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2022-06-02T18:04:56-03:00
Larissa Vitória
Larissa Vitória
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
A NATA DA B3

Trio de bancões e Vale (VALE3) são as ações mais recomendadas para o São João na B3; confira as principais indicações para junho

No arraial da B3, as corretoras elegeram para o cortejo junino um trio que há muito tempo não dava as caras nos primeiros lugares da nossa seleção

3 de junho de 2022
7:01 - atualizado às 18:04
Ações do mês | Vale VALE3
Confira aqui todos os papéis apontados pelas 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro. Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O mês de junho chegou e, com o arrefecimento da pandemia de covid-19, os brasileiros se preparam para o retorno das festas de São João. No arraial da B3, as ações também já ajeitam uma celebração tipicamente junina.

A fogueira está acesa, as comidas festivas foram servidas e haverá uma quadrilha para animar a noite. A operadora da bolsa brasileira fará às vezes de padre; a ordem dos casais na dança foi escolhida pelas corretoras consultadas todos os meses pelo Seu Dinheiro.

Como não poderia deixar de ser, a noiva é a Vale (VALE3). Queridinha absoluta dos analistas, a mineradora aparece entre as favoritas em seis carteiras e ocupa o primeiro lugar no pódio da Ação do Mês desde dezembro do ano passado.

Mas, apesar do vestido branco e do véu, ela não é a estrela da festa. O que chama mesmo a atenção é que, para completar o cortejo junino, as corretoras elegeram um trio que há muito tempo não dava as caras nos primeiros lugares da nossa seleção.

De camisa xadrez, chapéu de palha e calça remendada, três dos maiores bancos brasileiros roubam os holofotes do arraial.

Com três indicações cada, Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) dividem o segundo lugar do pódio e acompanham a noiva. Já o Itaú Unibanco (ITUB4) — favorito de duas corretoras — forma o segundo casal mais importante da noite junto com a Petrobras (PETR4), que também recebeu duas menções.

E não é por acaso que eles ressurgem neste momento. O ciclo de aperto monetário ainda em curso no país leva a uma taxa de juros mais elevada, que ajuda a melhorar o spread bancário e as margens dessas instituições.

Além disso, a retomada do crescimento brasileiro — segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1% nos primeiros três meses de 2022, em relação ao quarto trimestre de 2021 — também é uma boa notícia para o setor.

A economia é aquecida pela fogueira de São João e, assim, a busca por crédito também esquenta e leva mais consumidores às instituições bancárias.

Confira abaixo todos os papéis apontados pelas 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro:

Entendendo a Ação do Mês: todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são suas apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 ações, os analistas indicam as suas três prediletas. Com o ranking nas mãos, selecionamos as que contaram com pelo menos duas indicações.

Vale (VALE3) — uma coroa de (minério de) ferro para a rainha da festa

A noiva do arraial da B3 também pode ser coroada a rainha da Ação do Mês. No pódio há sete meses consecutivos, a Vale (VALE3) manteve-se entre os favoritos de Santander, Toro e Terra Investimentos, e voltou ao “top 3” da Ativa Investimentos em junho.

Apesar da medalha do lugar mais alto do pódio ser tradicionalmente feita de ouro, a dessa majestade da B3 é feita de minério de ferro. Os preços altos da commodity, que avançou cerca de 14,8% entre janeiro e maio, ajudam a compensar tropeços na produção da empresa.

Vale lembrar que a companhia chegou a paralisar parte das operações no primeiro trimestre de 2022, e mostrou uma desaceleração operacional e financeira que desagradou o mercado.

Mas a Vale tem suas cartas na manga e neutralizou o resultado amargo com o anúncio de um novo programa de recompra de até 500 milhões de ações ordinárias e ADRs — recibos de ações negociados no exterior.

O montante estabelecido para compra e aprovado pelo Conselho de Administração da mineradora representa 10% do número total de ativos em circulação. Para o Santander, a operação demonstra que a mineradora segue com foco na remuneração dos acionistas.

Banco do Brasil (BBAS3) — ações com desempenho invejável

O segundo colocado na seleção das corretoras não aparecia por aqui desde o ano passado e escolheu as festividades juninas para seu retorno triunfal, conquistando as recomendações de Guide, Inter e Santander.

Mas, mesmo fora dos holofotes, o Banco do Brasil (BBAS3) não deixou de trabalhar. Conforme destaca o Inter, as ações do BB sobem mais que as de seus pares. De acordo com o banco, o desempenho reflete os resultados acima das expectativas do mercado. 

No último trimestre, por exemplo, a instituição financeira obteve lucro líquido ajustado de R$ 6,6 bilhões; as estimativas apontavam para um lucro de R$ 5,3 bilhões. O resultado também representa uma alta de 34,6% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Com isso, os papéis BBAS3 já acumulam alta de 27,1% neste ano — e, para o Inter, vem mais por aí. “Mantemos ainda uma visão otimista para 2022, vindo de um controle nos custos e de crescimento na margem financeira e menores despesas com provisões”, escrevem os analistas.

Além do resultado financeiro robusto, a Guide aponta que o Banco do Brasil tem outra vantagem: “a forte presença no mercado de agronegócio, com uma carteira de R$ 225 bilhões e market share de 53,7% no segmento”.

A corretora também aposta que o BB manterá as margens de rentabilidade estáveis, e acrescenta esperar que o banco siga ampliando outras fontes de receita, como a previdência e o consórcio.

Bradesco (BBDC4) — um campeão sazonal

Outro nome que andava sumido da Ação do Mês era o Bradesco (BBDC4). O banco, ao que parece, gosta de marcar presença apenas na festa de São João — sua última aparição em um lugar de destaque por aqui também havia sido em junho do ano passado.

Agora, com a volta da temporada junina, a empresa retorna ao pódio das corretoras, indicada por Daycoval, Elite Investimentos e Nova Futura.

A conquista ocorre na esteira de um bom resultado financeiro: o banco registrou lucro líquido de R$ 6,8 bilhões entre janeiro e março deste ano. O número é maior do que o projetado no consenso da Bloomberg, de R$ 6,671 bilhões e, em relação ao mesmo período de 2021, representa alta de 4,7%. 

Os resultados são complementados pela disposição para enfrentar as fintechs, inimigas das financeiras tradicionais. Ao invés de se desesperar com o avanço das novas tecnologias, o Bradesco decidiu combater os bancos digitais em seu próprio terreno.

“Juntos, seus três bancos digitais (Next, Bitz e Digio) tinham, em março, 19 milhões de clientes. É menos da metade do líder Nubank, mas as iniciativas combinadas ficam acima do Inter, que tinha 18,6 milhões de clientes naquele mês”, explica a Elite Investimentos.

Segundo a corretora, o Bradesco vê nas marcas um caminho para distribuir seus produtos e serviços a um público jovem, de menor renda e desbancarizado — o alvo preferencial das fintechs. “E dá números que dimensionam o cumprimento da estratégia: 78% dos clientes Next não são correntistas do Bradesco, por exemplo”.

Nesse cenário, a Elite aposta no banco como uma empresa de caráter defensivo para o portfólio, “mas com capacidade de crescimento e perspectiva de voltar a ser uma boa pagadora de proventos”.

Antes de São João, a repercussão das ações de maio

No último mês, a bolsa brasileira mostrou que a máxima “venda em maio e vá embora” — um famoso ditado do mundo financeiro — está mais para lenda do que para sugestão de investimento. 

Ao menos para o Ibovespa: o principal índice acionário da B3 terminou o mês com um avanço de 3,22%.

Já entre as ações recomendadas para o mês passado o resultado foi misto, como mostra a tabela abaixo com cores verdes e vermelhas, próximas ao equilíbrio.

A campeã do mês, Vale (VALE3), subiu 3,67%, enquanto a segunda colocada, PetroRio (PRIO3) teve um desempenho ainda melhor, com alta de 6,02%.

O destaque negativo foram as ações da Petz, que recuaram mais de 20%. Veja a lista completa:

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