Visão Macro
Fernanda Mansano
Economista-chefe da Empiricus Investimentos
2022-04-25T08:54:49-03:00
Bolsa para baixo e dólar para cima

Juros americanos devem chegar a 2% no meio do ano – espere uma valorização do dólar até o fim de 2022

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, tem mostrado que pretende ser mais duro contra a inflação; com isso, já é possível antecipar uma alta de juros mais agressiva nos EUA

22 de abril de 2022
19:37 - atualizado às 8:54
gavião voando para presa, representa os Bancos Centrais mais agressivos contra a inflação, o que afeta as bolsas
Banco central americano está se tornando mais hawkish, isto é, mais duro contra a inflação. - Imagem: Shutterstock

Em meio à última sinalização de política monetária dos EUA, nesta sexta (22) as bolsas reagiram ao discurso de ontem de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em que ele diz pretende ser mais duro na condução da política monetária nas próximas reuniões.

Ou seja, esperam-se juros mais altos na economia americana para este ano, cenário que impacta negativamente ativos de risco, assim como na valorização da moeda dos Estados Unidos frente aos seus pares.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente

Contudo, as preocupações de Powell com os impactos da inflação no crescimento da economia dos EUA vão em linha com que o mercado, em especial o de títulos americanos, vem precificando nas últimas semanas.

Na quinta-feira (21), observamos a disparada para 2,97% dos retornos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, o que sinaliza um cenário de maior aversão ao risco no longo prazo. Ademais, o índice Vix, conhecido como o índice do medo, chegou ao maior patamar no mês, corroborando com o cenário de crescimento versus inflação.

Assim, o cenário vai se concretizando para um aumento de meio ponto percentual na próxima reunião, que ocorre em maio. Porém, o meu cenário é que já está aberta a possibilidade de antecipar uma maior agressividade no ciclo de alta, com mais 75 bps para a reunião de junho, concretizando uma taxa de 2% com a reunião de julho, o que, em outras palavras, pode levar à ancoragem das expectativas de inflação, diminuindo as incertezas do mercado.

Por fim, os impactos de uma política mais dura para os juros da maior economia do mundo deverão ser refletidos na economia brasileira, em especial na divisa cambial.

Na minha visão, o cenário leva a uma depreciação da moeda doméstica frente ao dólar até o fim de 2022, além dos impactos que as eleições podem trazer. Deixando o meu ponto mais otimista, o processo de desinflação ainda é válido ao longo dos próximos meses, influenciado pela queda de preços dos alimentos e da energia elétrica, o que abre precedente para já um primeiro corte de juros da taxa básica de juros, a Selic, no último trimestre do ano.

Leia também

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Clique aqui e receba a nossa newsletter diariamente
Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

AGRO EM ALTA

Governo oferecerá mais de R$ 340 bilhões para produtores rurais no novo Plano Safra; valores entram em vigor em julho

O programa do governo federal prevê o direcionamento de recursos públicos para financiar e apoiar a agropecuária nacional

O SOL HÁ DE BRILHAR MAIS UMA VEZ

Cemig (CMIG4) amplia presença em energia solar em negócio milionário; confira os detalhes do negócio

A transação envolve três usinas fotovoltaicas e reforça a estratégia da companhia de crescimento sustentável no mercado de geração distribuída

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Ibovespa abaixo dos 100 mil novamente, presidente da Caixa pede demissão e o salvador do mundo cripto; confira os destaques do dia

As últimas semanas parecem ter inaugurado um novo modus operandi no mercado financeiro: não há boa notícia ao amanhecer que perdure até o anoitecer.  Alta de commodities, alívio no cenário fiscal, retomada econômica chinesa. Pode escolher a sua arma, nada parece forte o suficiente para enfrentar o temor de uma recessão global e de um […]

Nova aquisição

Ambipar (AMBP3) volta às compras e adquire a Bioenv, que desenvolve projetos de monitoramento do meio ambiente

Como a compra foi feita por meio da controlada Ambipar Response ES S.A., não precisará ser aprovada pelos acionistas da empresa mãe

FECHAMENTO DO DIA

Temor de recessão segue forte e Ibovespa volta a perder os 100 mil pontos; dólar cai com PEC melhor que o esperado

O Ibovespa chegou a amanhecer no azul, mas os temores que rondam o mercado falaram mais alto