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Para os analistas do banco, notícias negativas envolvendo a Petrobras (PETR4) e incertezas justificam a revisão
A maré realmente não anda das melhores para a Petrobras (PETR4) desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Afinal, a estatal esteve no centro de diversas denúncias de corrupção e má gerência durante os governos petistas e isso basta para acender um alerta. E quanto mais incertezas sobre seu futuro, pior o humor dos investidores.
De olho nisso, o Bradesco BBI cortou a recomendação dos papéis de compra para neutro, com o preço-alvo das ações preferenciais indo de R$ 53 para R$ 26 — potencial de valorização de 11,5% se considerado o fechamento desta terça-feira (13).
Também foram revisadas as projeções dos recibos de ação (ADRs) da Petrobras negociadas nos Estados Unidos: de US$ 20 para US$ 10 — baixa de 33% tendo o fechamento de hoje como base.
A principal razão para as mudanças é previsível, diante do fluxo de notícias ruins envolvendo a empresa nas últimas semanas, todas com um pano de fundo político.
Em relatório, os analistas afirmam que as maiores preocupações estão na possibilidade de mudanças nas políticas de preços e de dividendos da Petrobras.
Eventuais revisões da Lei das Estatais também são monitoradas pela equipe — o assunto, inclusive, estremeceu o mercado no primeiro pregão desta semana diante do risco de governança.
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Segundo o relatório, o novo preço-alvo considera um retorno de dividendos de 15% para 2023, com a porcentagem de pagamento reduzida de 60% para 50%. Isso aconteceria porque Lula já se declarou contra os pagamentos de dividendos exorbitantes, pois acredita que os recursos também deveriam ser utilizados para investir mais em refino e transição energética.
A equipe do banco ainda ressalta que hoje a Petrobras é negociada a 2 vezes o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e 2,5 vezes o múltiplo preço/lucro, o que implica um desconto de 35% a 60% na comparação com seus pares globais.
Pensando nisso, o Bradesco BBI prefere outras empresas do setor no Brasil, como PRIO (PRIO3) e 3R Petroleum (RRRP3), já que ambas não sofrem com questões políticas. A recomendação para esses papéis é de compra.
Em linha com a queda de 2,47%, a R$ 23,32 no fechamento de hoje, os papéis PETR4 estão sendo bastante penalizados diante de tantas incertezas e ruídos políticos.
No pregão anterior, o papel chegou a cair mais de 5% e arrastou o Ibovespa junto. O movimento de venda aconteceu após uma notícia veiculada pelo colunista Lauro Jardim, d'O Globo, informar que Aloizio Mercadante pode assumir a presidência da estatal.
Uma das dúvidas é se o ex-ministro se encaixaria nos pré-requisitos da Lei das Estatais para ocupar o cargo. Uma das especulações — e que ajudou a pressionar o Ibovespa — é a de que o governo eleito tem planos de revogar a lei.
A possibilidade de que ele assuma a petroleira parece assustar, dada a importância da empresa, pelo fato de ser um cargo bastante estratégico e pelo histórico das gestões petistas na estatal.
O atual presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, vai deixar o cargo para assumir como secretário de Gestão e Governo Digital do Estado de São Paulo a partir de 2023. O anúncio ocorreu na semana passada pelo governador eleito Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Neste ano, as ações da estatal têm ganhos de 34,22%, enquanto no mês as perdas são de 4,14%. Em boa parte, o movimento é explicado pela volatilidade pós-eleitoral, já que o mercado fica bastante receoso diante das dúvidas em relação ao próximo governo e a falta de definição sobre cargos e ministérios.

De acordo com dados compilados pela plataforma TradeMap, das dez recomendações existentes para PETR4, uma é de venda, três são de compra e seis são de manutenção.
De acordo com a empresa, a gestão de Reynaldo Passanezi Filho, que deixa o cargo, foi marcada por um ciclo de crescimento da companhia, avanços em eficiência operacional e investimentos em níveis recordes
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