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Conheça um pouco das peripécias de Michael Saylor, CEO da MicroStrategy, durante as maiores crises recentes do setor de tecnologia

Michael Saylor é bastante ativo no Twitter. Mas a queda acentuada do bitcoin (BTC) no último fim de semana emudeceu o CEO da MicroStrategy por tempo suficiente para que seu silêncio fosse notado.
Depois de quase 24 horas longe da rede social que Elon Musk desdenha e quer comprar, Michael Saylor voltou ao Twitter ontem à tarde numa pegada místico-financeira.
“No bitcoin a gente confia”, dizia a breve mensagem.
Hoje pela manhã, Saylor foi menos vago.
Segundo Saylor, quando a MicroStrategy adotou sua estratégia para o bitcoin, ela antecipou a volatilidade e estruturou seu balanço patrimonial de modo a manter sua posição mesmo diante da adversidade.
O comentário é uma clara referência à chamada “regra da morte” do bitcoin.
O dispositivo prevê que a Microstrategy deve vender seus bitcoins se o preço da criptomoeda atingir o patamar de US$ 21 mil.
Acontece que a empresa dirigida por Michael Saylor possui a maior carteira de criptomoedas do mundo. São 129.218 BTCs na wallet da MicroStrategy comprados ao preço médio de US$ 30.700 cada, segundo dados de 31 de março.
É quase o triplo da segunda maior carteira, detida pela Tesla, com 42.902 BTCs.
A Microstrategy comprou parte considerável daquele montão de bitcoins graças à contratação de um empréstimo de US$ 205 milhões junto ao Silvergate Bank.
Entretanto, uma das condições para a concessão do empréstimo é que os bitcoins da Microstrategy valham pelo menos US$ 410 milhões no total — o dobro da dívida contraída.
Diante disso, se a cotação do BTC ficasse abaixo dos US$ 21 mil, a MicroStrategy teria que se desfazer da carteira para pagar a dívida.
Isso pode desencadear um efeito dominó no mercado e derrubar as cotações ainda mais, disse José Arthur, CEO da Coinext, ao repórter Renan Sousa.
Entretanto, o acionamento do gatilho da “regra da morte” não é a situação mais provável. Michael Saylor tem reiterado que a empresa tem bitcoins em quantidade mais que suficiente para cobrir os requisitos de garantia.
Além disso, há uma outra situação prevista no contrato de empréstimo com o Silvergate Bank com mais chances de ser acionada pela empresa, mas que é pouco comentada.
Se uma cláusula prevê a venda forçada de BTC, outra indica que a empresa também tem a possibilidade de comprar mais bitcoins e aumentar o colateral da dívida.
“Antes de chegar a 50% [do valor devido], podemos contribuir com mais bitcoins para o pacote de garantia [da dívida], para que o colateral disponível nunca chegue à metade”, disse Phong Le, diretor financeiro da MicroStrategy, durante uma teleconferência com acionistas em maio.
Michael Saylor tem familiaridade com a volatilidade dos mercados financeiros. E também com perdas bilionárias.
Em 1999, quando Saylor ainda era um trintão, a MicroStrategy admitiu ter superestimado suas receitas e reportado erroneamente um lucro quando na verdade teve prejuízo.
Ocorrido no auge da bolha pontocom, o episódio reduziu o valor de mercado da MicroStrategy em mais de US$ 11 bilhões em um apenas dia.
Ao contrário da maioria das empresas de tecnologia da época, porém, a MicroStrategy sobreviveu à crise.
O envolvimento do hoje cinquentão Michael Saylor com o bitcoin começou em 2020.
De lá para cá, a aposta da MicroStrategy no bitcoin alcançou US$ 3,9 bilhões, considerando o preço-médio dos BTCs na wallet da empresa.
A estratégia de incorporar a criptomoeda ao balanço da empresa é pra lá de heterodoxa quando se fala em gestão de tesouraria.
No universo cripto, porém, a crença de Saylor é bastante comum. Os adeptos das criptomoedas consideram que o bitcoin fornece uma reserva de valor sem relação direta com os mercados financeiros tradicionais.
Essa visão tem sido colocada à prova nos últimos meses. As criptomoedas têm oscilado em sincronia com ações e outros ativos financeiros em meio a temores de um ciclo agressivo de aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
Diante da queda dos últimos dias, as perdas (não realizadas, é verdade) de Michael Saylor e sua MicroStrategy ainda estão longe daquelas registradas no auge da bolha pontocom, mas já estão na casa de US$ 1 bilhão.
E isso só com a carteira de bitcoins. A ação da MicroStrategy (MSTR) acumula perda de mais de 70% em 2022. Bem mais que a queda de 50% do que a maior criptomoeda do mundo no que vai do ano.
*Com informações da CNBC.
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