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Liliane de Lima

É repórter do Seu Dinheiro. Jornalista formada pela PUC-SP, já passou pelo portal DCI e setor de análise política da XP Investimentos.

SURFANDO EM ONDA RARA

Take Blip aposta em aquisições e crescimento fora do país após receber aporte de US$ 70 milhões em meio à crise das startups

É o segundo aporte da Warburg Pincus na empresa de soluções de software; a Take Blip caminha para a expansão internacional e formação de ecossistema de parceiros

Liliane de Lima
8 de junho de 2022
11:21 - atualizado às 22:47
roberto oliveira, CEO da Take Blip
Roberto Oliveira, CEO da Take Blip - Imagem: Divulgação/Take Blip

A maré não está nada favorável para as startups, mas a Take Blip conseguiu surfar uma rara onda boa e fechou uma captação de US$ 70 milhões (R$ 342,3 milhões). Trata-se da segunda rodada de aporte (série B) da empresa que oferece soluções de comunicação para empresas nos últimos dois anos.

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Os recursos vieram da Warburg Pincus, gestora americana de private equity que já havia aportado outros US$ 100 milhões na companhia, em outubro de 2020. A empresa não revelou por quanto foi avaliada nesta nova rodada de captação.

A Take Blip tem cara de startup, mas já possui mais de 23 anos de atuação. A empresa conta com uma base de aproximadamente 3 mil clientes. Entre os principais clientes estão Itaú Unibanco, Coca-Cola, Nestlé, Hermes Pardini, Empiricus, Dell, General Motors e Mercado Pago.

A plataforma da empresa facilita a comunicação entre clientes e empresas por meio de inteligência artificial. Com certeza, você já se deparou com um ícone no final de algum site, o chatbox, que responde instantaneamente dúvidas apenas com palavras-chave.

Isso também pode ser disponibilizado dentro do próprio aplicativo de mensagens — como o WhatsApp e o Facebook Messenger — em que a interação inicial é feita por robôs que, inclusive, podem responder e encaminhar para um atendimento com algum colaborador.

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Esse intermédio no atendimento é, em uma explicação mais simples, o trabalho da Take Blip.

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Resultados positivos

A busca por um segundo aporte começou no final do ano passado, quando a taxa de juros ainda estava abaixo dos dois dígitos, afirmou Roberto Oliveira, CEO da Take Blip, em entrevista ao Seu Dinheiro.

O dinheiro novo vai ajudar a manter o ritmo de crescimento da companhia, que dobra de tamanho a cada ano, segundo Oliveira.

A empresa já ultrapassou a marca de US$ 100 milhões em Receita Anual Recorrente (ARR) — que é calculada com a receita do mês e multiplicada por 12 (meses) — neste ano. A meta é passar dos US$ 125 milhões ainda em 2022, ainda de acordo com o CEO da Take Blip.

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Ao contrário da onda de demissões que vêm acontecendo nas startups, a expectativa da Take Blip vai contra a maré. A empresa tem realizado entre sete e dez contratações por mês para o aprimoramento da plataforma, que já tem um time formado por 400 pessoas.

Take Blip com as malas prontas

Com o dinheiro novo do aporte, a Take Blip pretende colocar em prática o plano de internacionalização — que começou em janeiro deste ano, com a contratação de Hugo Barra, ex-Facebook e Xiaomi, para entrar no mercado americano.

A Take Blip tem um desafio de adaptar a plataforma ao público nos EUA, já que o carro-chefe da empresa é a comunicação empresarial por meio do WhatsApp, que não é um canal dominante por lá.

Mas a internacionalização não deve ficar só na terra do Tio Sam. A companhia deve expandir as operações na América Latina, sobretudo no México e na Colômbia — países em que o WhatsApp é um player dominante. “É uma oportunidade gigantesca, então estamos fazendo isso com muito cuidado”, disse Oliveira.

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De olho em aquisições

A Take Blip também está de olho em oportunidades de aquisições, tanto para aprimorar o escopo das atividades quanto sob a perspectiva geográfica. Segundo o CEO, a empresa pretende anunciar mais uma ou duas aquisições até o final do ano.

No início deste ano, a Take Blip fechou a compra da Stilingue, empresa de monitoramento de redes sociais.

“Essa aquisição foi um caso bem interessante, porque ampliou o nosso escopo, trouxe uma carteira de clientes e tinha uma receita super relevante que, inclusive, está ajudando no crescimento e na receita que a gente espera ter neste ano.”

Além disso, a empresa quer investir na formação de um ecossistema de parceiros. “Essa é uma das grandes prioridades, que é diferente do que pensamos em 2020 e 2021. No primeiro round, a gente não estava apostando nisso”, afirma Roberto Oliveira.

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Esse ecossistema, de forma prática, é a parceria com agências digitais e empresas de prestação de serviços no desenvolvimento de software. "O principal objetivo é construir empresas que prestam serviços para os nossos clientes através da plataforma."

Vem IPO?

Apesar do crescimento acelerado, a Take Blip não projeta a abertura no mercado antes da consolidação internacional. Mas a expectativa não é virar um unicórnio, ou seja, ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão, já no próximo ano e sim "uma empresa de dezenas de milhões de dólares".

“Para este ano, queremos iniciar as nossas negociações internacionais e no ano que vem, eu diria, a meta é dobrar a nossa receita e [alcançar um valuation] de US$ 1 bilhão, uma boa ambição para 2023.”

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