Itaú BBA rebaixa recomendação da Marfrig (MRFG3); saiba qual é a ação preferida do banco entre os frigoríficos
Queda de margens na América do Norte e oferta de gado no Brasil influenciam as eleitas como queridas do banco de investimento para o setor

Na corrida pelo pódio, a Marfrig (MRFG3) não ficou em primeiro lugar. A empresa, que assumiu recentemente o conselho da BRF (BRFS3), levou a medalha de bronze entre os frigoríficos preferidos pelo Itaú BBA — ficando atrás de JBS (JBSS3) e Minerva (BEEF3).
A Marfrig foi rebaixada para market perform — o mesmo que um desempenho neutro ou uma performance mediana — apesar das métricas operacionais de curto prazo ainda sólidas.
Segundo o Itaú BBA, a postura mais conservadora está ligada ao aumento das incertezas de médio prazo após a queda nas margens na América do Norte e a concentração da empresa na região.
A medalha de prata do banco foi dada ao Minerva. O Itaú BBA manteve a visão positiva para a BEEF3 baseado, principalmente, na melhora esperada na oferta de gado brasileiro até o final de 2022 e em um momento convincente — após alguns anos de restrições de oferta de gado no Brasil.
O ouro da JBS é sustentado pela sólida relação de conversão ebitda para fluxo de caixa ao acionista da empresa e a presença operacional diversificada que, segundo o banco, devem ser capazes de compensar a tendência negativa na lucratividade da carne bovina nos Estados Unidos.
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Uma olhada mais de perto na Marfrig (MRFG3)
O terceiro lugar no pódio do Itaú BBA não significa uma derrota para a Marfrig. O banco reconhece que a empresa deverá apresentar margens ainda mais sólidas no primeiro trimestre deste ano e que a MRFG3 “é uma grande história de longo prazo”.
A mudança de recomendação, segundo o banco, é baseada principalmente no aumento dos riscos para a indústria de carne bovina nos Estados Unidos no futuro e seus potenciais impactos na alavancagem da Marfrig, e não na geração de fluxo de caixa ao acionista no curto prazo.
“A combinação da concentração da Marfrig na indústria de carne bovina dos Estados Unidos com a dinâmica descendente do gado na região é o principal fator para nossa postura mais conservadora sobre o nome neste momento”, diz o Itaú BBA em relatório.
Além disso, o banco destaca que a Marfrig também depende do preço das ações da BRF, que pode enfrentar alguma volatilidade no curto prazo em função das próximas pressões de custo de grãos.
O Itaú rebaixou a MRFG3 para market perform ou performance de mercado, com preço-alvo de R$ 26,00 — o que representa um potencial de 21,5% em relação ao valor de fechamento das ações da empresa de R$ 21,40 na quinta-feira (31).
Dos três frigoríficos, as ações da Minerva são as únicas que operam em queda no momento. Por volta de 12h40, os papéis MRFG3 recuavam 1,82% na B3, cotados a R$ 21,01.
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Minerva (BEEF3), a medalhista de prata
O otimismo do Itaú BBA com relação à Minerva (BEEF3) se baseia nas perspectivas positivas para a oferta de gado no Brasil, que deve entrar em vigor até o final de 2022 e continuar ao longo de 2023.
O banco vê a BEEF3 com múltiplo de 4,7x EV/Ebitda (valor da empresa versus Ebtida), quando a média histórica da empresa é de 5,4x. Ou seja, por essa métrica as ações estão baratas.
Observamos que os múltiplos históricos do Minerva variam de 4,0x a 6,5x, acompanhando a ciclicidade da pecuária no Brasil. À medida que avançamos em direção a um ambiente de ciclo de gado mais positivo em 2023, esperamos que os múltiplos atuais se comprimam”, diz o banco.
O Itaú BBA tem recomendação outperform ou desempenho acima da média (equivalente a compra) para a BEEF3, com preço-alvo de R$ 16,00 — o que representa um potencial de 26,4% em relação ao valor de fechamento das ações da empresa de R$ 12,66 na quinta-feira (31).
Por volta de 12h40, as ações da Minerva subiam 0,08% na B3, cotadas a R$ 12,67.
JBS (JBSS3): a principal escolha
Nem Marfrig e nem Minerva. A JBS (JBSS3) é a queridinha do Itaú BBA no momento por conta dos rendimentos sólidos de fluxo de caixa ao acionista — 21% para 2022 e 19% para 2023 — combinados com uma plataforma globalmente diversificada e alternativas de alocação de capital.
Embora o momento não pareça estar no seu melhor agora, o banco acredita que o valor intrínseco da empresa permanece.
“O momento para a unidade de negócios de carne bovina da JBS nos Estados Unidos está enfrentando uma tendência de queda em 2022, e o excesso representado pelo desinvestimento em andamento do BNDES também deve limitar o preço das ações em um futuro próximo”, diz o Itaú BBA.
A recomendação para a JBSS3 é outperform ou desempenho acima da média (compra), com preço-alvo para 2022 de R$ 54,00 — o que representa um potencial de alta de 45% em relação ao valor de fechamento dos papéis de quinta-feira (31) de R$ 37,23.
Por volta de 12h40, as ações da JBS subiam 0,19% na B3, cotadas a R$ 37,26.
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