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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

TESLA SOB TENSÃO

Mais pressão sobre Elon Musk: 3º maior acionista da Tesla quer que empresa recompre US$ 15 bilhões em TSLA para salvar ações da queda livre

Além do pedido de recompra de papéis urgente de Leo Koguan, a fabricante de veículos elétricos ainda teve outro baque ontem: a companhia foi expulsa do índice ESG da S&P 500

Camille Lima
Camille Lima
19 de maio de 2022
11:11 - atualizado às 20:27
Elon Musk, CEO da Tesla e atual homem mais rico do mundo, compra participação no Twitter
Elon Musk, CEO da Tesla - Imagem: Flickr/Daniel Oberhaus (2018)

Wish we can turn back time to the good old days”. Duvido muito que Elon Musk esteja sentado melancolicamente no sofá da casa de um de seus amigos — visto que ele é o maior bilionário sem teto do mundo — ao som da música “Stressed Out” do Twenty One Pilots. Mas, desde o anúncio da compra do Twitter, os “bons dias” do CEO da Tesla parecem ter ficado para trás.

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A queda das ações da fabricante de veículos elétricos, que chega a 30% desde que Elon Musk anunciou a compra da rede social, preocupa os acionistas, incluindo o terceiro maior da companhia, o ricaço Leo Koguan.

A situação é tão crítica para a montadora que Koguan está pressionando Musk a fazer alguma coisa para defender os papéis de sua empresa: mais especificamente, lançar um programa de recompra de ações bilionário.

A pressão do acionista da Tesla sobre a empresa de Elon Musk

Leo Koguan foi ao Twitter pedir que a Tesla anuncie “imediatamente” um plano de recompra de ações que chegue a US$ 15 bilhões.

Para atingir esse montante, o acionista sugeriu a Martin Viecha, diretor sênior de relações com investidores da Tesla, a aprovação de dois programas de aquisição.

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O primeiro deles seria de US$ 5 bilhões em ações da Tesla neste ano, enquanto o próximo somaria US$ 10 bilhões em 2023.

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E não é só isso. O pedido de Koguan ainda implica que Elon Musk deve usar o fluxo de caixa livre da fabricante de carros elétricos para financiar a recompra, sem afetar as reservas de caixa de US$ 18 bilhões. 

Por que o acionista quer que a Tesla anuncie recompra de ações?

Geralmente, empresas aprovam programas de recompra de ações quando acreditam que os papéis estão mal avaliados na bolsa de valores ou querem maximizar a geração de valor aos seus acionistas. 

No caso da Tesla, os ativos já acumulam queda de 34% na bolsa norte-americana Nasdaq em 2022. Só desde o anúncio da compra do Twitter no final de abril, Wall Street viu a ação TSLA recuar aproximadamente 30%.

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Quando uma companhia recompra suas ações em programas desse tipo, os papéis deixam de circular na bolsa de valores e passam a ser mantidos em tesouraria. Posteriormente, podem ser revendidos ou cancelados pela companhia.

Koguan perdeu o respeito por Elon Musk?

Você apostaria todas as suas fichas em uma só empresa? E se considerarmos que ela está no ranking das companhias mais valiosas do mundo? Mas e se adicionarmos uma pandemia nessa equação?

Pode parecer arriscado, mas Leo Koguan decidiu fazer justamente isso no começo de 2020. O bilionário se viu forçado a vender grande parte de seu portfólio de ações, até mesmo a maioria dos milhões de papéis da Tesla que possuía, segundo relatório da Forbes. 

Porém, Koguan não estava feliz em perder sua fatia favorita do bolo. Por isso, ele decidiu vender o restante de suas ações de gigantes como a Nvidia e outras companhias para reconstruir a posição na fabricante de automóveis elétricos de Elon Musk.

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A fé do ricaço no desempenho de longo prazo da Tesla não se baseava apenas na empresa ou na tecnologia limpa. A crença foi criada a partir de sua admiração por Elon Musk, o homem mais rico do mundo. 

“Eu me considerava um fanboy de Elon. Eu diria que ele é a única pessoa que eu realmente respeito na Terra”, disse Koguan à Forbes.

Outra derrota para Elon Musk

Como se não bastasse a pressão dos acionistas e a perda do favoritismo de consumidores de carros de luxo, Elon Musk acordou ontem com novas nuvens escuras cobrindo o seu dia de sol: um chute para fora do índice ESG do S&P 500.

A sigla ESG quer dizer, em inglês, boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa. O anúncio doeu para o bilionário, que se diz preocupado com a sustentabilidade.

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Não é segredo para ninguém que a Tesla é focada em questões ambientais e tecnologia verde. O CEO da fabricante já chegou a cobrar Bill Gates, o fundador da Microsoft, por sua posição “vendida” na Tesla.

“Desculpe, mas não posso levar a sério sua filantropia em relação às mudanças climáticas quando você tem uma enorme posição vendida contra a Tesla, a empresa que mais faz para resolver as mudanças climáticas”, disse o bilionário.

Por que a Tesla foi chutada do S&P 500 ESG?

O índice ESG S&P 500 possui 308 ações, sendo que a Apple, Microsoft, Amazon e Alphabet são as principais participantes do indicador.

Apesar de produzir tecnologia verde e cuidar de questões ambientais, a Tesla parece ter se esquecido do “S” e do “G” da sigla ESG, na visão da S&P Global, responsável pelo índice.

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“Embora a Tesla possa estar desempenhando seu papel de tirar os carros movidos a combustível das estradas, ela ficou atrás de seus pares quando analisada por uma lente ESG mais ampla”, disse a S&P Global.

A empresa  justificou a expulsão da montadora de Elon Musk do índice com questões com o ambiente corporativo da empresa, como discriminação racial, além de acidentes e colisões de automóveis relacionados ao sistema de piloto automático dos carros da fabricante. 

Vale destacar que a Tesla não é a única gigante que ficou de fora: a Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett, também não acumulou pontos suficientes para participar do S&P 500 ESG, assim como a Johnson & Johnson e a Meta Platforms.

Musk deu piti?

Como era de se esperar, Elon Musk não hesitou em ir ao Twitter demonstrar seu descontentamento com a decisão da S&P Global, dona do índice ESG.

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"ESG é uma farsa escandalosa! Que vergonha para a S&P Global", disse o CEO da Tesla em tweet.

A revolta de Musk não foi apenas por não ter entrado para o índice, mas por ter encontrado outras empresas que não a sua no S&P 500 ESG.

"A Exxon [multinacional de petróleo e gás dos Estados Unidos] é classificada como as dez melhores do mundo em ESG pelo S&P 500, enquanto a Tesla não entrou na lista. ESG é uma farsa. Foi armada por falsos guerreiros da justiça social", criticou o bilionário.

*Com informações de CNBC e Markets Insider

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