Lula ou Bolsonaro? Por que os gestores de fundos ficaram pessimistas com ambos
Reclamação principal é quanto a falta de clareza dos programas de governo tanto de Lula quanto de Bolsonaro

Um presidente que tenta aprovar medidas populistas para conseguir se reeleger e um ex-presidente que quer voltar ao cargo prometendo abrir mão do arcabouço fiscal.
Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva disputam praticamente sozinhos o Planalto, para a tristeza do mercado financeiro, que vê com maus olhos as promessas de aumento de gastos de ambos.
Na pesquisa mensal da série “Os Melhores Fundos de Investimento”, comandada pelo analista Bruno Mérola, da Empiricus, as principais gestoras de investimentos do Brasil se mostraram pessimistas com os riscos fiscais do país no próximo governo.
A 80 dias do primeiro turno das eleições, os gestores reclamam da falta de clareza dos programas de governo dos dois principais candidatos e observam com olhar de desaprovação o aumento do populismo fiscal.
- Quer ter acesso à série “Os Melhores Fundos de Investimento”? Clique aqui.
O que Lula diz
Fazendo um breve retrospecto, temos à esquerda Lula prometendo revogar o teto de gastos e revisar a reforma trabalhista realizada após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
Leia Também
Ao mesmo tempo, Lula disse em reportagem publicada pelo Financial Times no dia 11 de julho que aprendeu “muito jovem com minha mãe analfabeta que não podia gastar mais do que ganhava.”
Ou seja, não dá para saber exatamente quais os planos de Lula para o fiscal.
O que Bolsonaro está fazendo
À direita, temos Bolsonaro, que ganhou o coração da Faria Lima em 2018 prometendo um governo liberal e colocando Paulo Guedes como ministro da economia.
Porém, o atual governo já furou o teto de gastos algumas vezes. Primeiro com a PEC dos Precatórios, no final do ano passado, e, mais recentemente, com a apelidada PEC Kamikaze.
Ambas as medidas contribuíram para quebrar a confiança que o mercado financeiro depositou no governo.
E o que dizem os gestores
Para os gestores do Kapitalo Zeta, os programas em discussão no Congresso devem elevar as despesas do governo a ponto de gerar uma queda da inflação deste ano. Porém, eles ainda enxergam piora do quadro de aumento de preços por dois motivos:
- A ociosidade da economia parece ser bem menor que o esperado;
- Medidas fiscais tendem a impactar negativamente a inflação de curto prazo, mas aumentar a pressão nos preços de médio-longo prazo.
A Kinea Capital engrossa o coro, dizendo que a inflação corrente continua pressionada em meio a uma âncora fiscal fragilizada.
“Investir no país tem sido balancear pelo lado positivo preços atrativos e alta estrutural de commodities e pelo lado negativo a ausência de uma âncora fiscal crível para enfrentar mares externos turbulentos”, escreveram os gestores da Kinea em sua carta mais recente.
Junho/22 foi um mês para esquecer
Incerteza fiscal à parte, o bom desempenho dos fundos multimercado neste ano foi posto à prova no mês passado, no qual várias estratégias tiveram queda relevante.
O Vista Multiestratégia, que vem se destacando com folga na indústria, teve a primeira queda do ano em junho, de 5,2%.
De acordo com a gestora, a perda foi explicada pelo descasamento do hedge aplicado em juros desenvolvidos com a principal posição do fundo, o petróleo.
- No primeiro episódio do Market Makers, novo podcast de Thiago Salomão e Renato Santiago, o gestor da Vista João Landau explica como funciona a estratégia. Clique aqui para saber mais.
O Verde foi outro que ficou no negativo em junho, com queda de 1,86%. Segundo a gestora de Luis Stuhlberger, as perdas vieram da exposição em bolsa local, da posição comprada em real e das posições em commodities.
“O real se desvalorizou de maneira importante, as taxas de juros se mantêm pressionadas, mas os políticos continuam numa espécie de metaverso brasiliense, onde o populismo é moeda corrente e a única coisa que importa é a eleição”, disse a Verde em carta enviada a clientes.
Quem conseguiu se manter em alta em junho foram os fundos multimercado da SPX. O SPX Nimitz e o SPX Raptor tiveram ganho de 2,4% e 3,7%, respectivamente.
De acordo com a gestora de Rogério Xavier, as contribuições positivas para a performance do Nimitz foram nos mercados de ações e moedas. Já as contribuições negativas foram nos mercados commodities, crédito e juros
Dos fundos indicados pela equipe da Empiricus, selecionamos 10 para mostrar como está a rentabilidade no ano até agora.
| Fundo | Rentabilidade no ano (até 30/06) |
| Vista Multiestratégia | 39,1% |
| SPX Raptor | 40,8% |
| SPX Nimitz | 21,6% |
| Legacy Capital B | 18,5% |
| Vista Hedge | 16,2% |
| Vinland Macro Plus | 20,2% |
| Ibiuna Hedge STH | 13,7% |
| Kapitalo K10 | 12,9% |
| Gávea Macro Plus | 16,5% |
| Absolute Vertex Verde | 13,9% 7,6% |
| CDI | 5,4% |
CASA PRÓPRIA
De olho na classe média, faixa 4 do Minha Casa Minha Vida começa a valer em maio; saiba quem pode participar e como aderir
21 de abril de 2025 - 7:00AÇÃO DO MÊS
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
3 de abril de 2025 - 6:10DE OLHO NAS REDES
Liberdade ou censura? Até que ponto as redes sociais devem “deixar rolar”: uma discussão sobre Tigrinho, ódio e mentiras
16 de fevereiro de 2025 - 8:00DE OLHO NAS REDES
Solidão, futuro cancelado e as corridas de 10 km: o mundo visto pelas lentes do Instagram e do TikTok em 2024
22 de dezembro de 2024 - 8:00MONEY MONEY MONEY!
Quem é Justin Sun, o bilionário das criptos que virou sócio em sonho pessoal de Trump e comeu a banana mais cara da história
29 de novembro de 2024 - 18:41DE OLHO NAS REDES
Jovens conservadores: a Geração Z está desiludida a esse ponto? De onde vem a defesa de ‘valores tradicionais’ nas redes sociais?
24 de novembro de 2024 - 8:00DE OLHO NAS REDES
Eleições de 2024: Enquanto todos temiam a inteligência artificial, foi a picaretagem à moda antiga que marcou a campanha
27 de outubro de 2024 - 8:00DE OLHO NAS REDES
Da tolerância e outros demônios: como o Instagram e o TikTok estão mudando nossa relação com a arte?
25 de agosto de 2024 - 8:00DE OLHO NAS REDES
Por que os influencers viraram “a voz de Deus” nas redes sociais — e como a parcela dos ‘sem escrúpulos’ prejudicam o próprio público
21 de julho de 2024 - 8:00DE OLHO NAS REDES
Quanto de mim e de você tem no ChatGPT? Como nossos dados viraram o novo petróleo desta revolução
23 de junho de 2024 - 9:06HISTÓRIA
Lula e Bolsonaro estavam errados sobre o Plano Real — e eles tinham um motivo para isso 30 anos atrás
4 de junho de 2024 - 6:19AUTOMÓVEIS
Os carros mais injustiçados do Brasil: 7 modelos de bons automóveis que andam empacados nas concessionárias — mas talvez não seja à toa
2 de junho de 2024 - 7:50DE OLHO NAS REDES
Por que tem tanta gente burra nas redes sociais? Você provavelmente é o mais inteligente do seu círculo — qual é o problema oculto disso
26 de maio de 2024 - 8:00DE OLHO NAS REDES
Como nossos pais: o TikTok não está oferecendo nada além do ultrapassado — e os jovens adoram. Mas por que achamos que seria diferente?
28 de abril de 2024 - 8:00DE OLHO NAS REDES
O que o TikTok, Instagram e Facebook têm a ver com as guerras em Gaza e na Ucrânia
17 de março de 2024 - 8:25DE OLHO NAS REDES
A morte da internet, o caso Choquei e o crime sem solução: o que Trump tem a ver com isso — e os desafios para redes em 2024
14 de janeiro de 2024 - 8:00DE OLHO NAS REDES
Pesquisei como ganhar R$ 1 mil por mês sem trabalhar — e a resposta mais fácil não estava no Google e sim no TikTok
17 de dezembro de 2023 - 8:00DE OLHO NAS REDES
O WhatsApp criou mais um arma para espalhar mentiras ou os canais ajudam a quebrar o monopólio do “tio do zap”?
22 de outubro de 2023 - 9:30DE OLHO NAS REDES
Os bilionários piraram? Elon Musk e Mark Zuckerberg ameaçam brigar no ringue, mas tomam nocaute em suas redes sociais
27 de agosto de 2023 - 7:00Onde investir em 2023?