Zuckerberg longe da meta: Dona do Facebook e do Instagram capota após resultados do terceiro trimestre
A empresa de Zuckerberg sente a ampla desaceleração nos gastos com anúncios online, desafios da Apple com a atualização de privacidade do iOS e aumento da concorrência do TikTok

Ainda não foi dessa vez que a Meta, a holding que controla o Facebook e o Instagram, conseguiu convencer o mercado sobre sua performance. A empresa de Mark Zuckerberg vê suas ações despencarem mais de 22% nesta quinta-feira (27), depois de caírem mais de 12% no after market ontem em Nova York, pressionadas pela divulgação dos resultados do terceiro trimestre.
Os grandes vilões da vez foram o lucro líquido abaixo do esperado pelos investidores e uma previsão mais branda para o quarto trimestre de 2022.
Entre julho e setembro, a Meta teve lucro líquido de US$ 4,4 bilhões, o que representa uma queda de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro por ação ajustado saiu de US$ 3,22 para US$ 1,64.
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A receita também veio menor na comparação anual, porém acima do que era projetado: US$ 27,7 bilhões no terceiro trimestre, uma baixa de 4% em relação ao mesmo período de 2021.
A expectativa, segundo projeções da Refinitiv era:
- Lucro por ação: US$ 1,89
- Receita: US$ 27,38 bilhões
O número de usuários ativos, uma métrica que sempre chama atenção do mercado, veio dentro do projetado pela StreetAccount:
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- Usuários ativos diários (DAUs): 1,98 bilhão contra 1,98 bilhão esperado
- Usuários ativos mensais (MAUs): 2,96 bilhões contra 2,94 bilhões esperados
"No geral, o resultado confirmou a desaceleração da indústria de advertisement, visto anteriormente no resultado do Snapchat e do Google (mais precisamente, no Youtube) e não pode ser lido como algo positivo", fiz o analista da Empiricus, Richard Camargo.
Por volta de 12h51 desta quinta-feira (27), as ações da Meta recuavam 22,88%, cotadas a US$ 100,15. Os BDRs M1TA34 recuam 24,76%, a R$ 18,96.
A previsão fraca também pesou
Além do lucro abaixo do esperado, as ações da dona do Facebook foram castigadas pelas projeções mais fracas para o quarto trimestre.
Segundo a empresa, a receita nos últimos três meses do ano deve ficar entre US$ 30 bilhões e US$ 32,5 bilhões — abaixo dos US$ 33,6 bilhões obtidos no quarto trimestre de 2021.
A estimativa considera um efeito cambial negativo de cerca de 7% na comparação anual, de acordo com a Meta.
Fato é que a empresa de Zuckerberg está enfrentando uma ampla desaceleração nos gastos com anúncios online, desafios da Apple com a atualização de privacidade do iOS e aumento da concorrência do TikTok.
Embora a Meta esteja investindo pesadamente em no Reels — o serviço de vídeos curtos do Instagram — para afastar os usuários do TikTok, o produto está nas primeiras etapas de geração de receita e não é tão lucrativo quanto os principais recursos do Facebook, como Stories e feed de notícias.
"Olhando o copo meio cheio, os resultados também mostram que a Meta tem conseguido se adaptar à sua maior ameaça, o TikTok", afirma Camargo.
Por isso, a Meta está tentando tornar os Reels mais atraente para os anunciantes, adotando novos formatos de anúncios destinados a oferecer às empresas opções aprimoradas para promover seus produtos por meio de vídeos curtos.
A dona do Facebook também estreou recentemente novas maneiras de anunciar no Instagram e no Messenger, o que poderia aumentar a receita geral.
Ações da dona do Facebook capotam
Assim que os resultados da Meta foram conhecidos, as ações capotaram mais de 12% no after market em Nova York.
Mas não é de hoje que os papéis estão apanhando: no ano acumulam baixa de 62% — mais que o dobro da queda no Nasdaq — e muitos analistas estão céticos em relação às perspectivas da empresa para 2023.
O Bank of America, por exemplo, rebaixou recentemente a Meta de compra para neutro e disse em nota que “espera que os cortes no orçamento dos anunciantes no início de 2023 afetem a confiança e aumentem a incerteza” após a atualização da Apple.
Camargo lembra que negociado a 12 vezes os lucros estimados para os próximos 12 meses e realizando investimentos bilionários em realidade aumentada, as ações da Meta são uma das principais posições do MoneyBets Metaverso, o portfólio da Empiricus focado em apostas altamente especulativas.
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