🔴 3 ações para LUCRAR com a SELIC em alta: clique aqui e descubra quais são

2022-03-02T17:00:11-03:00
Lucia Camargo Nunes
Inflação sobre rodas

Entenda por que o conflito entre Rússia e Ucrânia pode aumentar o preço dos carros no Brasil

Guerra entre Rússia e Ucrânia pode provocar um desarranjo na cadeia global da indústria de carros, principalmente se tiver efeitos no câmbio

3 de março de 2022
7:58 - atualizado às 17:00
Toyota Corolla Cross 2022
Toyota Corolla Cross 2022 - Imagem: Divulgação

Se você está pensando em comprar ou trocar de carro, saiba que os preços podem subir ainda mais diante do conflito entre Rússia e Ucrânia. Mesmo com a baixa relação direta com a indústria automotiva dos dois países, o mercado brasileiro corre risco de sofrer com esse conflito.

Isso porque uma guerra provoca um desarranjo na cadeia econômica global, principalmente se tiver efeitos sobre o câmbio. Os preços dos carros já passaram por uma forte alta nos últimos dois anos como efeito da pandemia da covid-19.

“Um aumento do dólar impacta os custos diretos e indiretos dos automóveis. As commodities de um veículo são indexadas na moeda estrangeira”, afirma Milad Kalume Neto, diretor de Desenvolvimento de Negócios da consultoria Jato Dynamics.

Entre os componentes afetados pelo câmbio estão o ferro, a borracha e o silício. “Então, nesse contexto, a instabilidade do dólar tende a aumentar os custos de frete e dos insumos, o que interfere diretamente no preço do nosso automóvel”, afirma. 

Preço dos carros pode subir em caso de falta de insumos

Os aumentos de preços não devem ser rápidos, mas quem pretende comprar um carro este ano precisa ficar atento. Não é porque o dólar aumenta 10% que o preço do veículo sobe na mesma proporção.

“Existem outras variáveis. A moeda estrangeira provoca um reajuste de preços, mas a produção de carros pode ser afetada, novamente, pela falta de peças em estoque, caso de alguns insumos importados”, diz o consultor.

O aumento do preço do barril de petróleo também provoca uma alta dos custos indiretos de transportes, que pressionam os custos de alimentos e nos forçam ao avanço da inflação, que chega também no carro. 

“Passamos os últimos sete anos por quatro crises no setor automotivo. A gente vai ter, basicamente, cinco crises em oito anos. Isso gera, para o setor, desemprego e incerteza, que levam ao aumento de juros e à falta de confiança do consumidor e reduzem as vendas”, avalia o especialista.

As empresas trabalham com número próximo de 2 milhões nas vendas de veículos em 2022, fechamento muito parecido com o dos dois anos anteriores.

Se já não seria um ano tão positivo para o Brasil, ainda considerando as eleições, uma guerra seria bastante nociva ao mercado. No mês de janeiro, a produção foi afetada pela alta de casos de covid e falta de peças.

A Anfavea, que representa as montadoras no Brasil, ainda não se pronunciou diante da crise e informou que vai comunicar seu posicionamento nos próximos dias. 

Leia também: Financiar um carro ou fazer consórcio: entenda por que são decisões muito diferentes – e qual é a melhor pra você

Os componentes que dependem da Rússia e Ucrânia

Do ponto de vista global, o presidente de operações nas Américas da LMC Automotive, Jeff Schuster, observa que a invasão russa à Ucrânia afetará negativamente o fechamento de fevereiro e adicionará outra camada de risco substancial à recuperação em 2022.

“Uma oferta já apertada de veículos e preços altos em todo o mundo estarão sob pressão adicional com base na gravidade e duração do conflito na Ucrânia.”

O aumento dos preços do petróleo e do alumínio provavelmente afetará a disposição e a capacidade dos consumidores de comprar carros, mesmo que o estoque melhore, segundo Schuster. A Europa reduziu as perspectivas para as vendas globais de veículos leves em 400 mil unidades. 

De acordo com reportagem publicada pelo jornal Financial Times, Rússia e Ucrânia são as principais fontes dos gases químicos na produção de semicondutores, o que pode prolongar a crise de abastecimento desses componentes. 

Micron e Intel, contudo, informaram ao FT que possuem fornecedores globais e bom estoque, suficientes para que a crise não afete suas operações. 

No segmento automotivo, embora Bosch e Aptiv tenham fábricas de autopeças na Ucrânia, uma interrupção de fornecimento não interferiria na cadeia global. Mas o fornecimento de paládio (usado em conversores catalíticos e semicondutores) e níquel para baterias gera preocupação. 

Kia, Nissan, Renault, Stellantis, Toyota e Volkswagen possuem fábrica de automóveis na Rússia. A montadora de origem francesa produz veículos pela Avtovaz, que busca, diante das sanções internacionais, garantir suprimento de peças. 

Diante de uma crise mais séria, a Stellantis, que monta veículos Peugeot, Citroën, Opel e Fiat na Rússia, estuda limitar ou transferir sua produção para outras plantas.

Leia também:

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Fraqueza nos números

Entrega de veículos da Tesla (TSLA34) recua no segundo trimestre e vem abaixo da expectativa do mercado

Apesar do crescimento das vendas na comparação anual, houve uma queda em relação ao trimestre anterior

Mais uma vítima

Após tomar calote do 3AC, exchange Voyager Digital suspende saques, depósitos e negociações de clientes

Corretora de criptomoedas tomou calote de mais de US$ 670 milhões, mas, apesar de ter tomado empréstimos, precisou paralisar atividades

Bancões na área

Vão sobrar uns cinco ou dez bancos digitais, e o Next está entre eles, diz CEO do banco digital do Bradesco

Renato Ejnisman diz ainda que Next visa a mais aquisições e pensa ainda em internacionalização

No vermelho

Magazine Luiza (MGLU3) é a ação com o pior desempenho do Ibovespa no primeiro semestre de 2022; outras varejistas e techs também sofreram no período

Com queda acumulada de quase 70% no ano, ações do Magalu são as piores do Ibovespa no semestre que acaba de terminar

Proteção

Qual título público comprar no Tesouro Direto? Santander recomenda papel indexado à inflação para o mês de julho; veja qual

Recomendação do banco para o Tesouro Direto visa proteção contra a inflação e possibilidade de valorização

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies