Mais um casamento à vista: Rede D’Or compra SulAmérica Seguros; saiba o que muda para o acionista
Negócio deve ser um dos maiores do ano e segue a movimentação intensa de fusões e aquisições no setor de saúde nacional

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Se os votos durarão até que a morte as separe, ainda não dá para saber, mas a Rede D'Or comprou a SulAmérica Seguros, a maior seguradora independente do Brasil. Os conselhos de administração das duas empresas aprovaram a transação nesta quarta-feira (23).
O casamento entre as empresas é relâmpago e é fruto de uma negociação que começou há pouco mais de uma semana, segundo noticiou o jornal O Globo.
E tudo indica que a aquisição deve ser uma das maiores de 2022. A SulAmérica tem cerca de 7 milhões de clientes e em 2021 registrou um lucro líquido de R$ 332,7 milhões - uma queda de 58% em relação a 2020.
O enlace com a Rede D'Or
De acordo com comunicado, a base acionária da SulAmérica será incorporada pela Rede D’Or. Com isso, os acionistas da seguradora receberão papéis da operadora hospitalar.
Essa relação de troca leva em consideração o preço de fechamento das ações da SulAmérica no dia 18 de fevereiro, quando fecharam em R$ 8,52, mais um prêmio de 49,3% sobre as units.
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Após a incorporação, os acionistas da SulAmérica receberão ações equivalentes a 13,5% do capital da Rede D'Or, avaliada em R$ 111,575 bilhões na bolsa no fechamento de hoje.
Esse percentual levaria à emissão de 307,7 milhões de novas ações da Rede D'Or, que seriam destinadas aos acionistas da seguradora, hoje avaliada R$ 10,3 bilhões no mercado. Assim, para cada 100 papéis da SulAmérica, os acionistas receberiam 25,61 papéis da rede hospitalar.
Multa bilionária
Como em todo casamento, espera-se que os cônjuges sejam fiéis. Neste caso, a SulAmérica assumiu uma obrigação de exclusividade com a Rede D'Or por um período de 12 meses. A multa caso a seguradora negocie com outros compradores é de R$ 5 bilhões.
Outro compromisso, assumido pelos controladores, é de 18 meses e prevê uma multa de R$ 2 bilhões caso rompam com o compromisso de votar de forma contrária a qualquer operação concorrente que seja submetida à assembleia geral da SulAmérica.
Rede D'Or casa, mas segue independente
Casadas sim, mas independentes. Pelos termos do acordo, as duas empresas atuarão de forma separada. Na área de saúde suplementar, será mantida a independência.
A SulAmérica, portanto, continuará com seus negócios nos planos de saúde, de seguros de vida e outros. Assim como o negócio de gestão de ativos, pelo qual oferta vários fundos de investimentos.
A transação será submetida à assembleia geral das duas empresas, sem data marcada, e aos órgãos reguladores como Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Setor de saúde está movimentado
O setor de saúde tem visto uma movimentação de fusões e aquisições. Uma das mais recentes envolveu a Hapvida (HAPV3), que mal concluiu a fusão com o Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3) e comprou o Grupo Smile.
O negócio, que envolveu a operadora de saúde que tem foco na região Nordeste, foi avaliado em R$ 300 milhões.
Também de olho no Nordeste, a Mater Dei (MATD3) anunciou neste mês a compra de 95% do EMEC (Empreendimentos Médico Cirúrgicos), um hospital tradicional da região de Feira de Santana.
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