Caixa deve aumentar prazo para financiamentos do Casa Verde e Amarela; veja quais construtoras devem se beneficiar com as mudanças no programa
O limite de tempo para os contratos pode passar de 30 anos para 35 anos já a partir do início do próximo mês

O Casa Verde e Amarela já passou por diversas mudanças nos últimos meses, mas ainda há mais uma novidade a caminho. A Caixa Econômica Federal anunciou que planeja oferecer financiamento imobiliário com prazo de pagamento de até 35 anos dentro programa governamental a partir do início do próximo mês.
Vale relembrar que, atualmente, o prazo máximo para esse tipo de operação é de 30 anos. "A medida vai ajudar a colocar mais gente para dentro desse mercado", afirmou Rodrigo Wermelinger, diretor executivo de habitação do banco, em entrevista ao Estadão.
A implementação da mudança será possível já em setembro pois, segundo Wermelinger, é esperada para esta quarta-feira (24) a sanção da Medida Provisória 1.107 pelo presidente Jair Bolsonaro.
O texto amplia o prazo limite de financiamentos imobiliários com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), cuja maior parte é destinada ao programa, de 30 para 35 anos.
Construtoras ansiosas
O banco estatal já trabalha com prazo de financiamento de 35 anos fora do programa habitacional, em linhas de crédito que contam com recursos da caderneta de poupança.
Mas a nova medida é bastante aguardada por empresários da construção civil, pois o aumento no prazo de pagamento no CVA permitiria maior diluição do valor das parcelas do imóvel ao longo do tempo - estimulando o fechamento de novos contratos.
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Um financiamento de R$ 200 mil em 30 anos, por exemplo, gera hoje parcelas iniciais de R$ 1.686. Esse valor cairia para R$ 1.607 (considerando uma taxa de 7% ao ano no Sistema SAC) com um prazo de financiamento de 35 anos.
Quem ganha com as mudanças no Casa Verde e Amarela?
O pano de fundo para a edição da nova medida provisória é a disparada nos custos de construção, que fez muitos empresários suspenderem lançamentos de projetos dentro do programa habitacional porque as contas não fechavam mais.
A partir daí, houve uma articulação dos empresários no governo federal e no conselho do FGTS que deu resultados: em julho, o Ministério do Desenvolvimento Regional aprovou as novidades propostas pelo e acrescentou ainda uma alteração na regra de subsídios do programa.
A alta de até 20% na concessão de dinheiro feita pelo governo beneficiará principalmente famílias nos patamares mais baixos de renda e duas construtoras voltadas para esse segmento, segundo o Itaú BBA.
Considerando as incorporadoras e construtoras que lançam empreendimentos para essa faixa de renda, o Itaú BBA calcula que Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3) devem ser as principais favorecidas. Além delas, Cury (CURY3), MRV (MRVE3) e Plano & Plano (PLP3) também têm chances de ganhar escala e recuperar as margens com a novidade no Casa Verde e Amarela.
Há riscos para a Caixa?
De volta à novidade mais recente, o diretor de habitação da Caixa disse que não espera grandes dificuldades operacionais com o prazo ampliado nas linhas do FGTS. "A nossa carteira de crédito imobiliário é paga pelos clientes em dez anos, em média. Sempre que ganham o décimo terceiro ou um dinheiro extra, procuram amortizar", contou.
Na média, a inadimplência na carteira habitacional é inferior a 2%. Wermelinger não abre o dado das linhas do FGTS, mas disse que estão controladas e não são motivo de preocupação.
A Caixa hoje responde por 99,9% dos empréstimos com recursos do FGTS. Até 2014, a sua participação era de 80%, ficando a fatia restante com o Banco do Brasil, que foi saindo aos poucos do ramo. De janeiro a julho, as contratações da Caixa no segmento atingiram R$ 34,8 bilhões.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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