Entrelaçados: Conheça dois ativos para ter na carteira diante da escalada dos juros no mundo e uma possível recessão global
Com um mundo cada vez mais entrelaçado, não adianta pensar apenas localmente — especialmente quando o assunto é investimentos

Sempre que vivenciamos uma crise a gente ouve falar que o dólar perderá a sua dominância global.
Pouco depois do início da pandemia da Covid-19, em que em um primeiro momento vimos a moeda americana ganhar força em relação às outras moedas globais, surgiram teorias de que a abordagem tanto do governo americano como do Federal Reserve dificultaria a vida da sua divisa.
A abordagem do Fed
Não que as medidas tomadas não tenham sido necessárias naquele momento – na Grande Recessão de 2008, a reclamação foi que a cavalaria demorou a agir, então buscaram se prevenir dessa crítica.
Mas também não podemos dourar a pílula. A reação atrasada do Fed em subir os juros fez com que os preços na Terra do Tio Sam aumentassem em velocidade não vista em quase meio século.
Os juros nos EUA e no mundo
Agora, buscando recuperar o tempo perdido, já vemos ser discutida a possibilidade de Jerome Powell e seus comandados aumentarem a taxa básica de juros americana em 1 ponto percentual.
Ainda que esta tenha deixado de ser a aposta majoritária em questão de dias – segundo o CME Fed Watch Tool, o mercado precifica hoje uma maior chance de um aumento de 0,75 ponto percentual na reunião da quarta-feira que vem –, só o fato de ter sido ventilada a hipótese mostra que o Federal Reserve quer realmente combater a inflação que assola os Estados Unidos.
Leia Também
O joio, o trigo e os inadimplentes: eleições, temporada de balanços, revolta na França e petróleo em alta movimentam os mercados hoje
Protestos na França: quando a dívida cobra a conta das economias desenvolvidas
Quando comparamos com a nossa taxa Selic, parece até brincadeira de mau gosto. Mas, infelizmente, a comparação neste caso tem que ser feita mais com os pares desenvolvidos do que com economias emergentes.
E, em relação à União Europeia e ao Japão, os EUA estão muito mais adiantados.
O aperto monetário na Europa e no Japão
Esta semana devemos ter o primeiro aumento por parte do Banco Central Europeu.
Só que o aumento pretendido pela instituição comandado por Christine Lagarde deve levar a taxa básica da região para algo perto de 0%, uma vez que hoje se encontra no campo negativo.
Isso mesmo com a União Europeia também sofrendo com os problemas causados pela inflação, exacerbados pela questão energética decorrente do conflito na Ucrânia.
E, sem falar que muitos de seus membros apresentam endividamentos que colocariam em risco suas economias, como no caso da Itália (em patamares maiores do que levou o país a uma grave crise no começo dos anos 2010).
Já na Terra do Sol Nascente, sem sinais de que o Banco Central vá aumentar os juros na reunião dos próximos dias, mantendo em patamares extremamente baixos.
Veja também: Onde investir no 2º semestre: Hora de comprar dólar e ouro? Saiba por que a proteção ficou mais cara, mas continua essencial
Os dois lados de um dólar mais forte
Essa discrepância entre algumas das principais economias globais deve continuar fortalecendo o dólar.
O “Dollar Index”, que mede a performance da divisa americana ante uma cesta de moedas (euro, iene japonês, franco suíço, libra esterlina, dólar canadense e coroa sueca) já mostra uma alta de quase 11% do dólar no ano, atingindo patamares não vistos desde o começo dos anos 2000.
Por outro lado, esse fortalecimento do dólar pode aumentar a possibilidade de uma recessão global, já que uma boa parte dos lucros das empresas americanas vem de suas operações em outros países.
Golpes nos bolsos das norte-americanas
Estimativas de mercado apontam que, no primeiro semestre do ano, os lucros dessas companhias foram reduzidos em cerca de US$ 40 bilhões, ante uma perda de US$ 8 bilhões no mesmo período de 2021.
Nos últimos dias já tivemos divulgações de que algumas das principais empresas globais seguem revisando para baixo suas projeções para o ano por conta do dólar forte.
Primeiro foi a Microsoft que pontuou isso semanas atrás. Ontem foi a vez da Johnson & Johnson e da Netflix informarem seus investidores que os próximos resultados serão impactados negativamente. Não importa o setor, o impacto estará lá.
- ESTÁ GOSTANDO DESTE CONTEÚDO? Tenha acesso a ideias de investimento para sair do lugar comum, multiplicar e proteger o patrimônio.
O Brasil, o dólar e a desvalorização cambial
E se engana quem acha que isso não tem implicações para nós, brasileiros.
Ainda que o dólar mais caro torne as nossas exportações mais atrativas para outros mercados, fato é que a nossa cesta de consumo é impactada negativamente por essa desvalorização cambial.
Também não podemos esquecer que a redução do consumo global também significa menor demanda por produtos brasileiros.
Não bastasse isso, temos todas as dificuldades do nosso lado fiscal e uma eleição que muitos consideram a mais desafiadora desde a redemocratização.
Ouro e dólar na carteira
Mesmo com a alta recente, ainda acho que todo investidor deve ter uma parcela do seu patrimônio exposta ao dólar.
E, para se proteger de uma desvalorização da moeda americana, a queda recente no ouro abre um bom ponto de entrada para quem não tem o ativo na carteira – com um peso menor do que o da divisa da Terra do Tio Sam.
Com um mundo cada vez mais entrelaçado, não adianta pensar apenas localmente. Ainda mais quando o assunto é investimentos.
Um abraço,
Enzo Pacheco
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Em busca do eletroposto mais próximo e das ações que vão se dar bem na temporada de balanços; veja o que mexe com seu bolso hoje
16 de outubro de 2026 - 8:16SEXTOU COM O RUY
A bolsa subiu na expectativa, mas a realidade segue difícil. O que esperar da temporada de resultados?
16 de outubro de 2026 - 7:05O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A volta do fantasma dos distratos, o peso dos juros para o desempenho da bolsa e tudo o que mexe com o seu bolso hoje
15 de outubro de 2026 - 8:35EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: O empurrão que faltava para o Novo Keynesianismo
14 de outubro de 2026 - 19:45O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Brasileiros à prova da teoria financeira, ‘Pix MEI’, o renascimento do Magalu e o que mais mexe com o seu bolso hoje
14 de outubro de 2026 - 8:28O MELHOR DO SEU DINHEIRO
As propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para as PMES, o sumiço das LCIs e LCAs que pagavam 95% e o que agita os mercados hoje
13 de outubro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
É o fim dos aplicativos de banco? Os gerentes de IA e as notícias mais importantes para o seu bolso neste feriado
12 de outubro de 2026 - 8:01TRILHAS DE CARREIRA
Ter lado sem perder o eixo: o que está em jogo no trabalho quando você se posiciona politicamente em tempo de eleição
11 de outubro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A conta que você não pode atrasar, os encantos da China e o que mais mexe com seu bolso hoje
9 de outubro de 2026 - 8:47O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A guerra do delivery pelo seu restaurante, o fim do ‘aceita VR?’ e o que esperar dos mercados hoje
8 de outubro de 2026 - 8:54EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Upside de 50% à frente, mas nunca vem de graça
7 de outubro de 2026 - 19:51O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A bolsa desanimou, mas os juros não: ativos para um mundo com a Selic menor e o que mais mexe com seu bolso hoje
7 de outubro de 2026 - 8:38O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A dívida pública, a dívida do condomínio e a euforia dos mercados: entenda o que você precisa saber antes de investir hoje
6 de outubro de 2026 - 8:42INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
Eleições: o pêndulo virou e o fiscal entrou no preço
6 de outubro de 2026 - 7:22O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A ação que aguenta o tranco do segundo turno e o que esperar dos mercados hoje
5 de outubro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O ESG na análise de risco, o impacto das eleições na Petrobras (PETR4) e o que mais move o mercado hoje
2 de outubro de 2026 - 8:24SEXTOU COM O RUY
Por que você deveria ter Petrobras (PETR4) na carteira — independentemente de quem ganhar as eleições?
2 de outubro de 2026 - 7:20O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O risco do aluguel atrasado, o candidato favorito do mercado e os preços do petróleo: o que mexe com a bolsa hoje
1 de outubro de 2026 - 8:31EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Não acorde pelado depois do 1º turno
30 de setembro de 2026 - 20:01O MELHOR DO SEU DINHEIRO