O melhor time de jornalistas e analistas do Telegram! Inscreva-se agora e libere a sua vaga

Larissa Quaresma
A Bolsa como ela é
Larissa Quaresma
Analista de ações e integrante da equipe do Carteira Empiricus
2022-02-01T11:10:16-03:00
A BOLSA COMO ELA É

It’s value time: é hora de comprar empresas baratas e aproveitar oportunidades para construir posições vendidas?

Entenda como escolher certo as ações para investir bem em um cenário de juros altos, inflação elevada e dólar enfraquecido

1 de fevereiro de 2022
11:10
bolsa_trade
Imagem: Shutterstock

A Bolsa brasileira teve um ótimo janeiro. No mês, o Ibovespa subiu 7%, maior alta desde dezembro de 2020. 

O investidor afobado já pularia para a conclusão de que agora é a vez da nossa Bolsa e sairia comprando tudo a torto e a direito. 

Se você entrar nos ativos errados, provavelmente perderá dinheiro, independentemente do momento macroeconômico.

A alta de janeiro tem algumas explicações. 

Os porquês

A primeira é a enxurrada de capital estrangeiro: foram US$ 4,5 bilhões injetados na B3 no mês, um terço do que entrou no ano passado inteiro. 

A segunda é um movimento de compras de oportunidade, dado que a Bolsa brasileira, já precificando a alta de juros aqui, ficou barata demais. 

Um símbolo dessa segunda explicação foi a abertura da Dynamo para captação nos últimos dias, com esgotamento da capacidade reservada a cotistas atuais em menos de três minutos. 

Antes dessa abertura, a última havia sido no final de março de 2020, um belo momento para comprar Bolsa brasileira.

Rumo a empresas de valor

Por outro lado, o fluxo estrangeiro enfraqueceu o dólar no mês, o que penalizou um pouco algumas exportadoras. 

Ainda assim, a temática que observamos nos últimos seis meses, de saída das empresas de crescimento em direção às de valor, se manteve: as ações irracionalmente caras caíram mais que o Ibovespa; as baratas, subiram mais. 

B3, cuja cotação havia sido duramente penalizada pela alta dos juros, subiu 32% no mês, a maior alta do índice. Bradesco, o banco mais barato dentre os grandes privados, subiu 19%. 

A baixa mais intensa, por outro lado, foi Locaweb, que negociava a múltiplos (muito) ricos e viu sua cotação cair 22% no mês. Alpargatas, a mais cara do varejo de moda brasileiro, derreteu 21%.

Ainda assim, as empresas penalizadas no mês continuam caras. Locaweb negocia a mais de 5.000 vezes seu lucro projetado para os próximos 12 meses (sim, cinco mil). Alpargatas, a mais de 15 vezes o Ebitda estimado para este ano.

Trajetória dos juros

O prognóstico para a trajetória dos juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, tende a reforçar essa dinâmica nos próximos meses. 

A inflação brasileira, cujos dados têm persistentemente indicado um estouro cada vez maior da meta de preços, não deve dar trégua para a Selic. 

O nosso Banco Central, cujo principal objetivo é atingir a meta de inflação, é (corretamente) implacável no seu dever, o que significa que o ciclo de aperto monetário deve extrapolar 2022. 

Isso significa mais altas da Selic a perder de vista. 

Juros nos EUA

Já o Fed (banco central americano), também vendo os preços subirem demais na sua economia, sinalizou que deve seguir o mesmo caminho. 

A última reunião do Fomc (espécie de Copom americano) eliminou as últimas dúvidas que ainda haviam: os dirigentes da instituição disseram que os juros devem subir “em breve”, possivelmente já na próxima reunião. 

Juro mais alto significa custo de oportunidade maior para o investidor, que tende a continuar cada vez mais seletivo com os nomes que escolhe para compor sua carteira. 

Esse fluxo, então, perpetua a dinâmica de rotação: menos “growth” e mais “value”. 

Oportunidades para o investidor

Essa conjuntura, embora trágica para determinadas ações, abre uma miríade de oportunidades para o investidor de Bolsa. 

“It’s value time”, hora de comprar empresas baratas. 

Também, há oportunidades interessantes para construir posições vendidas, mas escolhidas a dedo, uma estratégia que tem rendido seus frutos na Carteira Empiricus. 

Essa última tática deve ser usada somente por aqueles que têm estômago para aguentar a volatilidade. 

Seletividade é aliada

A seletividade, como sempre foi, continua sendo uma das melhores aliadas do investidor. 

Compre o papel de valor errado e verá seu patrimônio ruir; venda a empresa merecidamente cara, idem. 

A pesquisa com lupa é um dever inescapável do investidor, do contrário, qual seria a diferença entre investir em ações e gastar num cassino? Em ambos os casos, sua chance de perder dinheiro é altíssima. 

Infelizmente, o dono do cassino está sempre contra você — e qualquer paralelo com o mercado não é mera coincidência. É preciso trabalho e diligência para fazer as boas jogadas.

Se tem uma mensagem que eu gostaria que você levasse com você hoje, é esta: “It’s value time, baby”. Aproveite as oportunidades.

Um abraço,
Larissa

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

PORTFÓLIO DE BILHÕES

Aposta contra a Apple (AAPL34)? Veja as mudanças que Warren Buffett, Michael Burry e investidores de elite fizeram nas carteiras

Esses pesos-pesados do mercado financeiros tomaram decisões surpreendentes no primeiro trimestre; confira as mudanças mais significativas que eles fizeram no período

DO BRASIL PRO MUNDO

Guedes tem encontro com Escobari, da General Atlantic, e vai a jantar do BTG; confira a agenda do ministro em Davos

O banqueiro André Esteves, que em abril voltou ao comando do conselho do BTG Pactual, está participando do evento na Suíça

UMA TECH ATRAENTE

É hora da Locaweb? Saiba por que o Deutsche Bank vê ponto de entrada para as ações LWSA3

Banco alemão atualizou a recomendação para a empresa de neutra para compra e vê potencial de valorização de mais de 50% para os papéis

O QUE VEM POR AÍ

Ata do Fed e IPCA-15: confira a agenda de indicadores da semana aqui e lá fora

Nos Estados Unidos, a segunda prévia do PIB no primeiro trimestre também é destaque; na Europa, o PIB da Alemanha é o principal dado

CAMINHO DO MEIO

Menor rejeição e apoio interno no MDB dão vantagem a Simone Tebet; veja os rumos da senadora da terceira via

Maior desafio, segundo marqueteiros, é torná-la popular: 46% do eleitorado desconhece Simone Tebet, segundo pesquisas recentes

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies