Trump tarifa o Brasil em 50%: o que fazer agora? O impacto na bolsa, dólar e juros
No Touros e Ursos desta semana, o analista da Empiricus, Matheus Spiess, analisa os impactos imediatos e de médio prazo das tarifas para o mercado financeiro
A imposição de uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras pelos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump em 9 de julho, virou de cabeça para baixo o mercado financeiro brasileiro.
O Ibovespa, que vinha em uma tendência de alta consistente, virou para queda e fechou a semana com 3,59% de perda — a maior queda semanal desde dezembro de 2022. Não foi diferente com o dólar. A moeda estrangeira, que perdeu valor frente ao real nos últimos meses, mudou de direção e acumulou alta superior a 2% na semana.
A questão é, essas mudanças de direção vieram para ficar? As tarifas de Trump revertem todas as teses sobre os ativos brasileiros que vinham se estruturando nos últimos meses?
Matheus Spiess, analista da Empiricus e colunista do Seu Dinheiro, foi o convidado da semana do podcast Touros e Ursos e respondeu a essas e mais perguntas.
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Ibovespa perdeu o fôlego?
A boa notícia é que o otimismo com as ações brasileiras não deve se dissipar tão facilmente, segundo Spiess. Mas a má notícia é que os próximos meses serão de "bastante volatilidade" e não um "passeio no parque" para o Ibovespa.
O impacto econômico direto da tarifa de Trump é considerado "limitado" pelo analista, a menos que haja uma "escalada" de retaliação brasileira.
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Embora seja esperada uma correção de curto prazo diante desse novo fator de risco, Spiess afirma que a tese que move, de fato, os ativos brasileiros são as eleições de 2026 e a reforma fiscal posterior, que deverá ser feita em 2027.
“O pessoal quer politizar ou ideologizar o mercado em si. É claro que o mercado é composto por pessoas, mas o grande interesse aqui é a questão fiscal e a trajetória de endividamento brasileiro, que por sua vez se relaciona com as eleições”, diz o analista da Empiricus.
Para Spiess, um ponto relevante das tarifas e que mexe com a tese de eleições foi o impacto para a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o revés para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos/ SP), visto como principal candidato da oposição para 2026.
Veja o episódio completo e a análise sobre as eleições de 2026.
Trump bagunçou o dólar?
A projeção para o dólar nos próximos três anos e meio, quando Donald Trump continuará à frente da Casa Branca, continua sendo de desvalorização global.
A moeda estrangeira ganhou um pouco de força frente ao real nos últimos dias, mas Spiess acredita que não há ímpeto o suficiente para subir a níveis vistos até o fim do ano passado, quando chegou a bater R$ 6,30.
Assim como acontece com o Ibovespa, eleições e ajuste fiscal tendem a ser mais determinantes.
“Se você tiver um rali eleitoral no ano que vem, com um candidato mais pró-mercado, daí você de fato ganha muita convicção no real e ele volta para algo mais próximo de cinco [reais]”, diz Spiess.
- Juros, Copom e retaliação do governo brasileiro também fizeram parte do papo. Confira aqui.
Touros e Ursos
No quadro que dá nome ao programa, o maior Urso da semana ficou para Tarcísio de Freitas, escolha feita pelo Matheus Spiess. Para o analista, o governador de São Paulo não conseguiu se posicionar bem frente às tarifas de Trump e perdeu espaço na corrida eleitoral.
Outros dois Ursos ficaram para empresas sensíveis às tarifas e aos juros.
Já nos Touros, Spiess optou pelo Lulopetismo, que conseguiu um fôlego com a tese de defesa da soberania nacional diante das ameaças do republicano norte-americano.
Bitcoin e Méliuz (CASH3) também foram destaques.
Veja todos os Touros e Ursos e os detalhes da análise de Matheus Spiess sobre as tarifas de Trump no episódio completo:
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