Itaú (ITUB4) acelera na reta final do ano e tem lucro 45% maior em 2021; crédito chega a R$ 1 trilhão
No quarto trimestre, o lucro recorrente do banco aumentou 32,9% e atingiu R$ 7,159 bilhões, acima do esperado pelo mercado

Na contramão dos principais concorrentes privados, o Itaú Unibanco (ITUB4) acelerou nos últimos três meses de 2021 e registrou lucro líquido de R$ 26,9 bilhões em 2021, alta de 45% em relação ao ano anterior.
No quarto trimestre, o lucro recorrente do banco aumentou 32,9% e atingiu R$ 7,159 bilhões. O resultado veio acima da estimativa do mercado, que apontava para um lucro de R$ 6,696 bilhões.
Com a melhora no lucro, a rentabilidade sobre o patrimônio (ROAE, em inglês) do Itaú subiu de 14,5% para 19,3% em 2021. No quarto trimestre, o retorno foi de 20,2%.
O Itaú permaneceu atrás do Santander (SANB11) na competição particular de banco mais rentável no ano, mas reconquistou a primeira posição no quarto trimestre. A unidade brasileira do banco espanhol fechou 2021 com retorno de 21,2% no ano e de 20% entre outubro e dezembro.
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Itaú atinge R$ 1 trilhão no crédito
O Itaú pisou no acelerador e atingiu a marca de R$ 1 trilhão na carteira de crédito. Mais precisamente R$ 1,027 trilhão, o que representa um avanço de 6,7% no trimestre e de 18,1% em 12 meses.
O resultado ficou bem além da estimativa de crescimento dada pelo banco, que variava entre 8,5% e 11,5% em 2021.
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Com a alta no crédito, a margem financeira do Itaú aumentou 20,6% e atingiu R$ 21,2 bilhões. Essa linha do balanço contabiliza a receita obtida na concessão de financiamentos menos o custo de captação e o resultado da tesouraria.
Mesmo com o avanço no crédito, o índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu comportado e encerrou o ano em 2,5%, uma queda de 0,1 ponto percentual no trimestre e 0,2 ponto acima do patamar de dezembro de 2020.
“Esperamos expandir nossa carteira de crédito de forma sustentável e retomar os resultados recorrentes em níveis superiores aos de antes da pandemia. Nossa perspectiva para 2022 considera a manutenção da trajetória de recuperação e de bons resultados que obtivemos no ano passado”, afirmou Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú.
[captacao]
Tarifas e despesas
As receitas do Itaú com prestação de serviços e seguros aumentaram 5,8% em relação a 2020 e ficaram dentro das projeções mesmo sem a ajuda dos números da XP, que foi separada do banco no meio do ano passado.
Na concorrência com as fintechs, as novas empresas de tecnologia financeira, o banco conseguiu avançar na área de cartões, mas registrou queda nas receitas com conta-corrente.
O Itaú também destacou o crescimento do Iti, o banco digital voltado para clientes que não se relacionam com o banco, que atingiu 14,6 milhões de clientes no fim de 2021.
Do lado das despesas, houve um crescimento de 2%, num ritmo menor que as receitas e também que a inflação, que bateu nos 10% em 2021.
Itaú vai desacelerar, mas sem perder a rentabilidade
Mas quem se animou com o ritmo forte dos negócios do Itaú pode se desapontar com algumas projeções (guidance) fornecidas pelo banco para 2022.
O Itaú projeta um aumento de "apenas" entre 9% e 12% para a carteira de crédito neste ano. Foi essa estimativa mais fraca que ajudou a derrubar as ações do Bradesco após a divulgação do balanço.
A margem nos empréstimos deve continuar crescendo forte mesmo assim, mas o Itaú já antecipa que a tesouraria deve entregar um resultado menor em razão do impacto do índice de hedge do índice de capital.
E para os que temiam que o Itaú partisse para um "vale tudo" na disputa contra as fintechs, o banco também colocou entre as metas manter uma rentabilidade "sustentável" em torno de 20%.
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