46% da população sonha em abrir o próprio negócio. Mas qual é o perfil do empreendedor brasileiro? Confira
O empreendedorismo tem atraído pessoas com maior escolaridade e é considerado o terceiro maior sonho do brasileiro, segundo o Sebrae

Quase metade dos brasileiros quer começar a empreender, e mais mulheres têm iniciado os seus próprios negócios, embora a participação delas nesse universo tenha caído — um reflexo da estabilização da pandemia. Essas são as conclusões do relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM) do Sebrae, apresentado nesta quinta-feira (24).
Ao todo, o Brasil tem 43 milhões de empreendedores, dos quais 14 milhões já têm um negócio próprio estabelecido há, pelo menos, três anos e meio. Com isso, a taxa de empreendedorismo — a relação entre os empresários ‘maduros’ e a população economicamente ativa — cresceu de 8,7% em 2020 para 9,9% em 2021.
E as medidas de apoio financeiro durante a pandemia, com a oferta de créditos para micro e pequenos empresários, tiveram um papel fundamental para viabilizar o crescimento nessas taxas. Iniciativas como o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e o BEm (Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda) são citados como exemplos pelo Sebrae.
“Essas iniciativas deram mais fôlego para os empreendedores e permitiram que eles sobrevivessem aos impactos da pandemia. Esses programas foram essenciais para que muitas empresas se mantivessem abertas”, disse Carlos Melles, presidente da instituição, em entrevista coletiva para a divulgação do estudo.
A Global Entrepreneurship Monitor (Pesquisa Global de Empreendedorismo) entrevistou duas mil pessoas entre 18 e 64 anos, no período entre julho e outubro de 2021. O relatório foi realizado pelo Sebrae em parceria do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP).
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Perfil do Empreendedor Iniciante
Os empreendedores “de primeira viagem” estão mais escolarizados: a pesquisa do Sebrae aponta que 47% dos empresários “nascentes”, nomenclatura dada pela instituição, possuem ensino médio completo. Com ensino superior completo são 28,5%, o maior índice desde o início da série histórica, em 2013.
“Quanto mais escolarizado o empreendedor, mais propenso ele é a empreender por oportunidade e a realizar um planejamento, o que acaba garantindo uma taxa mais alta de sucesso. Esse avanço na escolaridade é fundamental para a melhoria do empreendedorismo brasileiro”, comentou Melles.
Porém, a maior escolaridade não se reflete na renda. 57% dos empreendedores ganham menos de 3 salários mínimos, ou seja, o equivalente a R$ 3.636,00. “Podemos inferir que os empreendedores iniciais são de baixíssima renda e que grande parte deles são potenciais microempreendedores individuais (MEI) ou que se formalizaram há pouco tempo nessa figura jurídica.”
Além disso, o perfil do empreendedor brasileiro é majoritariamente masculino (54,4%) e tem faixa etária entre 25 e 44 anos.
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Empreendedorismo “por necessidade”
Se empreender era uma das únicas saídas para a manutenção da renda de muitos brasileiros no primeiro momento da pandemia, a atividade hoje tem outra perspectiva. Segundo a pesquisa do Sebrae, 48,9% dos empresários iniciais abriram um negócio em busca de fonte de renda em 2021; em 2020, a taxa foi de 50,4%.
“Nós observamos o crescimento da vontade de empreender. A pandemia levou os brasileiros a ser empreendedores por necessidade, mas [essa proporção] vem caindo. Começou a reduzir agora com a redução da pandemia.”
Empreender, também, é o terceiro maior sonho do brasileiro. Cerca de 46% dos entrevistados desejam abrir o próprio negócio. Enquanto isso, o desejo de construir uma carreira em uma empresa está em 8º lugar, sendo citado por apenas 32% dos participantes.
Em geral, os maiores sonhos dos brasileiros são: viajar, comprar uma casa própria e empreender.
Queda no empreendedorismo feminino
Por fim, as mulheres foram afetadas diretamente pela pandemia. Elas deixaram de empreender mais do que em relação a 2020. A explicação é a jornada de trabalho dentro da própria casa.
“As mulheres tiveram que adotar posições de home-office na pandemia. Isso exigiu mais por conta das atividades do lar, que passou a ser mais focada nas mulheres. Isso reduziu o empreendedorismo feminino”, destacou Mello.
Em números, 45,6% dos empreendedores iniciais, ou seja, aqueles que abriram o próprio negócio a menos de 3,5 anos, são mulheres, em 2021. No ano anterior, a taxa era de, aproximadamente, 55%.
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