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Vender exclusividade nunca foi tão lucrativo: conheça a ação ‘imune’ às inovações tecnológicas

Mercado de luxo pode ser uma alternativa de hedge e proteção contra disrupções no mundo da tecnologia

30 de junho de 2022
6:50 - atualizado às 13:10
Ferrari Daytona SP3
Acionistas da Ferrari são avessos a qualquer menção sobre carros autônomos. - Imagem: Divulgação

Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia.

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A maioria dos investidores teme que suas empresas se tornem obsoletas devido a novas tecnologias.

De casos tradicionais como a Xerox, que já foi uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, aos menos óbvios como a Cielo, cuja competição aumentou aos poucos durante alguns anos, até crescer subitamente em 2018.

Performance da ação da Cielo nos últimos 5 anos | Elaboração: Autor | Fonte: Koyfin

Como analista de ações, estou o tempo todo buscando novas ideias, estudando novas empresas e novos setores. Nessas andanças, encontrei-me com um caso de investimentos único: uma empresa que parece se tornar mais forte a cada dia, mesmo ficando para trás do restante da sua indústria em termos de tecnologia.

Eu falo das ações da Ferrari (ticker "RACE", listada na Nasdaq).

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Bens de luxo são um mercado diferente

Há pelo menos uma década, é raro que a Toyota, a montadora com maior valor de mercado depois da Tesla, produza menos do que 8,5 milhões de veículos por ano.

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Fonte: Statista

A Ferrari, em comparação, não produz mais do que 11 mil veículos num ano qualquer. Ou seja: sua produção anual equivale a menos do que 0,01% de toda a produção da Toyota. 

Cada Ferrari zero quilômetro pode ser customizada com itens únicos — detalhes à escolha do comprador —, sem falar na longa fila de espera para obter seu esportivo vermelho.

Produzir uma quantidade baixa de veículos todos os anos é uma característica intrínseca ao modelo de negócios da Ferrari: o valor está associado à escassez e à exclusividade.

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Um assunto perene entre os executivos da Ferrari e seus investidores é sobre como aumentar as vendas, as margens e os resultados, numa proporção muito superior ao crescimento da produção.

Se o problema parece complexo, a solução, em contrapartida, é bastante simples e conhecida da empresa: aumentar preços e promover o máximo possível (através de marketing e eventos) a exclusividade de se possuir uma Ferrari.

Essa fórmula funciona para a Ferrari?

Desde o seu IPO, em 2015, as ações da Ferrari sobem 256%, equivalente a um retorno composto de quase 21% ao ano, em dólares.

Nada mau!

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Performance da ação da Ferrari desde o IPO | Elaboração: Autor | Fonte: Koyfin

Mas e a história das empresas de tecnologia atacadas pela obsolescência, o que tem a ver com isso?

Veículos elétricos sim, autônomos nunca!

Google, Tesla, Apple, Nvidia e várias montadoras estão trabalhando contra o tempo para ver quem consegue colocar o primeiro veículo 100% autônomo nas ruas.

Em seu último "Investor Day", os executivos da Ferrari foram claros: não estamos e não trabalharemos no desenvolvimento de um veículo autônomo. Afinal, qual seria a graça de uma Ferrari que você não pode dirigir?

Eles projetam que a primeira Ferrari elétrica chegue ao mercado em 2025, mas não esperam ver um modelo autônomo tão cedo.

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Assim como a Rolex nunca fez questão de investir em smartwatches, a Ferrari também não gastará tempo, dinheiro e energia com novas tecnologias que possam tornar seu negócio obsoleto.

É provável que ela seja uma das únicas empresas no mundo a comunicar isso a seus investidores e ter a notícia recebida com alívio.

Ao invés da Ferrari Autônoma, a novidade de 2022-2023 será o modelo PuroSangue, o primeiro SUV da marca, que também será exclusivo, barulhento e jamais autônomo.

O luxo como forma de proteção contra as disrupções tecnológicas

Como investidor de tecnologia, cada vez mais vejo no mercado de luxo uma alternativa de hedge e proteção contra as disrupções tecnológicas que talvez eu (e muitos outros investidores) seremos incapazes de antever.

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Vender exclusividade nunca foi tão lucrativo.

Um abraço, até semana que vem!

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