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Larissa Vitória

Larissa Vitória

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

PERSUASÃO

Como Elon Musk convenceu um príncipe saudita a “emprestar” US$ 1,9 bilhão para a compra do Twitter

Alwaleed bin Talal, um díscipulo de Warren Buffett, não havia gostado nada da oferta de Musk, mas mudou de opinião em poucos dias

Larissa Vitória
Larissa Vitória
7 de maio de 2022
11:42 - atualizado às 10:31
Elon Musk com o passarinho azul símbolo do Twitter nos ombros
O bilionário Elon Musk - Imagem: Shutterstock, Twitter e Andrei Morais

Com a compra do Twitter fechada no final de abril, Elon Musk mostrou que suas habilidades de negociação estão em dia. A empresa tentou resistir e chegou a adotar a chamada pílula de veneno (poison pill) para impedir que o bilionário aumentasse sua participação, mas não teve jeito.

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Os executivos da rede social mudaram de posição depois que seus papéis desabaram e o dono da Tesla disse que tinha garantido US$ 46,5 bilhões em financiamento. O que muita gente não sabe é que, para assegurar o cifra, Musk também precisou usar todo seu poder de convecimento com outra figura: o príncipe Alwaleed bin Talal, da Arábia Saudita.

Um dos acionistas do Twitter, o príncipe é conhecido por seguir os ensinamentos de Warren Buffett quando se trata de investimentos. E, à primeira vista, a oferta de Musk não agradou. Segundo declarou Alwaleed na própria rede social em 14 de abril, a soma oferecida não chegava "nem perto" do valor intrínseco da empresa.

Musk não perdeu tempo: assim que o tweet passou por sua timeline, iniciou os esforços para trazer o aprendiz do Oráculo de Omaha para o seu lado na negociações.

"Interessante. Só duas perguntas, se me permite. Quanto do Twitter o Reino possui, direta e indiretamente? Quais são as opiniões do Reino sobre a liberdade de expressão jornalística?", comentou ele na atualização do príncipe.

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Musk tocou direto na ferida: a Arábia Saudita está no 166º lugar, de 180 no total, no Índice de Liberdade de Imprensa deste ano. O número de jornalistas e blogueiros presos triplicou desde 2017. O príncipe não respondeu a nenhum dos dois questionamentos.

Um príncipe na vida de Elon Musk

Depois disso, não estão claros quais outros argumentos o CEO da Tesla utilizou para convencer o principe saudita. O que se sabe é que, ao invés de seguir na oposição da oferta ou encerrar a posição acionária no Twitter, Alwaleed bin Talal concordou em incluir toda a sua participação de US$ 1,9 bilhão na oferta de Musk.

Além disso, o investidor ainda voltou à rede social para parabenizar publicamente o bilionário pela aquisição. "Ótimo me conectar com você meu "novo" amigo Elon Musk. Acredito que você será um excelente líder para que o Twitter
impulsione e maximize seu grande potencial", declarou.

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Vale destacar que a soma "emprestada" por ele foi, de longe, a maior na lista de 19 investidores que financiaram a compra de Musk.

O Óraculo de Omaha da Arábia?

Antes de cruzar o caminho de Elon Musk, o príncipe Alwaleed já era conhecido no mundo corporativo. Como um bom aprendiz de Warren Buffett, ele tem sua própria versão da Berkshire Hathaway: a Kingdom Holding Co. A holding está listada em sua terra natal, mas possui participações em companhias fechadas e abertas do mundo todo.

Entre os destaques do portfólio do "Óraculo de Ohama da Arábia" estão o Snapchat, Lyft e a empresa de entretenimento saudita Rotana. E sua história com o Twitter comecou em 2011, quando investiu US$ 300 milhões na companhia dois anos antes da abertura de capital.

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A participação do princípe na Kingdom Holding Co chega a 95% e equivale a pouco mais de metade de sua fortuna, que ultrapassa os US$ 16 bilhoes.

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