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Banco Central dos Estados Unidos enfrentou a guerra na Ucrânia e uma inflação galopante com um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa básica, que passou para a faixa entre 0,25% e 0,50% ao ano
A maior inflação em 40 anos e o baixo nível de desemprego falaram tão alto aos ouvidos do Federal Reserve (Fed) que o aguardado aumento dos juros finalmente aconteceu - mesmo que parte do mercado demonstre preocupação quanto aos efeitos econômicos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Há pouco, o banco central norte-americano elevou a taxa básica de juros pela primeira vez desde 2018. O aumento foi de 0,25 ponto percentual (p.p.), para a faixa entre 0,25% e 0,50% ao ano. E não deve parar por aí.
"Em apoio a essas metas, o Comitê decidiu aumentar o intervalo da taxa de juros para a faixa entre 0,25% e 0,50% ao ano e prevê que aumentos contínuos serão apropriados. Além disso, o Comitê espera começar a reduzir suas participações em títulos do Tesouro e dívida de agências e títulos lastreados em hipotecas de agências em uma próxima reunião", diz o comunicado.
O aumento da taxa de juros trouxe outra notícia importante: a era de dinheiro farto chegou ao fim. O Fed encerrou as compras de ativos da era pandêmica como o prometido.
O banco central norte-americano começou a comprar ativos em março de 2020 para estimular a economia dos Estados Unidos no pior momento da pandemia de covid-19, fazendo com que seu balanço saltasse de US$ 4 trilhões para US$ 9 trilhões.
Agora, essas aquisições foram encerradas, e o próximo passo deve ser a redução desse balanço de ativos. A decisão sobre o ritmo dessa diminuição deve vir nas reuniões de política monetária previstas para este ano.
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Tanto o aumento de 0,25 pp da taxa de juros como o fim das compras de ativos acompanhada do anúncio de redução do balanço eram amplamente aguardados e vinham sendo telegrafados pelo presidente do Fed, Jerome Powell, e por seus colegas de banco central.
A Bolsa de Nova York teve uma reação branda assim que a decisão saiu. No entanto, o comunicado de hoje veio acompanhado de projeções econômicas e do chamado dot plot, ou gráfico de pontos, que traz a previsão dos membros do banco central norte-americano para a taxa de juros.
E foi aí que a luz amarela acendeu. Prevendo que a inflação se manterá elevada este ano - a projeção passou de 2,6% em dezembro para 4,3% agora - o Fed deixou a porta aberta para mais aumentos dos juros. Vale lembrar que a meta do banco central norte-americano para a inflação é de 2% ao ano.
O gráfico de pontos atualizado nesta quarta-feira mostra que mais seis elevações estão a caminho este ano - mais agressivo do que muitos investidores esperavam.

A previsão dos membros do comitê de política monetária do Fed não agradou o mercado. Assim que digeriram a decisão, os índices em Wall Street perderam o fôlego. O Dow Jones passou a operar levemente em queda de 0,02%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq subiam 0,19% e 0,84%, respectivamente.
Mas como o mercado deve se comportar a partir de agora?
O S&P 500 está em seu pior começo de ano desde a liquidação provocada pela covid-19, em março de 2020. Agora, os investidores precisam lidar com o aumento da taxa de juros.
Nos últimos dois anos, o mercado de ações norte-americano conseguiu subir diante da pior pandemia em um século e uma das eleições presidenciais mais divisivas da história dos Estados Unidos.
Agora está enfrentando o maior conflito armado da Europa desde a Segunda Guerra e a inflação mais elevada desde a década de 1980.
A história sugere que os índices de ações nos Estados Unidos estão prestes a experimentar mais volatilidade após o aumento dos juros. Mas isso não significa que a corrida de touros acabou.
De fato, nos oito ciclos de alta anteriores, o S&P 500 disparou após um ano do início do aperto monetário, segundo a LPL Financial.
Nas últimas três décadas, o Fed assumiu quatro ciclos distintos de alta de juros. Nenhum foi prejudicial aos mercados de ações.
O setor de tecnologia, que passa por grandes oscilações este ano sob a perspectiva de um aumento agressivo da taxa básica, normalmente está entre os setores de melhor desempenho do S&P 500 durante esses ciclos.
Segundo a Strategas Securities, o segmento de tecnologia teve um ganho de quase 21% nesses períodos — mas, no geral, a liderança varia.
Então, por que o Fed está perto de uma encruzilhada? E a resposta é o aumento dos preços do petróleo juntamente com a elevação da taxa de juros.
O Fed enfrenta um dilema complicado com o aumento do preço do petróleo e a invasão da Ucrânia pela Rússia ameaçando torná-lo ainda mais caro.
Os choques do petróleo precederam as crises econômicas em meados dos anos 1970, início dos anos 1980 e dos anos 1990.
Mas outras recessões, como após o 11 de setembro de 2001 e a crise financeira global em 2008, não foram causadas diretamente por um forte aumento nos preços do petróleo.
Para a maioria dos analistas, a decisão do Fed desta quarta-feira (16) veio em linha com o que se esperava.
"Nada fora do esperado. Acredito que aconteceu o melhor dos cenários. O Fed ainda está buscando alcançar o pleno emprego e a inflação na casa dos 2%, mas não está disposto a sacrificar demais a economia no curto prazo e, por isso, aumentou a taxa de juros em 0,25 pp", disse Felipe Veloso, economista e fundador da Cripto Mestre.
Luiz Carlos Corrêa, sócio da Nexgen Capital, segue o mesmo raciocínio. "De uma forma geral, o mercado já está precificando essa alta de 0,25 pp, veio em linha com o que o mercado esperou. Apenas um integrante do comitê votou acima disso, que é alguém que vem pedindo há algum tempo uma alta maior, então não vejo nenhuma mudança que surpreenda o mercado", disse.
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