uso de jatos privados após Bernard sofrer duras críticas da imprensa francesa pelos impactos ambientais das viagens.
Na visão de Antoine — que hoje é chefe das marcas Berluti e da Loro Piana, ambas sob o guarda-chuva da LVMH —, o uso das aeronaves particulares concedeu ao grupo de varejo de luxo uma vantagem na corrida para ser o primeiro a chegar em novos produtos e negócios em potencial.
"O avião é uma ferramenta de trabalho. Nossa indústria é hipercompetitiva. Não encontramos nada melhor do que um jato particular para vencer essa corrida todos os dias e estar apenas um pequeno passo à frente dos nossos concorrentes.”
Dono de marcas de luxo como Louis Vuitton, Dior, Tiffany&Co, Givenchy e Sephora, Bernard Arnault é hoje um dos homens mais ricos do mundo; começou-se a dizer até que todos os caminhos em Paris levam a Arnault.
Atualmente com cerca de 150 mil funcionários, o império LVMH tornou-se a maior empresa da Europa, superando até mesmo a gigante alimentícia Nestlé.
O grupo registrou um faturamento de cerca de 18,7 bilhões de euros no segundo trimestre deste ano, um crescimento de 27% em relação ao mesmo período de 2021.
“Ainda somos pequenos. Estamos apenas começando. Isso é muito divertido. Somos o número um, mas podemos ir mais longe.”
Com uma riqueza formada a partir de joias e bolsas, Arnault tornou-se o segundo homem mais rico do planeta. Sua fortuna é estimada em US$ 151,8 bilhões, segundo o ranking em tempo real da Forbes.
Apesar de estar sob os holofotes agora, Bernard Arnault não foi o único bilionário investigado por suas viagens com jatos privados nos últimos meses.
No começo de 2022, Elon Musk ofereceu US$ 5 mil para um estudante universitário de 19 anos com experiência em tecnologia encerrar a conta que havia criado no Twitter, @ElonsJet.
O perfil fornecia atualizações regulares sobre os voos feitos pelo CEO da Tesla em seu avião particular.
A justificativa do bilionário para derrubar o perfil era que disse que o site representava um risco para sua segurança. “Não gosto da ideia de levar um tiro de um maluco”, escreveu Musk ao jovem, em mensagem privada.
O estudante, porém, recusou a oferta de US$ 5 mil — e exigiu um montante dez vezes maior, de US$ 50 mil, do chefe da Tesla.
Em julho deste ano, a cantora Taylor Swift também foi alvo de críticas por seu jato particular ter liderado uma lista das aeronaves que causaram grandes pegadas de carbono. O avião realizou 170 voos entre 1 de janeiro e 29 de julho de 2022, emitindo 8.294 toneladas de CO2.
Na época, porém, os porta-vozes da artista afirmaram que o "avião era regularmente emprestado para outras pessoas".
A lista de ricaços criticados pelo uso intenso de aeronaves particulares é longa, e inclui nomes como Kylie Jenner, Drake, Mark Zuckerberg, Bill Gates, Steven Spielberg e Oprah Winfrey.
*Com informações de Bloomberg, Fortune e Le Monde
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