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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

BALANÇOS

Zuckerberg longe da meta: Dona do Facebook e do Instagram capota após resultados do terceiro trimestre

A empresa de Zuckerberg sente a ampla desaceleração nos gastos com anúncios online, desafios da Apple com a atualização de privacidade do iOS e aumento da concorrência do TikTok

Carolina Gama
26 de outubro de 2022
17:59 - atualizado às 12:55
mark zuckerberg
Imagem: Shutterstock/Montagem Felipe Alves

Ainda não foi dessa vez que a Meta, a holding que controla o Facebook e o Instagram, conseguiu convencer o mercado sobre sua performance. A empresa de Mark Zuckerberg vê suas ações despencarem mais de 22% nesta quinta-feira (27), depois de caírem mais de 12% no after market ontem em Nova York, pressionadas pela divulgação dos resultados do terceiro trimestre

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Os grandes vilões da vez foram o lucro líquido abaixo do esperado pelos investidores e uma previsão mais branda para o quarto trimestre de 2022. 

Entre julho e setembro, a Meta teve lucro líquido de US$ 4,4 bilhões, o que representa uma queda de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro por ação ajustado saiu de US$ 3,22 para US$ 1,64. 

A receita também veio menor na comparação anual, porém acima do que era projetado: US$ 27,7 bilhões no terceiro trimestre, uma baixa de 4% em relação ao mesmo período de 2021. 

A expectativa, segundo projeções da Refinitiv era:

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  • Lucro por ação: US$ 1,89 
  • Receita: US$ 27,38 bilhões 

O número de usuários ativos, uma métrica que sempre chama atenção do mercado, veio dentro do projetado pela StreetAccount: 

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  • Usuários ativos diários (DAUs): 1,98 bilhão contra 1,98 bilhão esperado
  • Usuários ativos mensais (MAUs): 2,96 bilhões contra 2,94 bilhões esperados

"No geral, o resultado confirmou a desaceleração da indústria de advertisement, visto anteriormente no resultado do Snapchat e do Google (mais precisamente, no Youtube) e não pode ser lido como algo positivo", fiz o analista da Empiricus, Richard Camargo.

Por volta de 12h51 desta quinta-feira (27), as ações da Meta recuavam 22,88%, cotadas a US$ 100,15. Os BDRs M1TA34 recuam 24,76%, a R$ 18,96.

A previsão fraca também pesou

Além do lucro abaixo do esperado, as ações da dona do Facebook foram castigadas pelas projeções mais fracas para o quarto trimestre.

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Segundo a empresa, a receita nos últimos três meses do ano deve ficar entre US$ 30 bilhões e US$ 32,5 bilhões — abaixo dos US$ 33,6 bilhões obtidos no quarto trimestre de 2021.

A estimativa considera um efeito cambial negativo de cerca de 7% na comparação anual, de acordo com a Meta. 

Fato é que a empresa de Zuckerberg  está enfrentando uma ampla desaceleração nos gastos com anúncios online, desafios da Apple com a atualização de privacidade do iOS e aumento da concorrência do TikTok.

Embora a Meta esteja investindo pesadamente em no Reels — o serviço de vídeos curtos do Instagram —  para afastar os usuários do TikTok, o produto está nas primeiras etapas de geração de receita e não é tão lucrativo quanto os principais recursos do Facebook, como Stories e feed de notícias.

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"Olhando o copo meio cheio, os resultados também mostram que a Meta tem conseguido se adaptar à sua maior ameaça, o TikTok", afirma Camargo.

Por isso, a Meta está tentando tornar os Reels mais atraente para os anunciantes, adotando novos formatos de anúncios destinados a oferecer às empresas opções aprimoradas para promover seus produtos por meio de vídeos curtos. 

A dona do Facebook também estreou recentemente novas maneiras de anunciar no Instagram e no Messenger, o que poderia aumentar a receita geral.

Ações da dona do Facebook capotam

Assim que os resultados da Meta foram conhecidos, as ações capotaram mais de 12% no after market em Nova York. 

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Mas não é de hoje que os papéis estão apanhando: no ano acumulam baixa de 62% — mais que o dobro da queda no Nasdaq — e muitos analistas estão céticos em relação às perspectivas da empresa para 2023.

O Bank of America, por exemplo, rebaixou recentemente a Meta de compra para neutro e disse em nota que “espera que os cortes no orçamento dos anunciantes no início de 2023 afetem a confiança e aumentem a incerteza” após a atualização da Apple.

Camargo lembra que negociado a 12 vezes os lucros estimados para os próximos 12 meses e realizando investimentos bilionários em realidade aumentada, as ações da Meta são uma das principais posições do MoneyBets Metaverso, o portfólio da Empiricus focado em apostas altamente especulativas.

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