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2022-04-15T11:12:48-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
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Mercado Pago, PagSeguro, Nubank, PicPay… veja qual é a melhor conta de pagamento remunerada e as pegadinhas que tem por aí

Avaliamos as oito principais contas desse tipo disponíveis hoje no mercado. Qual paga mais? Qual a mais completa? Confira.

13 de abril de 2022
6:30 - atualizado às 11:12
Homem pensa em diferentes alternativas de rentabilidade, como NuConta, Mercado Pago, CDB e Tesouro Direto
NuConta tem a oferta mais completa, mas as mais rentáveis são a 99Pay e o PicPay. Imagem: Andrei Morais/Seu Dinheiro

Receber uma remuneração superior à da poupança, com baixo risco e liquidez diária, nunca foi tão fácil. Se antes o retorno de 100% do CDI era coisa de endinheirados, o surgimento dos bancos digitais, com seus CDBs rentáveis para qualquer valor de aporte, mudou completamente o cenário para a pessoa física. Hoje, as alternativas são ainda mais simples e acessíveis: as contas de pagamento remuneradas, também chamadas de contas rendeiras, se multiplicaram e estão disponíveis até para quem nunca teve conta em banco.

Quando eu comecei nesse ramo de escrever sobre finanças pessoais, ganhar 100% do CDI num CDB de grande banco era só para clientes private ou gente disposta a não mexer no dinheiro por coisa de dois, três anos.

Os bancos digitais e fintechs mudaram essa realidade, passando a oferecer CDBs com esse nível de retorno e liquidez diária para qualquer investidor, o que obrigou os bancões a ampliarem o público dos seus títulos mais rentáveis. Em pouco tempo, receber o equivalente à taxa básica de juros - e, portanto, mais do que na poupança - passou a ser o básico.

Mas se conseguir essa rentabilidade em uma aplicação financeira é bom, se você nem precisar tirar o dinheiro da conta, melhor ainda.

É isso que oferecem as contas remuneradas. Elas funcionam como contas-correntes, mas costumam pagar 100% do CDI ou mais pelos valores depositados, sem que o usuário precise fazer absolutamente nada. Zero trabalho. É o dinheiro que você usa para as suas transações habituais rendendo diariamente. Aí sim!

Opções hoje em dia não faltam: NuConta (Nubank), PagBank (PagSeguro), Mercado Pago (Mercado Livre), 99 Pay (99), PicPay… Até grandes bancos entraram nesse nicho, como o Bradesco, com o Digio e a Bitz, e o Itaú, com o iti. Algumas opções miram inclusive pessoas que ainda não têm conta em banco ou tem dificuldade de obter crédito. Ou seja, qualquer pessoa mesmo tem acesso a uma rentabilidade digna numa conta digital hoje em dia.

Mas se as contas rendeiras já praticamente viraram commodity, qual delas é a melhor? Qual escolher? Afinal, elas não são somente contas remuneradas gratuitas, para pagamentos e transferências sem custo.

Várias delas oferecem outros produtos e serviços, como cartão de crédito sem anuidade, investimentos, empréstimos e cashback em compras, podendo, em alguns casos, se tornar a conta principal do usuário.

Só que nem tudo é o que parece. Nas letras miúdas, algumas contas têm certas “pegadinhas”, às quais é preciso ficar atento. Por isso, nesta matéria, eu avalio as oito principais contas remuneradas disponíveis atualmente, aponto as mais vantajosas e chamo a atenção para algumas possíveis armadilhas.

O que são as contas de pagamento remuneradas ou contas rendeiras

Antes de começar, vale a pena esclarecer o que de fato são essas contas remuneradas. Do ponto de vista do usuário, elas parecem contas-correntes, permitindo pagamentos, transferências, saques e movimentações por cartão ou aplicativo.

No entanto, elas costumam ser contas de pagamento, não sendo cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como as contas-correntes e a caderneta de poupança.

Mas isso não quer dizer que sejam inseguras. Os recursos deixados numa conta de pagamento devem obrigatoriamente ficar separados do patrimônio da empresa que oferece o produto. Assim, se a empresa quebrar, os recursos dos clientes permanecem intactos.

Além disso, esse dinheiro costuma ficar aplicado em títulos públicos federais, que são os investimentos mais seguros da economia brasileira. É daí que vem a rentabilidade paga por essas contas digitais aos seus usuários.

A aplicação em títulos públicos faz com que as contas de pagamento sejam, na verdade, até mais seguras, em termos de risco de crédito, do que as contas-correntes, a poupança e os CDBs, uma vez que o FGC é uma entidade privada, e os títulos públicos têm garantia do governo federal.

Começando pela conclusão: quais as melhores contas de pagamento remuneradas

A escolha de uma conta de pagamento remunerada depende muito dos seus objetivos, mas é possível dizer quais delas se destacaram na análise, por um ou outro motivo.

Em termos de equilíbrio entre rentabilidade e funcionalidades, a melhor, no momento, certamente é o PicPay. Embora a 99Pay pague mais, trata-se de uma conta um tanto “pelada”, e talvez sua remuneração não seja lá muito sustentável.

A mais completa, por sua vez, é a NuConta. Ali você tem as funções de conta remunerada com boa rentabilidade e banco digital, inclusive com crédito e investimentos de diversas instituições financeiras. O PagBank bateu na trave, mas o fato de sua remuneração ser mensal, como a da poupança, e não diária, como as demais, o enfraquece um pouco.

Finalmente, Mercado Pago, Digio e iti são razoáveis - rentabilidade de 100% do CDI com boas funcionalidades, mas ainda sem outras opções de investimento. A Bitz, por sua vez, é básica demais.

Vejamos a seguir o que cada uma oferece delas oferece e quais pegadinhas aparecem nesse mercado:

1. PicPay: melhor retorno entre as contas com mais funcionalidades

O PicPay funciona mais como uma carteira digital, sem muita opção de crédito, mas tem a melhor relação risco-retorno entre as contas remuneradas avaliadas. Das alternativas de baixo risco, o PicPay é a que apresenta melhor rentabilidade: 105% do CDI para valores até R$ 100 mil e 100% do CDI para o que exceder essa quantia.

Os recursos ficam investidos em títulos públicos federais, sofrendo a cobrança de imposto de renda, mas não de IOF, como acontece em outras contas digitais.

O que a conta oferece:

  • Remuneração diária sobre o saldo depositado de 105% do CDI (para quantias de até R$ 100 mil) e 100% do CDI (sobre o que superar os R$ 100 mil), com cobrança de IR, mas sem cobrança de IOF;
  • Transferências (inclusive PIX) e pagamentos (inclusive de boletos) com o saldo depositado, sem custo;
  • Funções PIX Saque e PIX Troco com até oito saques gratuitos por mês e tarifa de R$ 6,90 a partir do nono saque;
  • Cartão de débito para pagamentos (sem custo) e saques na rede Banco24Horas (R$ 6,90 por saque). A emissão e a reemissão do cartão custam R$ 9,90 cada;
  • Cartão de crédito internacional de emissão gratuita, sem anuidade e com cashback de 5% em cada compra, inclusive nas compras online pagas com QR Code;
  • Pagamento com celular via QR code nas maquininhas de cartão;
  • Função Empréstimo entre Amigos, que permite empréstimos entre pessoas físicas, mediante a cobrança de uma taxa de administração de até 5,0% (quem empresta recebe juros, como em um investimento, mas esta modalidade tem alto risco para o credor);
  • Transferências e pagamentos de boletos com cartão de crédito, incluindo parcelamento em até 12 vezes, mediante pagamento de uma tarifa de 3,99% por transação.

Como adicionar dinheiro à conta: é possível depositar na conta gratuitamente via transferência bancária, PIX ou boleto. Também é possível depositar com cartão de crédito, mediante o pagamento de uma taxa de 1,99% por transação.

A “pegadinha”: Não é bem uma pegadinha, pois os clientes são avisados antes, mas o percentual do CDI pago pelo PicPay já foi bem maior e foi sendo reduzido com o tempo, em razão da alta da Selic. Assim, nada impede que essa remuneração de 105% do CDI seja cortada para 100% do CDI, por exemplo, em algum momento no futuro.

Inicialmente o PicPay pagava somente 100% do CDI, mas em novembro de 2020, com a queda da Selic para 2% ao ano, a conta passou a remunerar em 210% do CDI os depósitos de até R$ 250 mil, uma vez que o CDI estava muito baixo. O percentual e o valor de limite vêm sendo cortados gradativamente desde então.

É importante notar, porém, que a rentabilidade nominal aumentou e muito desde 2020. Afinal, 210% do CDI com a Selic em 2% correspondia a cerca de 4,2% ao ano; hoje, com a Selic em 11,75%, 105% do CDI corresponde a cerca de 12,27% ao ano. Um retorno bem maior, portanto.

2. PagBank, do PagSeguro: retorno só no aniversário, mas com bons CDBs

A carteira digital atrelada à conta PagSeguro tem mais uma função de atender aqueles profissionais que utilizam as maquininhas de cartão da empresa para receber por suas vendas e serviços prestados. Mas nem por isso deixa de ser uma conta repleta de funcionalidades, inclusive crédito e investimentos dos mais variados.

Só tem um grande problema: do ponto de vista da conta remunerada em si, infelizmente não é tão bom. Isso porque, apesar de render 100% do CDI independentemente do valor depositado e aplicar os recursos em títulos públicos federais, a conta do PagBank só tem rentabilidade no aniversário, assim como a caderneta de poupança.

Ou seja, se você resgata o dinheiro antes de ele completar 30 dias na conta, não há retorno algum. Uma desvantagem caso a conta seja destinada a movimentações do dia a dia.

Por outro lado, o PagBank oferece um CDB com liquidez diária que rende 110% do CDI e aceita aplicações a partir de apenas R$ 1. O usuário precisa transferir o dinheiro da conta para a aplicação, mas se estiver disposto a fazer isso, esta é a melhor rentabilidade para uma opção de baixo risco entre as contas abordadas nesta matéria.

O que a conta oferece:

  • Remuneração mensal sobre o saldo depositado de 100% do CDI, com cobrança de IR (não tem IOF, pois a aplicação necessariamente precisa ultrapassar 30 dias para render);
  • Transferências (inclusive PIX) e pagamentos (inclusive de boletos), com o saldo depositado, sem custo;
  • Cartão para movimentação da conta, na função crédito, gratuito e internacional, para compras e pagamentos online e presenciais, além de saques nas redes Banco24Horas, Saque e Pague e Rede Plus (R$ 7,50 por saque nacional ou internacional);
  • Cartão pré-pago internacional (R$ 12,90 a emissão e R$ 19,90/mês se inativo por mais de 12 meses) com as mesmas funções do cartão de movimentação da conta;
  • Cartão de crédito internacional de emissão gratuita e sem anuidade;
  • Cartão múltiplo internacional, com as funções de movimentação da conta e crédito, gratuito e sem anuidade;
  • Dois saques gratuitos por mês para pessoas físicas que fizerem portabilidade de salário ou tiverem aplicação em CDB do PagBank;
  • Pagamento com celular via QR code nas maquininhas de cartão;
  • Cashback de 2% em recarga de celular e de 10% em recarga de serviços online, como Uber, Spotify e Google Play;
  • Pagamentos de boletos com cartão de crédito (2,89% por transação), incluindo parcelamento em até 12 vezes, mediante pagamento de tarifa (2,89% por transação + 3,59% por parcela);
  • Investimentos em CDBs, fundos de investimento, Tesouro Direto (sem taxa de administração) e home broker para investimentos em bolsa, como ações, fundos imobiliários, BDRs e ETFs (sem taxa de custódia e com até quatro operações sem corretagem por mês, com custo de R$ 2,99 por ordem a partir da quinta operação);
  • Empréstimo online a partir de R$ 300, com carência de 15 dias para pagar e pagamento em até 24 vezes, com juros a partir de 2,99% ao mês.

Como adicionar dinheiro à conta: é possível depositar na conta gratuitamente via transferência bancária, PIX ou boleto.

A “pegadinha”: Como dito acima, a rentabilidade da conta não é diária, mas mensal, o que difere de outras contas de pagamento avaliadas nesta matéria.

Assim, a saída para o usuário acaba sendo os investimentos tradicionais, como ocorre nos bancos digitais. Os CDBs do PagBank são protegidos pelo FGC, como todo CDB, mas o investidor precisa se dar ao trabalho de transferir recursos da conta para a aplicação.

Atualmente, além do CDB de liquidez diária que rende 110% do CDI, há outras duas opções com carência e liquidez diária após esse período, com aplicação mínima de R$ 500: um CDB que paga 115% do CDI, com carência de 181 dias (seis meses), e outro que paga 120% do CDI, com carência de 365 dias (um ano).

Em ambos os casos, o investidor também tem direito a um cartão de crédito internacional, sem anuidade, com limite igual ao valor investido, até o teto de R$ 100 mil.

Vale notar, também, que embora o retorno da conta de pagamento sempre tenha sido de 100% do CDI, os CDBs do PagBank já pagaram percentuais maiores. Até o ano passado, por exemplo, havia um que pagava 200% do CDI com liquidez diária, que foi descontinuado.

Os percentuais oferecidos por essas aplicações também foram caindo conforme a Selic ia aumentando, mas o retorno absoluto, nominal, cresceu.

3. Mercado Pago, do Mercado Livre: razoável e com possibilidade de negociar criptomoedas

A conta digital dos compradores e vendedores do Mercado Livre é razoável em termos de retorno e funcionalidades. Os recursos depositados na conta também ficam aplicados em títulos públicos e sempre renderam 100% do CDI, independentemente do valor. A rentabilidade é diária, e mesmo assim não há cobrança de IOF, apenas de imposto de renda sobre os ganhos segundo a tabela regressiva da renda fixa.

O Mercado Pago ainda não oferece opções de investimentos tradicionais, mas inicia neste mês um teste com a oferta de um CDB, em parceria com a Órama. Há oferta de crédito, mais focada em valores baixos, para compras feitas no Mercado Livre ou em lojas que aceitam Mercado Pago.

Talvez o maior diferencial da conta do Mercado Livre seja o fato de que é possível comprar e vender, de maneira fácil, algumas criptomoedas pela plataforma, como bitcoin e ethereum. Mas nós já vimos, em uma reportagem do meu colega Renan Sousa aqui no Seu Dinheiro, que essa não é a alternativa mais barata para transacionar criptoativos.

O que a conta oferece:

  • Remuneração diária sobre o saldo depositado de 100% do CDI, com cobrança de IR, mas sem cobrança de IOF;
  • Transferências (inclusive PIX) e pagamentos (inclusive de boletos), com o saldo depositado, sem custo;
  • Cartão de crédito e débito, gratuito, sem anuidade e internacional, para movimentação da conta, compras e pagamentos online e presenciais, além de saques na rede Banco24Horas (R$ 5,90 por saque);
  • Saques com QR code na rede Banco24Horas (R$ 5,90 por saque);
  • Dois saques gratuitos por mês para pessoas físicas que fizerem portabilidade de salário para o Mercado Pago;
  • Pagamento com celular via QR code nas maquininhas de cartão;
  • Recarga de celular e bilhete único de transporte;
  • Compra e venda de criptomoedas (bitcoin, ethereum e USDP, stablecoin da Paxos lastreada em dólar), mediante o pagamento de uma taxa de 2% por transação;
  • Linha de crédito a partir de R$ 15 para compras com QR Code e QR Pix em lojas online e físicas que aceitam Mercado Pago; empréstimo pessoal; e parcelamento em até 12 vezes de compras no Mercado Livre, além de contas e recargas de celular pelo app, com juros a partir de 2,5% ao mês.

Como adicionar dinheiro à conta: é possível depositar na conta gratuitamente via transferência bancária ou PIX. Há dez depósitos gratuitos via boleto ou casa lotérica por mês (a partir do 11º, o custo é de R$ 3,49 por depósito).

4. NuConta, do Nubank: a mais completa

O Nubank vem se dedicando à sua atuação como banco digital, focando na concessão de crédito. Recentemente, também adquiriu a plataforma de investimentos Easynvest para entrar nesse filão. Mas a sua NuConta, uma das primeiras contas de pagamento remuneradas do país, continua com a mesma rentabilidade diária de sempre, de 100% do CDI para qualquer valor depositado.

Assim, quem optar pela conta do Nubank terá a experiência de conta rendeira junto com a de banco digital. Mas atenção: os recursos da conta até podem ficar aplicados em títulos públicos, mas você precisa optar por isso.

Por padrão, quando você abre uma NuConta, os investimentos são feitos em RDB emitido pelo Nubank, um título parecido com um CDB. Nesse caso, há proteção do FGC, o que é positivo, mas você está mais exposto ao risco do Nubank, não contando com a garantia do governo federal.

O que a conta oferece:

  • Remuneração diária sobre o saldo depositado de 100% do CDI, sujeita à cobrança de IR e IOF;
  • Transferências (inclusive PIX) e pagamentos (inclusive de boletos), com o saldo depositado, sem custo;
  • Cartão de crédito e débito, gratuito, sem anuidade e internacional, para movimentação da conta, compras e pagamentos online e presenciais, além de saques nas redes Banco24Horas e Saque e Pague (R$ 6,50 por saque);
  • Recarga de celular;
  • Empréstimo pessoal para pagamento em até 24 meses, com a primeira parcela para até 90 dias após a contratação (o Nubank não dá referência de valor de taxa de juros);
  • Investimentos em CDBs, fundos de investimento, Tesouro Direto (sem taxa de administração), home broker para investimentos em bolsa, como ações, fundos imobiliários, BDRs e ETFs (sem taxa de custódia ou corretagem);

Como adicionar dinheiro à conta: é possível depositar na conta gratuitamente via transferência bancária, PIX ou boleto (é permitido gerar até dez boletos a cada 30 dias).

A “pegadinha”: Por padrão, quando você abre uma NuConta, os recursos depositados são aplicados em RDB de emissão do Nubank, com garantia do FGC ou, na falta desta modalidade, em RDB com garantia de títulos públicos federais.

Como alternativa, o dinheiro pode ser investido diretamente em títulos públicos federais (minha alternativa favorita), em conta separada do patrimônio do Nubank. Em ambos os casos, os ganhos estão sujeitos a cobrança de IOF, no caso de aplicações inferiores a 30 dias, e IR, segundo a tabela regressiva da renda fixa.

Para migrar do RDB para os títulos públicos, tornando esta opção o padrão da sua NuConta, você precisa entrar nas Configurações do app, clicar em Configurar conta>Opções de depósito.

Caso você deseje um retorno superior a 100% do CDI, a alternativa é a plataforma NuInvest, que oferece investimento no Tesouro Direto e em produtos de renda fixa mais rentáveis. Nesses casos, porém, você precisa transferir dinheiro da sua conta para a aplicação desejada, e esses recursos ficam separados da sua conta.

No entanto, o app do Nubank e da NuConta não oferece todas as opções de investimento disponíveis no app da NuInvest. Entre as aplicações de renda fixa, apenas alguns CDBs de outras instituições financeiras. Atualmente, nenhum deles tem liquidez diária. O mais curto é um CDB de três meses do Paraná Banco, que rende 102% do CDI.

5. 99Pay, da 99: a mais rentável, mas um tanto limitada

A carteira digital vinculada ao app 99, que oferece corridas de táxi e carros particulares, é uma das mais limitadas entre as contas avaliadas, com poucas funcionalidades e dois aplicativos diferentes para baixar. Parte das funções só está disponível dentro do app da 99, e a outra parte exige o download do app 99Pay para ser acessada.

No entanto, a rentabilidade é a maior, com folga. Valores de até R$ 500 são remunerados a 220% do CDI, sem impostos ou taxas; acima desta quantia, o retorno é de 100% do CDI, também líquido, mas só até o limite de R$ 5 mil. Acima deste valor, não há rentabilidade.

A ausência de impostos se deve ao fato de que o retorno é uma bonificação da empresa a seus usuários, e não um rendimento de aplicação financeira. Mas fica a dúvida sobre por quanto tempo a 99 terá fôlego financeiro e interesse em manter o benefício.

Outro diferencial da 99Pay é a possibilidade de negociar bitcoins gratuitamente, sem qualquer custo de transação. Mas nos aprofundaremos sobre essa funcionalidade - e se ela é de fato vantajosa - em outra matéria aqui no Seu Dinheiro.

No geral, a 99Pay pode até funcionar bem como carteira digital para pagar corridas da 99, para quem não tem ou não quer usar o cartão de crédito para essa finalidade. Porém, a manutenção do retorno nos níveis atuais me parece um tanto incerta, e o pouco que a conta oferece não lhe dá grandes chances de se tornar a conta principal dos usuários.

O que a conta oferece:

  • Remuneração diária sobre o saldo depositado de 220% do CDI, para valores de até R$ 500, e 100% do CDI, para valores que excederem R$ 500, sem taxas ou impostos;
  • Pagamento de boletos e contas (gratuito para valores de até R$ 100 e sujeito a uma taxa de 2,8% para valores acima de R$ 100), corridas 99, pedidos 99food e recargas de celular;
  • Transferências por PIX.
  • Compra e venda de bitcoins sem custo (somente pelo app 99Pay);
  • Divisão de contas com os amigos (somente pelo app 99Pay).

Como adicionar dinheiro à conta: é possível depositar na conta gratuitamente via transferência bancária, PIX ou boleto. Depósitos via cartão de crédito estão sujeitos a uma taxa de 2,8%, caso ultrapassem R$ 600 num único mês.

As “pegadinhas”: A primeira delas é o fato de a muito alardeada rentabilidade de 220% do CDI se limitar a R$ 500. Valores que excedem essa quantia são remunerados em apenas 100% do CDI, e ainda assim só até um saldo de R$ 5 mil na conta. Acima dessa quantia, não há qualquer rentabilidade.

Além disso, o retorno já foi maior. Até janeiro deste ano, a remuneração de 220% do CDI valia para qualquer valor depositado até R$ 5 mil.

Finalmente, o fato de a rentabilidade decorrer de uma “bonificação da empresa” e não de um investimento torna a sustentabilidade do benefício um tanto incerta. Os recursos do usuário ficam segregados do patrimônio da 99, mas não chegam a ser investidos em títulos públicos.

Atualização: foi acrescentado o limite de R$ 5 mil para se obter rentabilidade na conta da 99Pay.

6. Digio, do Bradesco: banco digital razoável, mas sem investimentos

Vamos agora passar às fintechs dos bancões. O Bradesco tem dois projetos de conta digital remunerada. Um deles é o banco digital Digio, que oferece uma gama razoável de produtos e serviços, inclusive crédito, mas ainda não conta com nenhuma opção de investimento.

A conta do Digio paga uma rentabilidade diária de 100% do CDI, e os recursos depositados ficam investidos em títulos públicos federais. Assim, os ganhos estão sujeitos à cobrança de IOF, no caso de aplicações inferiores a 30 dias, e imposto de renda pela tabela regressiva da renda fixa.

O que a conta oferece:

  • Remuneração diária sobre o saldo depositado de 100% do CDI, para qualquer valor;
  • Transferências (inclusive PIX) e pagamentos (inclusive de boletos), com o saldo depositado, sem custo;
  • Cartão de crédito gratuito, sem anuidade e internacional, para compras e pagamentos online e presenciais;
  • Cashback e descontos em compras em sites parceiros;
  • Recarga de celular;
  • Saques na rede Banco24Horas utilizando a função “saque digital” do app (R$ 6,90 por saque);
  • Empréstimo pessoal de até R$ 30 mil para pagamento em até 24 meses, com a parcela vindo na fatura do cartão de crédito e taxas de juros a partir de 2,97% ao mês.

Como adicionar dinheiro à conta: é possível depositar na conta gratuitamente via transferência bancária, PIX ou boleto.

A “pegadinha”: Não é exatamente uma pegadinha, pois se trata de uma ação promocional que o Digio fez em 2020, por ocasião do mês do consumidor: os depósitos feitos entre 15 de setembro e 14 de outubro daquele ano foram remunerados a 130% do CDI por 12 meses. Fora daquela ocasião, porém, a conta sempre pagou 100% do CDI.

7. Bitz, do Bradesco: carteira digital de entrada, basicona

A segunda iniciativa do Bradesco é a Bitz, uma carteira digital para não correntistas, inclusive desbancarizados, bem simples e com algumas limitações. Não oferece cartão de crédito nem investimentos.

Ainda assim, os recursos depositados na conta da Bitz ficam aplicados em títulos públicos e rendem 100% do CDI diariamente e independentemente do valor.

O que a conta oferece:

  • Remuneração diária sobre o saldo depositado de 100% do CDI para qualquer valor;
  • Transferências (inclusive PIX) e pagamentos (inclusive de boletos), com o saldo depositado, sem custo;
  • Cartão de débito gratuito, para compras e pagamentos presenciais, além de saques na rede Banco24Horas (R$ 7,90 por saque);
  • Cartão virtual pré-pago para compras online (usa na função crédito, mas debita da conta);
  • Pagamento com celular via QR code nas maquininhas de cartão Cielo;
  • Cashback de 20% para qualquer compra com o cartão físico ou virtual do Bitz ou saldo da conta, limitado a R$ 25. A partir deste valor, o cliente recebe cashback máximo de R$ 5 por transação;
  • Recarga de celular.

Como adicionar dinheiro à conta: é possível depositar na conta gratuitamente via transferência bancária, PIX ou boleto.

Atualização: anteriormente havia sido informado que o cashback da Bitz era só para compras feitas em maquininhas Cielo, mas a informação foi alterada após correção da assessoria de imprensa do Bradesco.

8. Iti, do Itaú: também razoável, mas sem investimentos

A conta de pagamento remunerada do Itaú é muito similar ao Digio, com boas funcionalidades, oferta de crédito, mas sem outros tipos de investimento. O saldo depositado no iti também fica aplicado em títulos públicos e rende 100% do CDI diariamente, independentemente do valor, ficando sujeito apenas à cobrança de IR pela tabela regressiva da renda fixa (não tem IOF).

O que a conta oferece:

  • Remuneração diária sobre o saldo depositado de 100% do CDI para qualquer valor;
  • Transferências (inclusive PIX) e pagamentos (inclusive de boletos), com o saldo depositado, sem custo;
  • Cartão gratuito para movimentação da conta, na função crédito, para compras e pagamentos online e presenciais;
  • Cartão de crédito de emissão gratuita e sem anuidade;
  • Saques na rede Banco24Horas utilizando a função “saque digital” do app (com direito a um saque grátis por mês, sendo os demais tarifados em R$ 6,90 por saque);
  • Pagamento com celular via QR code nas maquininhas de cartão;
  • Recarga de celular;
  • Empréstimo pessoal na conta (o iti não divulga valores ou taxas de juros. Questionado, o Itaú não respondeu até o fechamento desta matéria).

Como adicionar dinheiro à conta: é possível depositar na conta gratuitamente via transferência bancária, PIX ou boleto.

A “pegadinha”: no site do iti, não diz se o cartão de crédito é internacional. Se não for, isto já deixaria o iti em desvantagem em relação ao Digio, por exemplo. Questionei o Itaú a respeito, mas não obtive resposta até o fechamento desta matéria. Caso o banco ainda responda, a matéria será atualizada com a informação.

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