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Aonde quer que a gente vá, só se fala nele, o visitante indesejado que retornou: o dragão da inflação
Aonde quer que a gente vá, só se fala nele, o visitante indesejado que retornou: o dragão da inflação. Efeito do pós-pandemia e otras cositas más, como crise hídrica e conflitos geopolíticos, a alta generalizada dos preços desta vez não é apenas um fenômeno brasileiro ou latino-americano, mas sim global.
Seria engraçado, se não fosse trágico, ver a preocupação da população europeia ou americana com índices inflacionários na casa dos 5%, 6%, 7% num período de 12 meses, como tem ocorrido ultimamente. Afinal, para a nossa realidade de país emergente, uma inflação dessas é mediana ou até boa, dependendo das circunstâncias.
Mas fato é que os países ricos não estão acostumados, e o dragão, embora menor que o nosso, preocupa e já provoca alguns estragos na economia, o suficiente para deixar os bancos centrais em alerta.
Na Inglaterra, onde São Jorge é padroeiro, o banco central resolveu não dar bobeira e já começou a alta nos juros em dezembro, tendo elevado um pouco mais as taxas no início deste mês; na zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve os juros zerados, para a surpresa e decepção dos mercados.
Mas os olhos de todos estão mesmo sobre os Estados Unidos. Os dirigentes do Federal Reserve, o banco central americano, vêm reiterando suas preocupações em relação às pressões inflacionárias e já sinalizaram que a alta de juros deve começar em março deste ano.
O aperto monetário na maior economia do mundo vem ditando os movimentos dos mercados, elevando os juros dos títulos do tesouro americano e as taxas futuras de juros em todo planeta, aumentando a atratividade da renda fixa, ao mesmo tempo em que diminui a das bolsas de valores - sobretudo a americana, que vem de um período de forte valorização.
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Mercados com ações muito descontadas, como o brasileiro, vêm recebendo o capital de risco estrangeiro, o que impulsiona a bolsa e alivia o câmbio por aqui. Mas o temor é de que esse movimento não se sustente por muito tempo, já que o mar, globalmente, não está para peixe.
Pelo menos a economia brasileira se apoia na exportação de produtos cujos preços vêm subindo nessa onda inflacionária, como o petróleo e o minério de ferro. Daí a bolsa local ter se tornado, ao menos momentaneamente, interessante para o investidor gringo.
Mas e a inflação local? Aqui, o índice oficial ainda marca alta de mais de 10% em 12 meses, embora já comece a mostrar, aqui e ali, sinais de possível arrefecimento. Bem, o Banco Central brasileiro já está nessa cruzada contra o dragão há até mais tempo, aumentando juros desde o ano passado. De fato, por aqui, o ciclo de alta da Selic já está perto do fim.
A inflação foi o tema do podcast Touros e Ursos desta semana. No episódio da última sexta-feira (11), eu, Victor Aguiar e Vinícius Pinheiro discutimos as origens da atual alta de preços, o que está sendo feito para combatê-la, o que tem pesado mais no bolso do brasileiro e, afinal, quais as perspectivas de se domar o dragão. E, no final, como sempre, elegemos os nossos touros e ursos da semana.
Para ouvir a nossa conversa completa, basta apertar o play!
Confira também os destaques do Seu Dinheiro na semana que se passou:
DRIBLANDO A INSTABILIDADE
A uma semana da volta ao ar, sistema do Banco Central para consulta de dinheiro ‘esquecido’ em bancos ganha site exclusivo; veja como acessar o novo SVR. O BC revelou que não será mais possível consultar ou solicitar a transferência de valores no SVR no site principal da instituição.
MEDIANTE REMÉDIOS
Em virada no último minuto, Cade aprova venda da Oi Móvel para Claro, Vivo e TIM; OIBR3 vira e sobe na bolsa após decisão. Conselho aprovou o negócio, mas mediante a imposição de ‘remédios’ para mitigar potenciais riscos à concorrência no setor de telecomunicações.
FII DO MÊS
Fundos imobiliários mais recomendados têm reviravolta com fim da alta da Selic à vista; conheça os favoritos para fevereiro. Os FIIs de papel ainda permanecem entre as recomendações preferidas das corretoras, mas o atual cenário abriu espaço para o surgimento de uma nova aposta.
É HORA DOS PRÉS?
O fim está próximo? As oportunidades de lucro (e os riscos) do Tesouro Direto com a alta da Selic na reta final. Com o fim do ciclo de alta dos juros e a perspectiva de uma inflação mais controlada, é hora de comprar prefixados para ganhar com sua valorização? Pode até ser, mas lucros não virão sem riscos.
DUAS RODAS
O guia completo das scooters: confira o preço dos principais modelos e escolha a sua. Foram emplacadas 97.713 unidades de scooters, categoria de duas rodas que registrou maior crescimento do mercado no ano passado.
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