Vale (VALE3) registra lucro líquido de US$ 4,45 bilhões no terceiro trimestre, queda de 18,7%, mas acima das expectativas do mercado
Apesar do lucro maior do que o previsto, Vale (VALE3) foi afetada pelo aumento de custos e desaceleração da economia chinesa

A Vale (VALE3) divulgou na noite desta quinta-feira (27) seus resultados referentes ao terceiro trimestre do ano. A mineradora apresentou um lucro de US$ 4,45 bilhões, baixa de 18,7% na comparação com igual período do ano passado.
O BTG Pactual projetava um lucro de aproximadamente US$ 2,5 bilhões, enquanto a XP indicava US$ 2,7 bilhões.
Já a receita líquida da Vale foi de US$ 9,9 bilhões, uma queda de 19,5% se comparado com o terceiro trimestre do ano passado. Aqui, o resultado veio em linha com as expectativas.
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O ponto de maior preocupação até agora foi o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização na sigla em inglês) ajustado das operações continuadas, que totalizou US$ 3,7 bilhões, baixa de 47% contra igual período de 2021. Neste caso, o BTG projetava US$ 4,9 bilhões e a XP US$ 4,6 bilhões.
Entre outros dados negativos, houve alta de 13,7% na linha de custos e despesas, que chegaram a US$ 6,7 bilhões. Aqui, os maiores impactos vieram do maior gasto com combustível e menor disponibilidade de fino do minério de ferro.
Explicando os números da Vale (VALE3)
A redução nas receitas da Vale (VALE3) e também no Ebitda é explicada pela desvalorização do minério de ferro, pressão de custos da produção e a desaceleração da economia chinesa, algo já previsto pelos analistas.
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A própria mineradora também já havia sinalizado isso há alguns dias, quando divulgou sua prévia operacional.
"O prêmio de minério de ferro totalizou US$ 6,6 por tonelada, ante US$ 7,3 no segundo trimestre deste ano, devido aos menores prêmios de mercado para produtos com baixo teor de alumina e à ausência de dividendos sazonais das joints ventures”, disse a Vale em seu release de resultados.
De acordo com o balanço da mineradora, o preço médio de finos de minério vendido ao longo do terceiro trimestre deste ano foi de US$ 92,6 por tonelada. Um ano antes, esse valor era de US$ 127,2. No segundo trimestre deste ano, um pouco mais abaixo em US$ 113,3.
Na comparação anual, o preço do minério de ferro da Vale caiu 27,2%.
Esses números ajudam a explicar como a desvalorização da matéria-prima pesou no balanço da companhia, algo que ainda deve demorar para ser revertido, uma vez que a commodity já opera abaixo dos US$ 90 por tonelada.
Divisão de metais básicos vai bem
Um dos destaques do balanço da Vale foi a divisão de metais básicos, que viu sua receita líquida aumentar 60,9% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2021. No total, ela chegou a US$ 1,25 bilhão, enquanto o Ebitda somou US$ 198 milhões, um crescimento de 108,4%.
No mês passado, chamou a atenção do mercado o fato de a mineradora estar tentando vender uma participação minoritária de seus negócios em metais. A fatia, entre 10% e 15%, é avaliada em US$ 2,5 bilhões.
Assim, a mineradora busca aumentar sua produção de metais básicos, mais demandados conforme a procura por soluções de energia limpa também crescem — e que já traz bons resultados no balanço. A própria companhia estima que a demanda global por níquel irá crescer 44% até 2030.
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